Cartão vermelho para Cuba
A Suíça condena a onda de repressão lançada pelo governo cubano, especialmente a execução de três pessoas, sexta-feira passada.
A posição do governo suíço foi transmitida às autoridades cubanas pelo embaixador em Havana.
Críticas à pena de morte
A mensagem condena principalmente a aplicação da pena de morte, que estava suspensa há 3 anos em Cuba, com a execução de três pessoas, sexta-feira.
“Essas execuções são uma regressão lamentável em relação à moratória que as autoridades cubanas observavam desde abril de 2000”, afirmou à agência de notícias AFP Alizardo Sanches, da Comissão cubana de Direitos Humanos e de Reconciliação Nacional, uma ONG ilegal em Cuba.
Os três executados sexta-feira seriam os principais responsáveis do grupo de 8 pessoas que sequestrou um “ferry” com 30 passageiros a bordo para fugir para os Estados Unidos.
O protesto da Suíça foi entregue terça-feira ao Ministério das Relações Exteriores de Cuba pelo embaixador suíço em Havana, confirma o porta-voz Livio Zanolari, do Ministério suíço das Relações Exteriores, em Berna.
Outras condenações criticadas
A Suíça condenou as execuções, sem justificar o seqüestro. Outro ponto da mensagem entre às autoridades cubanas é relativa à onda de repressão recente sobre os dissidentes do regime castrista.
75 pessoas foram condenadas à prisão recentemente. A economista Marta Beatriz Roque, por exemplo, foi condenada a 20 anos.
“Dez dias atrás, o chefe do Departamento Américas do Ministério suíço das Relações exteriores já havia apresentado os protestos da Suíça por essas condenações ao embaixador cubano em Berna, segundo Livio Zanolari.
Comissão dos Direitos Humanos
Nesta quarta-feira, a Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, vai votar uma resolução criticando Cuba e pedindo o envio de um relator a Havana. Essa resolução foi apresentada por 4 países latino-americanos (Uruguai, Peru, Nicarágua e Costa Rica) será apoiada pela Suíça.
O Brasil vai se abster de condenar Cuba, como sempre fez, e a Argentina (que sempre votou contra Cuba) também promete abster-se.
Resta saber se os protestos da Suíça terão conseqüências sobre o projeto cubano da agência suíça de cooperação e desenvolvimento (DDC). Lançado em 2000, o projeto atua em três setores: ajuda humanitária, agricultura e reforço das administrações locais.
A primeira fase será avaliada em maio para decidir se o projeto continua. O Ministério das Relações garante que não pretende interrompê-lo por razões políticas.
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