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Mummenschanz comemora 40 anos de carreira no Brasil

O Mummenschanz em Zurique, em fevereiro de 2008. Keystone

Serão onze apresentações em seis grandes cidades brasileiras. O consagrado grupo teatral suíço Mummenschanz volta ao Brasil para um espetáculo que reúne alguns dos principais momentos da carreira que teve início há quatro décadas.

Este conteúdo foi publicado em 22. novembro 2009 - 10:51

Após as turnês de 2004 e 2006, o público brasileiro poderá assistir pela terceira vez a mistura de circo, teatro de máscaras, pantomima, acrobacia e fantoches costurados com muita criatividade pelo grupo.

O Mummenschanz foi fundado em 1969 pelos estudantes suíços Bernie Schürch e Andres Bossard e pela italiana Floriana Frassetto. O estilo original criado pelo trio obteve reconhecimento imediato do público e da crítica na Suíça e na França. Já no ano seguinte, o Mummenschanz partiu para sua primeira turnê por Estados Unidos e Canadá.

"Nosso primeiro grande sucesso aconteceu no festival de teatro de Avignon. Atuamos em uma sala de aula, onde juntamos mesas e cortinas dadas por minha avó, e assim começamos a criar esse espetáculo. No início, eu ficava do lado de fora vendendo ingressos e tinha que correr para trás do palco e começar o espetáculo. No terceiro dia, já tinha tanta gente querendo ver o espetáculo que não havia mais espaço", conta Floriana.

Desde então, o sucesso do Mummenschanz só fez crescer em todo o mundo. Somente na Broadway, o grupo suíço permaneceu por três anos seguidos em cartaz, entre 1974 e 1976: "Era o início dos anos 70, e nosso espetáculo visual, poético e sem palavras causou um grande impacto no cenário tradicional da época. Nós havíamos atravessado algumas fronteiras", avalia Floriana.

Nos anos 80 e 90, o trio viveu o auge do sucesso, com apresentações em grandes eventos e participação em filmes de cinema e videoclipes, além de se tornarem garotos-propaganda da AT&T. A procura pelo Mummenschanz era tanta, conta Floriana, que surgiu a necessidade de criar novas trupes: "Tínhamos compromissos na Europa e nos EUA, por isso foi preciso ensinar nosso trabalho a outros para que pudéssemos continuar e cumprir compromissos simultâneos. Mas, sempre que podemos, preferimos estar nós mesmos no palco".

Luto e recomeço


Em 1992, a morte de Andres Bossard quase pôs um ponto final na carreira do Mummenschanz, como revela outro membro fundador do grupo, Bernie Schürch: "Foi muito difícil. Nós passamos vinte anos realizando um trabalho de trio, tendo uma vida comum a três. A relação entre nós era muito intensa, e quando Andres faleceu deixou uma enorme lacuna, inclusive do ponto de vista artístico, pois atuar em duo é muito menos dinâmico e mais difícil".

O grupo só voltou a se apresentar no ano seguinte, na cidade suíça de Saint-Gallen: "Após um ano de luto e de reflexão sobre o que fazer, eu e Floriana decidimos retomar o Mummenschanz e continuar o caminho que havíamos começado. Então, nós dois fizemos um novo programa, com a ajuda de colegas que haviam trabalhado conosco nos EUA e outros. Conseguimos criar um espetáculo muito forte, e pudemos reencontrar a intensidade que o Mummenschanz tinha antes".

Desde a morte de Bossard, o Mummenschanz passou por algumas modificações em sua formação original. Atualmente, o grupo é um quarteto que, além de Bernie Schürch e Floriana Frassetto, conta com os italianos Raffaella Mattioli e Pietro Montandon. Fora do palco, completa o elenco de peças fundamentais do Mummenschanz o iluminador Jan Maria Lukas.

Integrante do Mummenschanz há dois anos, Montandon vai se apresentar pela primeira vez no Brasil, e não esconde suas expectativas: "Estou encantado e muito emocionado, pois me apresentar no Brasil sempre foi um sonho para mim. Espero um público muito quente e também muito preparado, pois está acostumado a assistir espetáculos do mundo todo". Há dez anos no grupo, Raffaella tem boas lembranças da última turnê: "Foi bom, foi fantástico. O público brasileiro é incrível".

Melhores momentos


Bernie Schürch garante que os brasileiros terão a oportunidade de assistir a performances inesquecíveis: "É um espetáculo de jubileu, vamos comemorar os 40 anos do Mummenschanz. Em 1969, eu, Andres e Floriana acabávamos de sair da escola e, quando nos encontramos, tivemos esse desejo de propor um estilo de teatro que não necessita da palavra e que não se serve de tudo o que é decorativo, mas que entra no centro da emoção das pessoas".

O espetáculo do Mummenschanz, segundo Schürch, é para toda a família: "Nós temos apelo para o público de oito a 180 anos, todos podem entrar e compreender o espetáculo. Fizemos uma retrospectiva do total de nosso repertório, que compreende um pouco mais de uma centena de números, e escolhemos aqueles de que gostamos mais. É um espetáculo feito com amor".

Floriana Frassetto resume o espírito do grupo: "O Mummenschanz é nosso mundo, é mais do que fazer um espetáculo. É nossa criação, e nós somos completamente devotados a isso. Antes do espetáculo, nós nos esvaziamos e ficamos prontos para participar com o público emocionalmente, afim de que ele possa imaginar aquilo que quer e nós possamos dar cem por cento de nós mesmos', diz. Raffaella Mattioli completa: "A interação emocional com o público é o diferencial do Mummenschanz".

Maurício Thuswohl, swissinfo.ch, Rio de Janeiro

Na estrada

A maior turnê já realizada pelo grupo suíço Mummenschanz no Brasil começa pelo Rio de Janeiro, com apresentações nos dias 17 e 18 de novembro, no Teatro João Caetano. Em seguida, o grupo se apresentará em São Paulo (21 e 22, no Teatro Bradesco), Curitiba (24, no Teatro Guaíra), Belo Horizonte (28 e 29, no Teatro das Artes), Salvador (1º de dezembro, no Teatro Castro Alves), Brasília (3 e 4, no Teatro Nacional Cláudio Santoro) e Porto Alegre (6, no Teatro Bourbon).

Fundadora do Mummenschanz ao lado de Andres Bossard e Bernie Schürch, Floriana Frassetto fala com muito carinho das duas passagens anteriores do grupo pelo Brasil, em 2004 e 2006: "O público brasileiro é uma benção, eu adoro. Na primeira vez, no Teatro Municipal do Rio, um jovem que nos esperava me disse que havia vendido seu casaco para poder assistir a nosso espetáculo. Eu imediatamente comecei a chorar", recorda.

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