The Swiss voice in the world since 1935

Trump pede à Síria que normalize relações com Israel após suspensão das sanções

afp_tickers

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou nesta quarta-feira (14) ao Catar depois de visitar a Arábia Saudita, onde pediu ao novo líder da Síria que normalize as relações com Israel, depois de suspender as sanções contra o país, devastado por anos de guerra.

Ahmed al Sharaa, o presidente sírio de passado jihadista, foi detido em uma prisão americana no Iraque e, durante um período, comandou uma filial da Al Qaeda na Síria.

Ele tomou o poder em Damasco em dezembro do ano passado como líder de uma coalizão de forças rebeldes que, em uma campanha relâmpago de 11 dias, derrubou o regime de Bashar al Assad.

O encontro, o primeiro entre presidentes dos dois países em 25 anos, demorou pouco mais de meia hora, foi breve e informal, segundo a Casa Branca. A reunião também teve a participação por vídeo do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, indicou a agência de notícias oficial turca.

O príncipe herdeiro e governante de fato saudita, Mohammed bin Salman, também estava presente na reunião, segundo uma foto divulgada pela agência oficial de notícias de Riade.

Na terça-feira, em seu primeiro dia em Riade, em uma jornada dominada pela economia, Trump anunciou de maneira surpreendente a suspensão das sanções americanas impostas à Síria pela repressão exercida pelo regime de Assad.

O governo sírio recebeu a informação como um “ponto de inflexão fundamental” para o país, devastado por quase 14 anos de uma guerra civil que deixou meio milhão de mortos e milhões de deslocados.

O anúncio de Trump é “uma decisão histórica e corajosa, que alivia o sofrimento da população, contribui para o seu renascimento e assenta as bases da estabilidade na região”, afirmou Al Sharaa em discurso televisionado.

A notícia foi celebrada em Damasco, onde uma multidão se reuniu na emblemática Praça dos Omíadas. “Esperamos que inicie uma nova era na Síria”, declarou à AFP Ahmed Asma, de 34 anos.

O fim das sanções significa que “Washington aceitou as garantias da Arábia Saudita para legitimar a nova administração síria”, afirmou Rabha Seif Allam, do Centro de Estudos Políticos e Estratégicos de Al Ahram, no Cairo (Egito).

– Dúvidas de Israel –

Na reunião, Trump pediu a Al Sharaa que normalize as relações com Israel, assuma o controle das prisões onde estão os integrantes do grupo extremista Estado Islâmico e expulse da Síria os “terroristas” palestinos.

“Eu disse [a Al Sharaa]: ‘Espero que se junte [aos Acordos de Abraão] uma vez que resolva sua situação’, e ele me disse ‘sim’. Mas eles têm muito trabalho a fazer”, explicou Trump à imprensa ao embarcar no avião que o levou ao Catar.

Os Acordos de Abraão são uma série de tratados de normalização de relações diplomáticas entre Israel e vários países árabes, incluindo Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Trump descreveu Al Sharaa como “um rapaz jovem e atraente” e acrescentou que ele é “um cara duro, com um passado muito forte, um lutador”.

O encontro entre Trump e Al Sharaa foi recebido com dúvidas por Israel, aliado crucial dos Estados Unidos na região.

Israel, que ocupa uma parte do território sírio nas Colinas de Golã, bombardeia seu vizinho árabe com frequência, como já fazia durante o regime de Assad, e desconfia das novas autoridades islamistas de Damasco que buscam reconstruir o país.

O Ministério das Relações Exteriores da Síria citou um encontro “histórico”, mas não mencionou uma possível normalização da relação com Israel, como tampouco fizeram veículos de imprensa estatais.

O próprio Trump disse que as sanções impostas na era Assad foram “realmente devastadoras” para a economia síria. “De qualquer maneira, não será fácil, então isso lhes dá uma boa oportunidade” de se levantarem novamente, destacou o presidente americano.

Em uma nova etapa de sua visita à região, Trump chegou ao Catar nesta quarta-feira, onde anunciou que a companhia aérea Qatar Airlines fez uma encomenda à Boeing de 160 aviões, avaliada em 200 bilhões de dólares (pouco mais de R$ 1 trilhão).

Após se reunir por cerca de duas horas com o emir do Catar, o xeque Mohammed bin Abdul Rahman al Thani, ambos anunciaram vários acordos, inclusive a compra pelo Catar de drones americanos MQ-9B. 

A visita de Trump ao Catar é marcada por uma grande polêmica.

O motivo é um Boeing 747-8 oferecido ao republicano pela família real catari para substituir, ao menos provisoriamente, o avião presidencial Air Force One. Analistas calculam que a aeronave vale 400 milhões de dólares (2,2 trilhões de reais) e Trump argumenta que é apenas um “presente temporário”.

ds-aue/sar/ila/nr/dbh/ag/zm/an/fp/jc/aa/mvv/aa/rpr

Mais lidos

Os mais discutidos

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR