The Swiss voice in the world since 1935

Noite brasileira não lotou no Montreux Jazz

Tulipa Ruiz esteve pela primeira vez em Montreux este ano. Lionel Flusin

Tulipa Ruiz, Gal Costa e Claudia Leitte fizeram o show da noite brasileira no festival de Montreux deste ano. A festa durou seis horas e foi comandada pelos diferentes estilos das cantoras: do pop de Tulipa Ruiz, passando pela serenidade de Gal Costa e pelo axé de Claudia Leitte. Contrariamente a muitas outras edições, a noite brasileira este ano não lotou.

Pela primeira vez em Montreux, Tulipa Ruiz abriu o show e só comprovou a tese de que é uma das grandes promessas da MPB dos últimos tempos. Embora a música sempre tenha feito parte de sua vida, Tulipa apresentou-se pela primeira vez num show solo em 2009. Depois disso, os ouvidos atentos da crítica, de produtores musicais e do público logo perceberam o talento.

Pop e ópera

Tulipa é carismática, simpática e dona de uma voz que vai às alturas. A composição foi perfeita para conquistar o público rapidamente, que, em grande parte, assistia a um show da cantora pela primeira vez.

Durante sua apresentação, Tulipa incluiu canções de seus dois álbuns – Efêmera e Tudo Tanto.  Abriu o show com a música “É” e durante o espetáculo mencionou a importância de estar naquele festival, especialmente quando apresentou um de seus músicos, seu pai e guitarrista Luiz Chagas. Levou o público a uma opera ao apresentar a música Víbora e mostrou os potenciais de sua voz e de sua interpretação.

Música eletrônica e bossa-nova

No espaço nobre do show, Gal Costa apresentou-se com a voz impecável de sempre. Depois de algumas músicas , Gal conversou alguns poucos minutos com o público. Agradeceu a presença de todos e o fato de estar mais uma vez em Montreux, mas rapidamente voltou ao que prefere fazer em shows: cantar.

 No repertório, que incluiu músicas de seu último álbum, “Recanto”, Gal mostrou toda sua técnica e voz em harmonia com a música eletrônica, como ao cantar, por exemplo, “Autotone Autoerótico”. Com quase 50 anos de carreira, apresenta um estilo diferente para quem está acostumado a ouvi-la interpretando as mais tradicionais músicas da bossa-nova.

Gal não deixou de brindar os saudosistas e cantou alguns de seus sucessos inesquecíveis como Folhetim, Baby e Divino Maravilhoso. Mas foi ao interpretar “Um dia de domingo” que Gal brincou com o público, imitando a voz de Tim Maia.

Desde 1978 o festival reserva um espaço para a música brasileira. Já passaram por ali os grandes talentos da música brasileira como Elis Regina, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e muitos mais.

 Este ano a noite brasileira não estava lotada e era possível encontrar ingressos no mesmo dia. Em outras edições, a noite brasileira era geralmente a primeira a ser inteiramente vendida.  

Há alguns anos, a música brasileira tinha duas noites do festival.

Este foi o primeiro ano do festival sem o seu fundador Claude Nobs, falecido em janeiro de 2013.

O show Recanto de Gal Costa foi considerado um dos melhores shows de 2012 no Brasil.

Tulipa Ruiz define seu estilo como pop-florestal – metade paulista, metade mineiro. Ela  nasceu em Santos, cresceu em Minas Gerais, em São Lourenço, e estudou comunicação em São Paulo.

Baile axé

Claudia Leitte subiu pela primeira vez no palco de Montreux por volta da meia noite. O público queria festa e a cantora baiana transformou o auditório suíço, que não estava lotado, num bar de axé da Bahia – com mãozinhas para cima e para baixo.

Com coreografias ensaiadas e acompanhada de dançarinos,  a musculosa Claudia Leitte iniciou o show com músicas de seus álbuns como “Me deixa sambar”, “Mãozinha”, “Paz, Carnaval e Futebol”. Muitas delas conhecidas do público presente.

No repertório, incluiu  sucessos do cancioneiro brasileiro e internacional. Algumas canções de Jorge Ben Jor, como Fio Maravilha e Taj Mahal, passando por Lulu Santos, com Descobridor dos sete mares.

Resolveu também cantar em inglês e apresentou, por exemplo, sua versão ousada de Satisfaction, dos Rollings Stones.

Em um dos momentos do show, Tulipa Ruiz voltou ao palco e cantou com ela “Ai que saudades d’ocê”, de Geraldo Azevedo, num dos momentos mais intimistas de seu show.

No final, apresentou uma música de seu próximo álbum e encerrou a noite brasileira com a “Dança da Manivela” – com mãozinhas para cima e a galera tirando os pés do chão.

Mais lidos

Os mais discutidos

Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR