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Bachelet visita uma Venezuela devastada pela crise

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, permanecerá na Venezuela até a sexta-feira, quando fará uma declaração final afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 20. junho 2019 - 01:33
(AFP)

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, se reuniu nesta quarta-feira com chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, no início de uma visita a este país devastado pela crise política e econômica.

Bachelet foi recebida por Arreaza na Casa Amarela, sede do ministério das Relações Exteriores em Caracas, e ao final da reunião o chanceler declarou que o governo venezuelano está disposto a "corrigir" os rumos e a andar de "mãos dadas" com a ONU.

"Queremos que o gabinete da alta comissária, de maneira construtiva, nos recomende, faça sugestões, nos oriente para que andemos de mãos dadas com eles (...) corrigindo o que é preciso corrigir, retificando o que é para retificar para poder preservar os direitos humanos dos venezuelanos", declarou Arreaza.

Mais cedo, o presidente Nicolás Maduro disse em mensagem na TV esperar que a visita "seja para ajudar, ouvir recomendações, propostas de alto nível profissional (...), para que Venezuela melhore".

Durante sua estadia, a alta comissária se reunirá com o presidente Nicolás Maduro e com o opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino reconhecido no cargo por meia centena de países. A agenda completa de Bachelet no país ainda não foi divulgada.

A diplomata chegou à Venezuela a convite de Maduro, sob cujo governo - iniciado em 2013 - a ex-potência petroleira mergulhou na pior recessão de sua história moderna.

Segundo a ONU, desde 2015 quatro milhões de venezuelanos deixaram o país por causa da crise, marcada pela escassez de itens de primeira necessidade, uma hiperinflação que o FMI projeta em 10.000.000% para 2019, o colapso do sistema de saúde e falhas nos serviços públicos.

A visitante não fugirá da queda de braço entre Maduro e Guaidó, líder do Parlamento, que se autoproclamou presidente interino há cinco meses.

Maduro reivindica que Bachelet se aproxime dele, enquanto Guaidó, que disse que se reunirá com a comissária na sexta-feira, afirma que sua presença é um "reconhecimento da catástrofe" que vive o país com as maiores reservas petroleiras do mundo.

Bachelet também tem previsto se encontrar com "vítimas de abusos e violações dos direitos humanos".

Por ocasião de sua visita, ONGs convocaram mobilizações para a sexta-feira para denunciar a situação. "Vamos às ruas na sexta-feira", disse Guaidó nesta quarta.

A visita poderia "dar mais visibilidade à crise" e motivar a União Europeia a "aumentar a pressão" contra Maduro, disse à AFP o internacionalista Mariano de Alba.

- País em estado crítico -

A ex-presidente chilena chega a um país cuja economia encolheu à metade entre 2013 e 2018, e onde a produção de petróleo perdeu dois milhões de barris diários na última década, segundo cifras oficiais.

Uma situação que levou um quarto da população, o equivalente a sete milhões de pessoas, a precisar de ajuda urgente, segundo um relatório da ONU.

Estima-se que 22% dos menores de cinco anos sofram desnutrição crônica e 300.000 pacientes estejam em risco por falta de tratamentos e medicamentos, acrescenta este estudo.

"Estamos pedindo a Michelle Bachelet que veja o que está acontecendo no nosso país. (...) Não é uma mentira", disse Pedro Amado, porta-voz de um grupo de ex-petroleiros em greve há três semanas para reivindicar o recebimento de seu pagamento.

Bachelet, que prepara um relatório sobre a Venezuela, denunciou a "criminalização do protesto".

No começo deste ano, por ocasião de manifestações, ela fez denúncias sobre "o uso excessivo da força, os assassinatos, as prisões arbitrárias e torturas" por parte de organismos de segurança.

Parentes de presos políticos (693, segundo a ONG Fórum Penal) pedem que ela interceda por sua liberdade. Maduro nega a existência de "presos políticos".

Na segunda-feira, o deputado opositor Gilber Caro foi libertado após cerca de dois meses de prisão, mas outro colega está preso e 14 refugiados em embaixadas ou na clandestinidade por apoiar uma fracassada tentativa de golpe militar contra Maduro, liderado por Guaidó, em 30 de abril.

- Medo de sanções -

A Alta Comissária é crítica às sanções de Donald Trump para asfixiar Maduro, apoiado pelos militares, Rússia e China.

Teme que a proibição de comercializar petróleo venezuelano nos Estados Unidos repercuta nos "direitos básicos e no bem-estar da população" em um país onde o petróleo financia 96% do orçamento.

Maduro afirma que o bloqueio dificulta a importação de alimentos, remédios e insumos hospitalares, e em abril autorizou a entrada de ajuda da Cruz Vermelha.

Bachelet "ratificará seu ceticismo ante as sanções, mas também refletirá situações que vão deixar Maduro em uma posição pior", estima De Alba.

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