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(Junho) Egípcios comemoram a vitória de Al-Sissi na Praça Tahrir, Cairo

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Um tribunal egípcio condenou nesta quarta-feira sete homens à prisão perpétua por agressões sexuais na Praça Tahrir do Cairo, em ataques ocorridos, inclusive, durante as manifestações para celebrar a eleição presidencial de Abdel Fatah al-Sissi no mês passado.

Desde os distúrbios que causaram a queda de Hosni Mubarak em 2011, os episódios de assédio sexual têm aumentado no Egito. Dezenas de mulheres, egípcias e estrangeiras, foram atacadas durante manifestações na Praça Tahrir, epicentro de protestos e celebrações.

Além das condenações à prisão perpétua - que corresponde no Egito a uma pena máxima de 25 anos -, o tribunal sentenciou outros dois acusados a 20 anos de detenção.

Esses nove homens foram julgados por sequestro, estupro, agressão sexual, tentativa de assassinato e tortura de várias mulheres entre 3 e 8 de junho, durante manifestações na Tahrir celebrando a eleição de Abdel Fattah al-Sissi, e em 25 de janeiro de 2013, em ocasião do 2º aniversário da revolução de 2011.

Os condenados serão colocados sob vigilância da polícia por um período de cinco anos após o cumprimento da pena.

De acordo com o Ministério Público, em 3 de junho, "dois grupos de criminosos entraram na praça (Tahrir) e pegaram uma mulher e sua filha. Eles levaram a mulher a uma mesquita não muito distante, onde ela foi atacada e despida. Ao tentar escapar, jogaram água fervente sobre a vítima, deixando-a gravemente ferida. Os agressores a cercaram e a atacaram sexualmente até a chegada da polícia".

Cinco dias depois, várias mulheres com idades entre 17 e 42 anos foram atacadas pelo mesmo grupo de homens. "Eles separaram as mulheres que foram atacadas e espancadas. Uma delas chegou a ser ameaçada de ter um de seus filhos roubados", disse a promotoria.

99% das mulheres agredidas

Ativistas denunciaram em inúmeras ocasiões as medidas insuficientes adotadas pelas autoridades contra a violência endêmica que 99% das mulheres afirmam ter sido vítimas, de acordo com um estudo das Nações Unidas publicado em 2013.

De acordo com ativistas, cerca de 250 casos de assédio, agressão sexual ou estupro sob a ameaça de armas ocorreram durante os protestos no Cairo, entre novembro de 2012 e junho de 2013.

Esta situação dramática, quase nunca punida, ganhou as páginas dos jornais depois de vários casos de jornalistas, inclusive estrangeiras, vítimas de ataques e, por vezes, estupro.

As denúncias aumentaram com a divulgação em junho de um vídeo na internet mostrando uma estudante sendo agredida na Praça Tahrir durante as celebrações da posse do presidente Sissi.

As imagens, que parecem ter sido filmadas com um telefone celular, mostram uma jovem mulher nua ensanguentada e com hematomas, sendo escoltada pela polícia, enquanto dezenas de homens continuam ao seu redor.

Diante deste escândalo, as autoridades estão empenhadas em cumprir com firmeza a lei. O país acaba de aprovar a sua primeira lei que pune o assédio sexual com uma série de sanções que variam de multas à prisão.

Fathi Farid, o grupo "I saw Harassment", ressaltou que o veredito do tribunal foi "político, já que o Estado quer mostrar que está ativo na luta contra o violência sexual".

"As mulheres egípcias e o mundo inteiro querem saber o que o presidente Sissi vai fazer para acabar com a violência e o assédio sexual", destacou a ONG Human Rights Watch (HRW) no mês passado.

AFP