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Brasileiro do FC Lucerna pode se destacar no Campeonato Suíço

Felipe Adão no FC Lucerna EQ Images

Quando se inicia a temporada 2007/2008 do campeonato suíço de futebol, um jogador brasileiro começa a dar seus primeiros passos rumo ao reconhecimento internacional.

Aos 22 anos, o centroavante Felipe Adão foi contratado pelo FC Lucerna para ajudar a equipe suíça a conquistar o sonhado segundo título nacional de sua história.

Após fazer uma boa temporada em 2006 num dos principais times brasileiros, o Botafogo do Rio, Felipe Adão chega ao FC Lucerna com credenciais que o tornam candidato a craque do campeonato.

Pelo desempenho do atacante na pré-temporada, a torcida azul já pode comemorar: integrado à equipe há pouco mais de um mês, Felipe jogou cinco amistosos e já marcou quatro gols.

As boas atuações do brasileiro mereceram os elogios do técnico do FC Lucerna, o ex-jogador Ciriaco Sforza, que foi craque do futebol suíço nos anos noventa. Da imprensa suíça, o jogador já recebeu até o apelido de “Felipe Ronaldo”, após marcar um golaço em um amistoso.

Anbiente no FC Lucerna

Felipe não esconde a felicidade por ter sido recebido de braços abertos em Lucerna: “Estou me sentindo bem. Eu gostei muito da cidade, e parece que a cidade está gostando de mim também”, diz o jogador, a caminho de um churrasco promovido pelo clube.

O ambiente entre os colegas de time, segundo Felipe, é muito bom. Ele cita a atenção especial que está recebendo dos jogadores brasileiros que já atuavam pelo FC Lucerna, como Paquito e Makanaki.

Apesar de, em sua primeira temporada como profissional, ter atuado em diversas partidas dos campeonatos Carioca e Brasileiro de 2006 e ter marcado seis gols, Felipe não foi aproveitado pelo Botafogo este ano.

Em sua primeira experiência no exterior, ele quer fazer valer seu talento e conquistar maior reconhecimento na Europa e no Brasil.

O Campeonato Suíço é uma excelente vitrine, e um bom desempenho nos campos helvéticos pode significar a possibilidade de vôos mais altos no milionário futebol europeu.

Felipe cita dois bons exemplos: “Teve o Élber, teve o Sonny Anderson”, diz, referindo-se aos dois atacantes que foram artilheiros do campeonato nacional defendendo as cores do Grasshoppers e do FC Servette, respectivamente, e depois brilharam em equipes de ponta como o Bayern de Munique e o Barcelona.

Jogador diferenciado

O sonho com o sucesso é o mesmo de todo jogador brasileiro que chega na Europa, mas as semelhanças de Felipe Adão com a maioria de seus colegas de profissão param por aí.

Filho do ex-jogador Cláudio Adão e da produtora cinematográfica Paula Barreto, Felipe tem excelente nível cultural e foi criado com as facilidades permitidas à classe média alta carioca.

Esse desembaraço pode facilitar a vida do jogador na Europa, já que ele fala inglês e tem boas noções de francês: “Agora quero aproveitar para estudar alemão”, diz.

Do pai, por quem nutre indisfarçável orgulho, Felipe diz ter recebido alguns conselhos: “Ele me aconselhou a agir com muito profissionalismo, me esforçar nos treinos e fazer tudo direitinho, pois assim vou conquistar meu espaço na Suíça. Meu pai está sempre me dando uns toques”, diz, sem esconder o jeito de falar de jovem carioca.

Ainda sem tempo suficiente para sentir saudades muito doídas, Felipe sabe que a coisa tende a apertar depois: “Espero que meu pai e minha mãe venham passar uns tempos aqui comigo no inverno”.

Conselhos do pai craque

No Rio de Janeiro, Cláudio Adão vibra com o bom início do filho no FC Lucerna: “Torci muito para o Felipe sair do Brasil. Jogar no exterior nesse momento vai ser muito importante para o seu amadurecimento profissional”, diz o ex-jogador que, além de brilhar em grandes times brasileiros como Santos e Flamengo, entre outros, atuou na Europa pelo Benfica e pelo Áustria Viena.

Cláudio Adão acredita que Felipe pode evoluir profissionalmente também pelo fato de, na Suíça, atuar livre do estigma de ser filho de um ex-craque, fardo que considera inexplicavelmente pesado no Brasil: “Não sei o que acontece, mas nenhum filho de ex-atleta parece encontrar muita boa vontade no futebol brasileiro. A pressão é muito grande e eles recebem um tratamento diferenciado para pior”, diz, citando como outros exemplos os filhos de Zico e Júnior, dois ex-companheiros de Flamengo.

Dentro de campo, Cláudio Adão não tem dúvidas de que o filho sabe muito bem o que fazer: “Ele é um jogador de características muito parecidas com as minhas. Não é um atacante trombador, tem leveza e habilidade com a bola”, diz, nada coruja.

Sabendo que Sforza pretende montar o FC Lucerna com três atacantes na estréia contra o Neuchatel Xamax, o ex-craque dá mais um conselho para Felipe: “É preciso tocar a bola rápido, usar muito os outros companheiros e responder às jogadas com velocidade”, diz.

swissinfo, Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro

O novo atacante do FC Lucerna, Felipe Adão, é membro de uma família conhecida de todos os brasileiros. Seu pai é Cláudio Adão, craque do futebol que jogou por vários grandes clubes do Brasil e da Europa.

A mãe, Paula Barreto, é produtora cinematográfica e seus avós maternos, Luiz Carlos e Lucy Barreto, também produtores, são considerados o “primeiro-casal” do cinema brasileiro.

Os cineastas Bruno e Fábio Barreto são tios de Felipe e sua irmã mais velha, Camila, de 24 anos, joga vôlei profissionalmente no Rexona e é atualmente uma das maiores levantadoras do Brasil.

Felipe Adão estreou na equipe profissional do Botafogo no jogo que marcou a reabertura do Maracanã após o estádio ter ficado nove meses fechado para reformas.

No dia 21 de janeiro de 2006, diante de um público de mais de 40 mil pessoas, o Botafogo venceu o Vasco por 5 a 3, com direito a um gol do estreante Felipe, que marcou aos 47 minutos do segundo tempo e foi ovacionado pela torcida alvinegra após a partida.

No clássico, eletrizante, Romário marcou os três gols do Vasco, enquanto Zé Roberto, Lúcio Flávio, Reinaldo e Ruy completaram o placar para o Botafogo.

Cláudio Adão conquistou seu primeiro título em 1973, como jovem revelação do time do Santos no finzinho da Era Pelé.

Em 1977, se transferiu para o Flamengo, onde conquistou o tricampeonato carioca e fez parte do início da montagem do melhor time da história rubro-negra, com Zico, Júnior, Leandro e companhia.

Foi três vezes artilheiro do Campeonato Carioca, em 1978 (pelo Flamengo), em 1980 (Fluminense) e em 1986 (Bangu). Em 1990, jogando pelo Sport Boys, Cláudio Adão foi considerado o melhor jogador do Campeonato Peruano, do qual foi artilheiro com 31 gols.

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