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Austeridade Não é preciso dinheiro para viver bem na Suíça

Um dos países mais caros do mundo oferece formas alternativas de não se gastar dinheiro. Ser pobre não significa abdicar de viagens, boa alimentação e até da moradia dos sonhos. swissinfo.ch coletou algumas das dicas para a Suíça de graça (ou quase).

Impressora, máquina de café e cabides são oferecidos nas ruas de Berna

Uma impressora, uma máquina de café e cabides e uma plaquinha escrita "grátis": objetos oferecidos nas ruas de Berna.

(swissinfo.ch)

O sanduíche Big-Mac na Suíça é o mais caro do mundo (6,35 dólares). O hotel President Wilson, em Genebra, tem o quarto mais caro do mundo: 65 mil dólares o pernoite. A lista continua e mostra uma característica do país que é, ao mesmo tempo, um problema para seus habitantes: a Suíça é um dos países com o maior custo de vida no mundo como mostram os dados recentes da OECDLink externo. E como as pessoas vivem, inclusive as mais pobres? Sim, os um estudo da CaritasLink externo mostra que, de fato, eles existem.

A solução é olhar os preços ou encontrar o que está disponível gratuitamente. Muitas dessas ofertas foram criadas por outras características helvéticas: na terra do protestantismo, o reformador João CalvinoLink externo (1509–1564) já dizia que "ninguém deveria ter demais ou de menos". Isso fez com que os suíços se tornassem os campeões europeusLink externo da doação, superados apenas pelos holandeses. Esse espírito comunitário é a origem de diversas iniciativas solidárias. Algumas são bem simples como doações de alimentos ou objetos pessoais. Outras são mais complexas.

Aqui listamos algumas das coisas que nada (ou quase nada) custam na Suíça.

1 - Água

Elixir da vida. O turista que chega na Suíça se surpreende com o grande número de fontes de águas espalhadas em todas as cidades ou até no campo. Só na cidade de Lucerna são mais de 225 fontesLink externo, como mostra uma reportagem publicada no jornal "Zentralplus". E detalhe: a água que escorre é pura e ser bebida gratuitamente.

Nas fontes de Lucerna, a água vem diretamente da base do monte Pilatus. Sua qualidade é verificada constantemente pelas autoridades, sendo que as antigas fontes chegam a ter um tratamento à base de raios ultravioleta.

Na Suíça, 80% da água são originadas de fontes ou do lençol freático. O resto vem dos lagos. Leis rigorosas e o controle do EstadoLink externo garantem sua qualidade. Portanto, não é necessário comprar água mineral nos supermercados, pois o que sai das torneiras, ou das fontes, não custa nada.

2 - Caixas "grátis" 

Uma tradição que funciona em diversas cidades suíça. Em Berna, por exemplo, qualquer habitante pode colocar os objetos que não necessita mais em uma caixa de papelão, fixar uma plaquinha de "grátis" nela e deixá-la na rua por alguns dias. Muitos doam assim brinquedos, roupas, livros, objetos decorativos e até mesmo aparelhos eletrônicos de valor. Eu pessoalmente já encontrei uma máquina fotográfica, um aspirador de póe, romances, guias turísticos e até mesmo uma pistola cromada para tiro-ao-alvo. Conheço pessoas que montaram quase um apartamento com coisas que encontraram nas ruas.

Também é possível colocar móveis nas ruas, mas eles devem sempre estar com a indicação que são oferecidos gratuitamente. Se ninguém os retirar depois de alguns dias, o proprietário deve buscar os objetos e levá-los à lixeira municipal. Jogar lixo nas ruas de forma inapropriada pode ser punido com pesadas multasLink externo.

Outra forma de doar objetos privados são portais especializados na internet. Neles, os suíços podem oferecer todo tipo de objetos gratuitos, sejam livros, barcos ou carros. Os anúncios também não custam nada. A vantagem para o doador é que ele não terá trabalho de levá-los à lixeira municipal ou organizar sua venda. Exemplos: AnibisLink externo, TuttiLink externo, GratisinseratLink externo, PinwandLink externo e Flohmarkt24Link externo

3 - Moradia gratuita ou muito barata

Viver na Suíça é caro. Ninguém tem dúvidas. Um aluguel médio de um apartamento de três quartos em Zurique não sai por menos de 2.600 francos, mas pode chegar a custar mais. E detalhe: a demanda é muito grande e praticamente não há apartamentos vagos nas grandes metrópoles. Como fazer então para viver de graça ou pagando pouco?

Para os mais alternativos, existem casas ou prédios ocupados onde as pessoas vivem sem pagar nada. Porém a propriedade privada é protegida pelas leis do país. Muitas dessas casas são desocupadas pelas autoridades após uma longa batalha judicial. Todavia os grupos de autônomos sempre procuram alternativas de moradia. O ponto de encontro deles é nos diversos centros culturais autogeridos espalhados pela Suíça como o Il MolinoLink externo (Lugano), Espace NoirLink externo (Saint-Imier), La CoupoleLink externo (Bienne), L'UsineLink externo (Genebra), ReithalleLink externo (Berna), KuzebLink externo (Bremgarten).

