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1.000 mulheres para o prêmio Nobel da paz

As cinco suíças da lista: E. Neuenschwander, I. Rodriguez, A. Lanz, M. Spiller Hadorn e E. Reusse-Decrey Keystone

Uma fundação suíça acaba de publicar os nomes de 1.000 mulheres suscetíveis de receber - em comum - o prêmio Nobel da Paz 2005.

O projeto visa despertar as consciências sobre o trabalho das mulheres em todo o mundo pela paz e os direitos humanos.

As 1.000 mulheres indicadas para esse prestigioso prêmio são originárias de mais de 150 países. No início, mais de 2 mil candidatas estavam selecionadas mas os responsáveis do projeto trabalharam meses para chegar ao número simbólico de 1.000.

Essas representam as incontáveis mulheres que agem no mundo inteiro para promover a paz e a dignidade humana.

“Todas as mulheres cujos nomes foram mantidos na lista travam uma luta cotidiana pela paz e pela justiça, freqüentemente em condições difíceis”, explicam os organizadores em comunicado divulgado quarta-feira, 29.

A lista contém mulheres de todos os continentes, entre elas 52 brasileiras, 2 moçambicanas, 2 angolanas, 2 portuguesas, 3 timorenses, 81 chinesas e 91 indianas (país mais representado).

Cinco suíças na lista

“Todas essas mulheres tem alguma coisa em comum”, explicou a swissinfo Maren Haartje, uma das responsáveis do projeto.

“Elas estão todas envolvidas com a segurança humana, um conceito muito mais abrangente do que a palavra “paz”. Ele integra, por exemplo, o acesso das pessoas aos recursos naturais, à água potável, à assistência médica e, claro, a prevenção da violência.

Cinco suíças – ativas no setor da segurança humana e à paz – estão na lista. Entre elas, Anni Lanz, que milita há mais de 20 anos pelos direitos dos refugiados, e Elisabeth Reusse-Ducrey, fundadora de uma ong envolvida na questão das minas antipessoais.

As outras três são Elisabeth Neuenschwander (atuante em projetos nos países em desenvolvimento desde 1950); Irene Rodriguez (luta contra o tráfico e prostituição de mulheres) e Marianne Spiller Hadorn (por seu trabalho incessante junto às crianças de Mandirituba, no Brasil).

Contagem regressiva começou

Os organizadores do projeto não receberam qualquer sinal do Comitê do prêmio Novel, em Oslo, que será atribuído dia 14 de outubro próximo.

“Tudo o que sabemos, afirma Maren Haartje, é que estamos entre as 198 candidaturas 2005. Tem dias que penso que temos bastante chance de receber o prêmio. Em outros, tenho sérias dúvidas.”

Ela diz ainda que espera pelo prêmio mas que não ficará de maneira alguma decepcionada se o prêmio não for atribuído às 1.000 mulheres da lista.

“Publicando esses nomes, as mulheres do mundo inteiro são reconhecidas pelo seu trabalho e isso incitará outras a se engajarem”.

Para permitir que público tenha acesso às biografias dessas mil mulheres, será publicado no final do ano um livro intitulado “As 1.000 mulheres pela paz”. Ele apresentará o trabalho de cada uma, suas histórias e visões do mundo. As biografias foram escritas por jornalistas do mundo inteiro.

Além de uma leitura apaixonante, o livro será um instrumento de trabalho para as organizações não governamentais, as entidades caritativas, os promotores da paz e para as mulheres, além de instituições oficiais.

Está planejada ainda uma exposição de textos e fotos dessas 1.000 mulheres, no mundo inteiro. Um site interativo na internet deverá reforçar as redes de mulheres e divulgar as biografias.

Além disso, mulheres pesquisadoras vão analisar o trabalho dessas mulheres. Os resultados serão divulgados para as sociedades civis, as organizações internacionais e nos meios científicos e políticos. Todos devem beneficiar-se dos conhecimentos dessas mulheres da paz.

swissinfo, Ramsey Zarifeh
Tradução e adaptação: Claudinê Gonçalves

1.000 mulheres de 153 países são indicadas para o prêmio Nobel da paz 2005
Entre elas estão cinco suíças
A Índia é o país mais representado, com 91 mulheres.

– A iniciativa é financiada em parte pelo Ministério suíço das Relações Exteriores, com apoio da Fundação Suíça pela Paz e do Fundo das Nações Unidas pelo Desenvolvimento das Mulheres.

– O Comitê do prêmio Nobel da paz anunciará o vencedor 2005 dia 14 de outubro próximo, em Oslo, Noroega.

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