Suíço será o novo chefe do Washington Post
A direção do Washington Post nomeou recentemente Marcus Brauchli (47 anos) como redator-chefe no lugar de Leonard Downie, que há dezessete anos dirige o prestigioso jornal americano. O suíço-americano, antigo redator-chefe do Wall Street Journal, deverá fazer a integração das redações em papel e online.
A nominação de um jornalista externo para dirigir uma das publicações mais conhecidas do mundo mostra a vontade da direção de se adaptar aos novos tempos.
Descendente da família Graham (neta da legendária Katherine Graham), proprietária do jornal, Katherine Weymouth, 42 anos, assumiu o posto há somente cinco meses.
Essa nova dupla tem vários desafios pela frente, dos quais um dos mais difíceis é a fusão das redações em papel e online.
Visitas freqüentes à Suíça
Marcus Brauchli tem a nacionalidade suíça através do pai. Apesar de ter nascido nos Estados Unidos, ele não negligencia os laços com a segunda pátria, reforçadas através das viagens freqüentes ao país dos Alpes. Ele tem ligações com a embaixada helvética em Washington ou ainda com a Câmara de Comércio e Indústria Suíça-EUA, onde há pouco tempo o jornalista deu uma palestra.
Mas a escolha de Marcus Brauchli, considerado por muitos como um “outsider”, não surpreendeu pela particularidade do seu currículo: o Washington Post tem a reputação de ter uma redação extremamente estável e que conheceu apenas dois redatores-chefe desde 1968, dois gigantes do jornalismo.
Antes de Downie, a redação era dirigida pelo carismático Ben Bradlee. Foi ele que supervisou as investigações do caso Watergate, que terminaria dando aos dois autores da reportagem, os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, o Prêmio Pulitzer, e resultado na demissão do presidente Richard Nixon.
Antes de suceder Bradlee em 1991, Downie havia sido seu braço direito por vários anos, tendo entrado no jornal em 1964. Sob a sua direção, o Washington Post ganhou 25 Pulitzer, dos quais seis no ano passado.
Boa escolha
A nominação de Brauchli foi bem acolhida tanto no interior do jornal, como fora. “O Washington Post se distancia da sua tradição de procurar as lideranças nos seus próprios quadros, mas Brauchli traz sua experiência obtida no Wall Street Journal, onde precisamente coordenou com sucesso a fusão das redações online e papel. Seus colegas têm uma opinião muito positiva sobre ele”, comenta John Morton, analista da mídia.
“Uma opinião externa será bem-vinda no jornal, pois as tensões entre as duas redações são reais”, completa o especialista. “Brauchli fará a supervisão das atividades editorais do Washington Post e do site washingtonpost.com”, detalha um comunicado oficial da publicação.
“Marcus traz para nós um tesouro de experiências, tanto como jornalista ou como editor, o que nos permitirá traçar nosso caminho no novo mundo das mídias”, comenta a diretora Katharine Weymouth.
Desafios esperados
Marcus Brauchli irá enfrentar também o desafio duplo trazido pela erosão das vendas e da baixa das receitas publicitárias. A tiragem do Washington Post caiu de 700 mil cópias diárias para 673.180, uma baixa de 7,1% nos dois últimos anos, segundo o órgão de controle de circulação (Audit Bureau of Circulations). As receitas caíram em 13% em 2007.
A redação do jornal também foi enxugada: ela passou de 900 jornalistas (2003) para 700 no último ano. Mais cortes de pessoal também não estão excluídos, sobretudo se as redações em papel e online forem fusionadas. O número de visitantes únicos do site chega a 9,4 milhões por mês.
Frente aos seus novos colegas, Marcus Brauchli reconhece a dificuldade das tarefas que assume. “Não somos definidos pela mídia, mas pelo nosso trabalho de jornalismo. Se o Washington Post, cuja marca é forte, pode atingir as pessoas que procuram um jornalismo sólido, refletido e equilibrado, eles irão nos ler em papel, na Internet, sobre o telefone portátil e encontrar todas essas qualidades”.
swissinfo, Maria Pia Mascaro
Nascido em Boulder, no Colorado, ele iniciou sua carreira de jornalista na editora financeira americana Dow Jones em 1984. Depois foi trabalhar no Wall Street Journal, onde se tornou correspondente na Escandinávia, Tóquio e Xangai.
Ao retornar para Nova Iorque em 1999, ocupou várias funções de liderança na redação do jornal que é considerado a “bíblia” dos mercados financeiros, antes de ser nomeado diretor de redação em 2007.
Ele será levado a se demitir apenas um ano depois, em abril, três meses depois da compra do jornal pelo empresário Rupert Murdoch. Vai assumir suas novas funções no Washington Post em oito de setembro.
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