Trocar moradia por trabalho: diversos suíços oferecem hospedagem e até comida em troca de trabalho. No site helpx.netLink externo 83 pessoas se inscreveram, dentre eles pastores de ovelhas, escultores ou simples proprietários de casas. Todos necessitam de pequenas ajudas no dia-a-dia. Em troca, oferecem habitação gratuita.

Para estudantes ainda existe a possibilidade de aluguel gratuito de quartos em troca de trabalhos caseiros, geralmente em casas com pessoas idosas. A oferta é organizada por grupos de interesse como o Pro SenectuteLink externo ou até mesmo algumas municipalidades. A cidade de Berna coopera com a Universidade de Berna na intermediação de moradia gratuitaLink externo em casas de idosos através do projeto"Habitação em troca de ajuda" (Wohnen für Hilfe).

4 - Turismo gratuito ou muito barato

A Suíça é o país dos hotéis de luxo. Um dos pioneiros nessa área foi um suíço: César RitzLink externo (1850-1918), fundador do hotel com o mesmo nome e criador de um padrão de qualidade elevado na hotelaria, seguido hoje no mundo inteiro.

Porém nem todos podem gastar tanto dinheiro nas férias. Para quem quer economizar, organizações como a Suíça Turismo criaram um site com as ofertas mais econômicas intitulado "A Suíça à preços baixosLink externo".

Dentre as ofertas, algumas curiosas: "Passear a pé no túnel mais longo do mundoLink externo", o túnel do Gotardo; teleféricos gratuitosLink externo na região de Disentis e Oberalp, no cantão dos Grisões. O siteLink externo também oferece informações sobre hotéis baratos ou formas econômicas.

Alguns hotéis mais simples lançaram até um site especial "Swiss Budget HotelLink externo", no qual oferecem quartos simples por 80 francos a diária. Mas existem alternativas ainda mais baratas:

- Camping: a Suíça dispõe de uma ampla rede de campingsLink externo e também do próprio Touring Clube da SuíçaLink externo Eles não são necessariamente baratos, pois alguns têm até cinco estrelas, o que significa padrão de luxo. Porém é possível também acampar de graça no campo. Trata-se do chamado "Allemansrecht" ou "Jedermannsrecht", que traduzido significa "direito por tradição". Nesse caso, os turistas só precisam evitar montar a barraca em locais proibidos (fazendo atenção às placas) ou  em reservas naturais. E, se possível, pedir autorização ao agricultor.

- Dormir em uma fazenda ou na palha: uma interessante ofertaLink externo é pernoitar em uma típica fazenda suíça. Ela é mais barata do que um hotel e ainda permite conhecer a vida no campo. Para os mais nostálgicos, existe também a possibilidade de dormir em um paiol coberto de palha, como os viajantes do passado. O agro turismo oferece um portal próprioLink externo com endereços das fazendas, onde as camas de palhas estão disponíveis para grupos ou turistas individuais. 

- Casa dos amigos da natureza. Quem ama a natureza e não se preocupa com o luxo, pode procurar as casasLink externo desse conhecido movimento europeu. Elas são simples e estão em locais mais isolados, porém bonitos. Por vezes na montanha, em uma estação de esqui ou ao lado de um lago. E são baratas: o pernoite custa entre 10 e 30 francos por pessoa.

- Cabanas nas montanhas: o Clube Alpino Suíço dispõe de 152 cabanasLink externo localizadas nas diversas montanhas e picos do país. Elas são muito simples, mas protegem os turistas do frio. Os hóspedes dormem geralmente em beliches e se cobrem com cobertores do Exército suíço. Os organizadores cobram um preço por pernoite que vai de 20 a 40 francos por pessoa.

- Albergues da juventude. Também outra forma barata de pernoitar na Suíça. São pouco mais de 50 espalhados por todo o paísLink externo. Um pernoite em um deles custa aproximadamente 40 francos por pessoa. Muitos oferecem ofertas especiais como bilhetes gratuitos para teleféricos, piscinas, museus e transportes públicos.

5 - Comida

Comida não é barata na Suíça. Porém existem estratégias para economizar. Uma delas é ir aos grandes supermercados no final do dia ou no sábado, pouco antes de fecharem as portas. Tanto na rede Coop como Migros uma grande quantidade produtos têm os preços reduzidos em até 50% (indicados por uma etiqueta especial). Alguns disponibilizam também cestos com alimentos quase gratuitos, sejam frutas, legumes ou produtos empacotados. Razão: data de validade próxima ao vencimento.

