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Reduzir a pobreza pela metade até 2015

Walter Fust, diretor da DDC, exibe aos jornalistas os planos para erradicar a pobreza do mundo. swissinfo.ch

Para o trabalho de cooperação internacional 2005 é um ano importante: em setembro a Suíça participa do OMD+5, o encontro mundial que ocorre em Nova Iorque em setembro para analisar os objetivos do milênio.

Como instrumento de ajuda ao progresso no Terceiro Mundo, o governo suíço escolheu o microcrédito e o esporte.

Os objetivos são ambiciosos, porém os recursos escassos. Essa é a mensagem transmitida pelos responsáveis da Direção para Desenvolvimento e Cooperação (DEZA, na sigla em alemão), o órgão público do governo suíço encarregado dos projetos de ajuda aos países do Terceiro Mundo, durante a coletiva anual de imprensa.

Frente aos jornalistas o diretor Walter Fust até brandiu na mão uma pasta, repetindo várias vezes: – “Esse é um ano-chave, pois vários importantes encontros mundiais irão definir uma estratégia global para a cooperação ao desenvolvimento”.

Em setembro a Suíça participa da conferência mundial intitulada OMD+5, que se realizará em setembro em Nova Iorque. Ela servirá de palco para fazer um balanço dos progressos obtidos no programa de objetivos do milênio, estabelecido há cinco anos pela comunidade internacional na ONU.

Umas das principais metas é reduzir pela metade a pobreza no mundo até 2015.

Apoio ao microcrédito

A Suíça, como um dos países mais ricos do globo e também mais ativos na cooperação internacional, quer dar sua colaboração.

Com um orçamento de 1,3 bilhões de francos e 550 funcionários trabalhando no país e no exterior, o órgão helvético irá manter os 750 diferentes projetos em 17 países considerados prioritários, todos eles localizados na África, Ásia e América Latina.

Para 2005, a Suíça pretende colaborar com a ONU nos dois principais temas do ano: microcrédito e desenvolvimento através do esporte. “Somente 10% da população dos países pobres têm acesso ao crédito e instrumentos seguros de economia”, ressalta Fust.

Nesse sentido a DEZA mantém programas em vinte países do Terceiro Mundo, onde o principal destaque é a formação de recursos humanos. “Para muitas comunidades pobres, mesmo a administração do dinheiro doado pelos países ricos é um processo muito complicado. Nosso papel é ajudá-los na formação de recursos humanos que sejam capazes de administrar bancos e instituições simples de crédito”, explica Brigitte Hagmann, funcionária da DEZA.

Valorização do esporte

Dentro do Ano Internacional do Esporte e Educação Esportiva 2005, um programa da ONU, os suíços pretendem apoiar diversos projetos em países do Terceiro Mundo.

Um exemplo já está em prática há alguns anos em Bam, cidade no Irã destruída em 2003 por um terremoto, o que provocou a morte de 26 mil habitantes. Para ajudar as crianças e jovens a superar o traumatismo da catástrofe, o governo suíço ajudou a criar um programa de esportes para possibilitá-las a praticar futebol e voleibol.

Também na Índia a mesma idéia é aplicada: campeonatos esportivos ajudam a diminuir as tensões religiosas criadas após um sangrento conflito entre muçulmanos e hindus no ano 2000 em Gujarat. “Organizamos jogos de cricket onde as equipes são misturadas, promovendo assim um maior entendimento entre as religiões”, afirma Lukas Freys, coordenador do programa na DEZA.

Também o Afeganistão é dispõe de um projeto semelhante, este voltado para as mulheres.

A Suíça irá abrigar a 2a Conferência Internacional sobre o Esporte e Desenvolvimento, que ocorre entre 4 e 6 de setembro de 2005 em Magglingen. O ex-presidente da Confederação Helvética e atual conselheiro especial da ONU para assuntos de esporte, Adolf Ogi, irá conduzir o evento, que irá reunir representantes de países e diversas organizações.

Falta de dinheiro

Os planos ambiciosos do governo suíço de ajudar o Terceiro Mundo esbarram, porém, nos problemas de caixa. O país havia fixado a meta de gastar 0,4% do seu PIB em programas de cooperação, mas não chegou nem perto disso.

“Nós precisamos criar instrumentos inovadores de financiamento, inclusive engajando mais os investidores privados”, ressalta Walter Fust.

Outros pontos de discórdia entre os países doadores são novas propostas de ajuda como taxas sobre transações financeiras internacionais, impostos sobre o querosene de aviação ou o financiamento da ajuda ao desenvolvimento através de empréstimos no mercado de capitais.

“No momento é difícil que os países doadores cheguem a um consenso em relação a essas idéias”, lembra Fust. “Em Nova Iorque a Suíça irá apresentar propostas concretas, que agora ainda estão sendo formuladas por um grupo interdepartamental”.

swissinfo, Alexander Thoele

-A comunidade internacional fixou o objetivo de reduzir a pobreza no mundo pela metade até 2015.

-Para alcançar esse objetivo é necessário mais liberar recursos financeiros nos próximos quatro anos, segundo os representantes da DDC.

-Porém não é fácil de desbloquear recursos suplementares. Um exemplo é a Suíça: até hoje ela não cumpriu a promessa de destinar 0,4% do PIB para os programas de ajuda ao desenvolvimento.

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