Brasileira não estava grávida, diz polícia suíça
A brasileira encontrada na última segunda-feira perto de Zurique com ferimentos por corte não estava grávida, segundo informou a polícia suíça, nesta sexta-feira.
Numa coletiva à imprensa, a polícia municipal de Zurique informou também que as investigações referentes aos ferimentos ainda não foram concluídos definitivamente.
“Com base nos resultados laboratoriais e do exame ginecológico, podemos dizer que, no momento da ocorrência, não havia gravidez. Também um segundo exame confirmou esse resultado”, disse o médico legista Walter Bar, professor do Instituto de Medicina Legal da Universidade de Zurique.
Quanto aos ferimentos, o perito disse que, “do ponto de vista da medicina legal, pode-se partir do princípio de que eles podem ter sido causados por terceiros ou autoprovocados”.
Como técnico, ele explicou, no entanto, que todos os ferimentos estão ao alcance das próprias mãos da vítima é que não houve ferimento em partes especialmente sensíveis, como a região genital, os mamilos, o umbigo e os olhos.
Bär disse que médicos-legistas, criminalistas e ginecologistas estão envolvidos nos exames e que a brasileira também foi examinada por um psicólogo. O perito afirmou ainda que um dos primeiros ensinamentos da medicina forense refere-se à autoflagelação.
Quanto às câmeras de vídeo instaladas na estação ferroviária situada nas proximidades de onde teria ocorrido a agressão, Philipp Hotzenkoecherle, comandante de la Polícia de Zurique, afirmou na coletiva de sexta-feira que essas câmeras são apenas de observação e não registram imagens. Portanto, não existem imagens da ocorrência.
O comunicado da polícia
“Adendo ao comunicado à mídia de 12 de fevereiro de 2009, 14h54min – Caso não esclarecido na estação ferroviária de Stettbach – Apelo a testemunhas.
Primeiros resultados das investigações da polícia e do Instituto de Medicina Legal da Universidade de Zurique sobre o caso não esclarecido na estação ferroviária de Stettbach.
Conforme divulgado, na segunda-feira à noite, 9 de fevereiro de 2009, uma patrulha da Polícia de Zurique foi chamada à estação de trem de Stettbach, onde encontrou uma brasileira de 26 anos com ferimentos superficiais.
A mulher explicou ao policial que ela foi agredida por três homens e ferida com uma faca. Além disso, ela declarou que estava no terceiro mês de gravidez de gêmeos e que perdeu os fetos no banheiro da estação. As circunstâncias que levaram a esses ferimentos continuam não esclarecidos.
As intensas e amplas investigações da Policial Municipal e do Instituto de Medicina Legal continuam sem qualquer restrição. Entrementes há as primeiras constatações policiais e de medicina legal.
Especialistas da Polícia Municipal puderam interrogar detalhadamente a mulher atingida e outras pessoas. Por motivos de proteção de dados pessoais e por motivos relacionados à tática de investigação, não são divulgadas informações sobre os resultados desses interrogatórios.
Especialistas do serviço científico da Polícia Municipal, bem como técnicos criminalistas da Polícia Estadual de Zurique fizeram na segunda-feira à noite, 9 de fevereiro de 2009, a detecções de pistas e vestígios. As análises estão em andamento e ainda falta mais esclarecimentos criminalísticos.
As investigações legistas do Instituto de Medicina Legal e do Hospital Universitário de Zurique resultam que a mulher de 26 anos, no momento da ocorrência, não estava grávida.
No âmbito das buscas localizadas, três homens foram controlados na segunda-feira à noite pela Polícia Municipal no bairro Schwamendingen, em Zurique. Esse controle não resultou em suspeita evidente que justificasse uma prisão.
As investigações em relação aos ferimentos por corte ainda não estão concluídos definitivamente. O Instituto de Medicina Legal analisa agora, a partir dos resultados das investigações já feitas e por fazer, se, devido ao padrão de ferimento, do ponto de vista da medicina legal, se deve partir do princípio de provocação por terceiro ou autoprovocação.
Não é previsível que as trabalhosas investigações possam ser concluídas nos próximos dias. Por isso, no momento, também não são feitas mais declarações. A mulher de 26 anos encontra-se em tratamento hospitalar. Entrementes chegaram parentes do Brasil e cuidam dela. A Polícia Municipal continua procurando testemunhas.
Pessoas que na segunda-feira à noite, 9 de fevereiro de 2009, por volta das 19h30min, fizeram observações, são solicitadas a entrar em contato com a Polícia de Zurique (Tel. 0 444 117 117) ou com qualquer outro posto de serviço policial.” (Fim da nota da polícia)
swissinfo
O pai da vítima não ficou satisfeito com as informações divulgadas pela polícia.
“A polícia deve parar de desviar a atenção”. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o pai da advogada, Paulo Oliveira, disse que saber se ela estava ou não grávida na hora do ataque “não é o centro da questão”. “Queremos é que a polícia descubra quem cometeu o crime”, afirma.
“A polícia dizia no começo que minha filha teria se autoflagelado. Agora, dizem que ela não estava grávida. O que eles precisam mesmo é encontrar os culpados, não ficar desviando a atenção”, disse ele.
A comuna de Dübendorf, onde PVO tem residência, pertence hoje à região urbana de Zurique e se autodenomina “cidade”. Ela está localizada 6 km ao leste do centro de Zurique e tem uma área de 1.361 hectares.
No total, sua população é de 23.770 pessoas, das quais 25,8% são estrangeiros. Cerca de 13 mil pessoas estão empregadas nas suas indústrias, no comércio e em empresas do setor de serviços.
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