Suíça desiste de recorrer contra libertação de Pinochet
"Não tenho intenção de recorrer contra decisão de uma justiça estrangeira". Esta a reação do procurador suíço, Bernard Bertossa à decisão da Grã-Bretanha de libertar Pinochet que por razões de saúde considera inapto a julgamento.
O procurador Bertossa, de Genebra, é quem havia solicitado extradição do ex-presidente chileno para a Suíça. Augusto Pinochet, libertado nesta quinta-feira, encontrava-se detido em Londres desde outubro de 1998 a pedido do juiz espanhol,Baltasar Garzón, que tentou processá-lo por seqüestro, terrorismo e tortura praticados durante a ditadura no Chile (1973-1990).
Espanha, Bélgica, França também queriam julgar o general Pinochet pelos crimes cometidos durante seu regime. O pedido de extradição da Suíça era baseado em mandado internacional de prisão contra Pinochet, expedido pela Justiça de Genebra, devido ao desaparecimento em 1977 de Alex Jaccard, cidadão suíço que também tinha passaporte chileno. Em Buenos Aires ele teria caído nas malhas da DINA, a polícia secreta chilena, através de colaboração argentina.
Reagindo há menos de duas semanas ao laudo médico sobre o estado de saúde de Pinochet (que o considerava do ponto de vista médico inapto a julgamento) o procurador suíço lembrava que segundo o Acordo Europeu sobre a Extradição
razões de saúde não podem ser alegadas para recusar a extradição.
E nesta quinta-feira em uma estocada, o procurador Bertossa afirmou: “A Grã-Bretanha tem uma antiga tradição de dar refúgio a criminosos de toda laia”.
J.Gabriel Barbosa
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