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Como a alma dos Estados Unidos molda a economia e o futebol

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O pior momento das relações entre Suíça e Estados Unidos? Keystone/Swissinfo

Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, analisamos como a imprensa suíça tem noticiado e reagido a três notícias importantes nos EUA.

À medida que os Estados Unidos completam 250 anos, a mídia suíça debate o que o país representa e como devemos interpretar seu poder global.

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O que é o Sonho Americano?
O que é o Sonho Americano? Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved.

Jornalistas suíços refletiram sobre a essência do “sonho americano” enquanto os Estados Unidos comemoravam seu 250º aniversário em 4 de julho.

Em artigo publicado no Tages Anzeiger, a cientista política Claudia Franziska Brühwiler argumenta que buscar a felicidade no cassino não era a intenção dos Pais Fundadores.

“Quando o sonho material se torna inatingível, quando a existência se transforma em angústia existencial, um retorno aos valores fundamentais é indispensável. É precisamente essa visão que falta aos americanos neste momento”, escreve ela.

“Poucos consideram a felicidade encontrada na comunidade ou no serviço a ela. O que falta é a valorização de todos esses pequenos e grandes atos de serviço como parte do próprio aperfeiçoamento pessoal, da busca pela felicidade”.

O jornalista do Le Temps, Boris Busslinger, também considera que os EUA se afastaram de seu propósito original ao comemorarem “um quarto de milênio sob o governo de um presidente com pouca consideração pela história ou pelas instituições de seu país”.

Os EUA são uma terra de contradições que “trabalhou pelo bem comum tanto quanto provocou hostilidade e devastação”, acrescentou ele. “Capaz tanto do melhor quanto do pior, esta grande nação de imigrantes pode ser uma formidável máquina de sonhos, bem como uma terrível calamidade”.

A influência de Trump tem limites, já que “a população não tem intenção de abrir mão de seus direitos, para grande desgosto do presidente”.

Sam Altman tem uma proposta para Trump
Sam Altman tem uma proposta para Trump. Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved.

Os EUA sempre se orgulharam de ter uma economia aberta, relativamente livre de interferências diretas do governo. Mas o surgimento das empresas de inteligência artificial (IA) parece ter forçado uma revisão dessa visão.

A IA é, por vezes, vista como uma ameaça aos empregos, à sociedade e à segurança nacional. O governo Trump está levando essa ameaça a sério e restringiu o acesso estrangeiro aos modelos de IA mais poderosos.

Em uma aparente tentativa de ganhar a simpatia da Casa Branca, o CEO da OpenAI, Sam Altman, teria oferecido ao governo dos EUA uma participação de 5% na empresa. Isso canalizaria lucros futuros para os cofres do Estado.

A ideia alarmou o Neue Zürcher Zeitung, que considera a participação estatal parcial em empresas líderes de tecnologia uma medida autoritária e de mau gosto.

“Quando o Estado detém participação em empresas, há sempre o risco de que ele favoreça ‘suas’ empresas”, afirmou o jornal. “Ele não é mais um árbitro, mas um jogador. Esse duplo papel de proprietário e regulador é prejudicial à concorrência”.

O governo deveria, em vez disso, concentrar-se em regulamentações claras para controlar o impacto da IA na sociedade, permitir que as empresas mais fortes prosperem em um ambiente competitivo e arrecadar as receitas resultantes do imposto sobre as pessoas jurídicas, argumenta o NZZ.

“O governo dos EUA deveria resistir à oferta de Altman. Até agora, os EUA têm se saído muito bem sem o capitalismo de Estado”, afirmou o jornal.

O NZZ se posiciona contra o controle direto do Estado sobre as empresas de tecnologiaLink externo – (alemão)

Suspeita de crime em torno de Folarin Balogun
Suspeita de crime em torno de Folarin Balogun. Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved.

Quem precisa da tecnologia do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) no futebol quando se tem um telefone? Uma ligação entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente suíço da FIFA, Gianni Infantino, aparentemente anulou a decisão de impedir o atacante americano Folarin Balogun, que havia recebido um cartão vermelho, de disputar uma partida decisiva da Copa do Mundo contra a Bélgica.

A reviravolta disciplinar gerou condenação mundial. “O esporte se sustenta na ilusão de que as decisões sobre faltas e impedimentos são tomadas nos estádios. Ou pelos árbitros assistentes de vídeo. Mas certamente não na Casa Branca”, comentou o jornalista Sebastian Bräuer, do Neue Zürcher Zeitung.

O repórter do Le Matin, Robin Carrel, afirma que a polêmica destruiu a ilusão de que o futebol une as nações. “A FIFA apareceu e reinventou a roda mais uma vez, desta vez para destruir tudo de forma grosseira e grotesca”.

Bräuer percebe hipocrisia, apontando que a FIFA suspendeu recentemente as federações de futebol do Nepal e do Congo-Brazzaville por interferência política nos assuntos do futebol.

O repórter do Tages Anzeiger, Thomas Schifferle, vê a intervenção de Trump e Infantino como um péssimo exemplo das relações entre os EUA e a Suíça.

“Acima de tudo, esse caso demonstra o que já está claro há muito tempo: Infantino é insustentável como presidente da [FIFA] e deveria, na verdade, ser destituído do cargo”, escreveu.

A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada em 16 de julho de 2026. Até lá!

Comentário ou críticas? Nos envie um e-mail para o endereço: english@swissinfo.ch

Adaptação: Fernando Hirschy

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