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Nova maioria quer refocalizar o Japão na Ásia

Yukio Hatayama já começou a compor o novo governo. Keystone

Depois da vitória triunfal de seu partido domingo, o futuro primeiro ministro japonês Yukio Hatoyama comçou imediatamente a formar um govenro.

Na entrevista a seguir, Pierre Souyri, chefe do Departamento de Japonês na Universidade de Genebra, comenta essa mudança histórica de maioria e as perspectivas futuras.

Nas primeiras palavras que pronunciou depois da vitória de seu partido, o futuro primeiro ministro japonês, Yukio Hatoyama, afirmou que não era antiamericano e que sua visão de uma futura comunidade asiática, inspirada pela União Europeia, não excluía os Estados Unidos.

Yukio Hatoyama precisou seu pensamento depois do artigo que escreveu, publicado no New York Times na semana passada, atacando o capitalismo à maneira norte-americana.

“A era da globalização sob direção americana chega ao fim e iremos para uma era multipolar, resultado do fracasso na guerra do Iraque e da crise financeira”, escreveu o futuro chefe do governo japonês.

De qualquer maneira, Yukio Hatoyama começou rapidamente a compor o governo, enquanto os investidores se questionam sobre as políticas econômica e estrangeira do Partido Democrata, considerado como muito inexperiente.
Análise de Pierre Souyri, da Universidade de Genebra.

swissinfo.ch: O resultado dessas eleições é um protesto contra o Partido Libéral-Démocrate (PLD no poder desde 1955) ou a opção por uma nova política do Partido Democrata do Japão (PDJ)?

Pierre Souyri: É evidente que marca a rejeição de um sistema que funcionou durante pelo menos 30 anos com uma alta constante do nível de vida dos japoneses. Esse modelo começou a ser abalado no início dos anos 1990, com uma série de escândalos políticos ligados a uma prática muito longa do poder. A crise econômica atual precipitou a rejeição do PLD.

As reformas liberais e desreguladoras feitas pelos conservadores nos últimos 15 anos para reativar a economia colocaram em perigo faixas inteiras da população, que justamente se sentiam protegidas pelo PLD até então.

É o caso especialmente das pessoas idosas, cujas aposentadorias foram colocadas em questão e de uma parte da juventude que não encontra emprego. Recentemente, as grandes empresas começaram a demitir muita gente, criando um clima de medo na população.

O Partido Democrata defende, por exemplo, uma revalorização das aposentadorias. Ele levou em conta o envelhecimento da população – o que não fez o PLD – e preconiza medidas de apoio às famílias para incitar os japoneses a ter mais filhos, como a gratuidade das escolas ou subvenções para as mães jovens.

Essa mudança de maioria significa o fim da política identificada com os Estados Unidos?

De fato, o PLD foi fundado para apoiar a política americana no Extremo Oriente contra o comunismo e durante a guerra fria. Posteriormente, esse partido continuou alinhado com as posições americanas, incluindo no Iraque em 2003. Já naquela época, a maioria da população japonesa era contra se engajar no Iraque.
Washington várias vezes abandonou Tóquio frente à Coreia do Norte ou frente a China.

O Partido Democrata afirma querer redefinir a estratégia do Japão na Ásia, distanciando-se dos americanos e se aproximando da China. Essa é a vontade da maioria dos japoneses.

O Partido Democrata do Japão é considerado de esquerda. O que isso significa?


A maioria dos dirigentes desse partido pertencia ao PLD. Dentro do PDJ também estão os social-democratas, depois da extinção do Partido Socialista Japonês. Portanto é uma aliança de centro-direita que chega ao poder no Japão.

Esse posicionamento político se traduz por uma vontade de melhor distribuição das riquezas e um papel maior do Estado na economia. É uma política que vai evoluir com a prática do poder que o PDJ nunca exerceu nesse nível.

Mas o PDJ tem sim uma certa experiência de governo, porque já controla regiões e prefeituras de grandes cidades.

Esa mudança na política japonesa pode ter consequências conséquences nas relações com a Suíça e com o resto do mundo?


Um país como a Suíça não deve esperar mudanças notáveis, mesmo se alguns predizem um pouquinho menos de abertura econômica.


Frédéric Burnand, Genève, swissinfo.ch

Economia Depois de 54 anos no poder, os eleitores japoneses rejeitaram domingo passado o Partido Liberal Democrata (PLD) na oposição e elegeram um partido sem experiência governamental para tirar a economia do marasmo atual.

Maioria Os resultados oficiais ainda não foram publicados, mas as projeções da mídia dão o Partido Democrata do Japão 307 das 480 cadeiras da Câmara. O PLD cairia para 119 deputados.

Governo Yukio Hatoyama, 62 anos, está montando uma equipe de transição antes do novo governo tomar posse. Ele disse que vai apresentar a composição de seu governo depois de empossado oficialmente como primeiro ministro pelo Parlamento, dentro de duas semanas.

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