Artista suíça mostra em Paris o lado gentil do Brasil
Ela não pára quieta. No espaço Commines, no charmoso bairro do Marais, no centro de Paris, onde participa de uma exposição coletiva, a artista plástica Magy Imoberdorf sobe escadas, atende o celular, recebe os visitantes e negocia seus quadros.
Atenciosa com todos, entre um sorriso e outro, ela falou com exclusividade a swissinfo.
Algumas esculturas de Magy ocupam a área central da grande sala de exposição. São grandes recortes humanos, figuras sentadas, calmas, numa pracinha, esperando a vida passar.
Ela explica que os brasileiros são uma grande fonte de inspiração, o melhor que o país tem a oferecer, aliás. Ao invés da imagem de violência tão explorada no exterior, ela prefere trabalhar o lado ‘gentil’ do Brasil.
Seu trabalho nasce do cotidiano, de observações e achados. “Eu pego uma coisa que me inspira na rua, uma roda, uma roldana, caixas, e trabalho o objeto”, conta Magy. “Gosto de ver o potencial de algo que ninguém ainda percebeu, de reciclar um objeto e dar-lhe valor; não apenas usá-lo”.
Trajetória
Magy Imoberdorf nasceu em Zurique e estudou design gráfico na Escola de Belas Artes, em Lausanne. Mas sua vida profissional começa mesmo é no Brasil, em 1969, aos 23 anos, na publicidade.
Ela foi diretora de arte das principais agências do país, e em 1987 fundou sua própria empresa, a Lage Magy. Paralelamente, Magy nunca deixou de lado sua carreira de artista plástica – a primeira exposição individual foi em 1984, na Galeria São Paulo, na capital paulista.
O Brasil foi um fascínio imediato, uma paixão à primeira vista. O clima foi um dos principais fatores de encanto, mas o que mais a cativou foram os próprios brasileiros, “menos caretas” que os suíços.
Ela diz que seus conterrâneos melhoraram muito nos últimos tempos, “mas não chegam aos pés dos brasileiros”. Magy confessa que renegou seu país durante muitos anos, mas diz que hoje sabe apreciar o que a Suíça oferece de bom, como qualidade, segurança e um outro tipo de natureza.
Várias boas idéias
Magy foi uma das locomotivas da época de ouro da propaganda brasileira. Ela é responsável por algumas campanhas clássicas, como a da “Caninha 51, uma boa idéia”. Outro slogan memorável de Magy foi para o absorvente interno Tampax: “incomodada ficava a sua avó”.
Há dois anos, Magy se dedica quase que exclusivamente às artes plásticas. Depois de alguns anos de crise, ela fechou as portas da Lage Magy (que fazia parte do grupo Talent desde 2000), em 2005.
Desde então, Magy passou a cuidar pessoalmente de algumas poucas contas, e hoje é consultora para a Bosch, em parceria com a agência Taterka.
Para Magy, a propaganda é uma profissão de jovens e para ela basta, após mais de 30 anos de estrada. Ela acha fundamental ter uma outra profissão nessa altura da vida (58 anos), “uma folha em branco onde você decide o que vai colocar”.
swissinfo, Patricia Moribe, Paris
A mostra é uma iniciativa da Associação Florence, da França, que promove a criação e difusão da arte contemporânea.
Dez artistas internacionais foram convidados para expor, entre eles Magy Imoberdorf e os brasileiros Marcos Pereira de Almeida e Catherine Ferraz.
O evento aconteceu no Espace Commines, em Paris, de 15 a 25 de novembro de 2007.
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