Em algumas cidades (Berna, Zurique, Winterthur, St. Gallen ou Basileia) existem lojas da rede "ÄssbarLink externo", especializadas em vender pão (e confeitos) de ontem à preços extremamente reduzidos. O objetivo é combater o desperdício de alimentos. Nesse sentido, algumas lojas de alimentos disponibilizam uma geladeira na parte externa, onde colocam os alimentos com datas vencidas, mas que ainda podem ser consumidos. Detalhes: eles são gratuitos. Um supermercado de produtos orgânicosLink externo em Berna é um deles.

Alguns restaurantes foram criados no passado para alimentar os pobres. Um dos exemplos mais interessantes na Suíça é o SpysiLink externo, aberto em 1877 no centro antigo de Berna. Hoje não existem mais pobres, mas os pratos continuam muito baratos: uma sopa custa 4 francos e um prato com carne, não chega a 10 francos.

6 - Cultura

Pouco dinheiro no bolso não significa baixo acesso à cultura. Centenas de museus, instituições e eventos culturais abrem gratuitamente as suas portas em dias específicos ou durante o ano inteiro. A revista Migros Magazine, a de maior tiragem do país, publicou uma ampla listaLink externo com todas as ofertas, em todo o país.

Um terço dos museus suíçosLink externo podem visitados gratuitamente. Alguns deles são bastante conhecidos como:

- As instalaçõesLink externo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), citadas no livro "Anjos e Demônios", do escritor americano Dan Brown, próximas à Genebra.

- O Museu das PalafitasLink externo em Lüscherz mostra a vida das populações na região dos lagos de Bienne entre 4.000 e 800 antes de Cristo.

- Os arquivosLink externo do escritor alemão Thomas Mann, administrados pela Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH).

O famoso Museu de Arte de Zurique (KunsthausLink externo) pode ser visitado de graça nas quartas-feiras.

Interessado na democracia direta ou na política suíça? Visitas guiadasLink externo gratuitas são oferecidas no Parlamento federal em Berna.

Cidades como Zurique oferecem um programa completo de passeios gratuitoLink externos, nos quais incluem o Jardim Botânico ou o Parque Natural de Zurich Langenberg, com linces e outros animais selvagens.

Bicicletas gratuitas para passear na Suíça: diversas cidades lançaram há anos uma campanha de transportes ecológicos. Qualquer pessoa, turista ou não, pode alugar sem burocracia uma bicileta para passear em Genebra, Berna ou Zurique durante um dia. O usuário só precisa deixar uma caução de aproximadamente 20 francos. Algumas cidades cobram pelo serviço, mas a preços módicos. O site SchweizrolltLink externo dá mais informações:

7 - E para os pobres?

E para os pobres da Suíça existem alternativas também.

As leis suíças preveem que qualquer pessoa em dificuldades financeiras tem direito à ajuda social, mas sob condiçõesLink externo. Atualmente mais de 235 mil habitantes necessitam dessa ajuda. Ela cobre as necessidades básicas como habitação, alimentação, saúde ou lazer. Porém essa ajuda financeira é dada como um empréstimo na maioria dos cantões e, só após uma rígida análise do caso. O beneficiário tem de provar a situação de penúria que não poupará esforços para recuperar-se, seja procurando trabalho ou outra forma de integração na sociedade.

Cidades como Berna oferecem aos grupos mais carentes moradia à baixo custoLink externo. São mais de dois mil imóveis, mas que não suprem toda a demanda da cidade. O mesmo vale para outras metrópoles do país.

Pobres também têm direito às férias. Organizações como a Reka.ch oferecem uma semana de férias Link externonas montanhas, com bilhetes de trem para o local e também entradas para o teleférico, por apenas 100 francos. Beneficiários são grupos de baixa renda, especialmente mães solteiras.

Organizações como a "Schweizer TafelLink externo" recebem alimentos de supermercados e redistribui à centros de asilados políticos, de recuperação de drogados ou de apoio à família. Também a Caritas, organização da Igreja, tem uma rede de supermercadosLink externo espalhados por toda a Suíça, onde produtos são oferecidos com descontos de até 70% em relação ao preço de mercado ou até gratuitamente. Ela disponibiliza o cartão KulturlegiLink externo, que oferece grandes descontos para ofertas culturais, sociais e esportivas e, ao mesmo tempo, identifica a pessoa como vivendo em situação de penúria. Todas essas ofertas são voltadas exclusivamente para pessoas que necessitam realmente de ajuda.

Na internet grupos se organizam também para discutir formas baratas de viver na Suíça. Um dos grupos é chamado Dr. BudgetLink externo. Seus usuários informam sobre mercados de roupas gratuitas, bazares de bebês, encontros de trocas de roupas, caixas com alimentos gratuitos e até doações.

Você tem dicas para viver mais barato na Suíça? Envie-nos uma mensagemLink externo para compartilharmos com os leitores.

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