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Chefe das Forças Armadas se demite

Roland Nef chefiava as forças armadas helvéticas desde o início do ano. Keystone

O recém-designado chefe das Forças Armadas da Suíça, comandante Roland Nef, pede sua demissão ao ministro da Defesa, Samuel Schmid.

O militar sofria fortes pressões nas últimas semanas devido a disputas legais com a ex-mulher, tornadas públicas pela imprensa. Na sua declaração, Nef explica que estava impossibilitado de exercer suas funções.

Como seus advogados transmitiram na sexta-feira (25 de julho) à imprensa, o comandante Roland Nef reconheceu ter cometido erros no processo de separação da ex-mulher. O militar não esperava que o caso se tornasse público pela imprensa.

Ele ressalta que, graças à cooperação com a Justiça, foi possível negociar um acordo. Sua mulher teria aceitado as desculpas e o processo encerrado na Justiça. O governo federal deverá decidir agora se irá aceitar a demissão de Nef ou não.

Roland Nef havia sido processado pela ex-mulher por assédio em setembro de 2006. Segundo a imprensa, ele não teria aceito a separação e começado a bombardeá-la com torpedos, telefonemas, e-mails e até mesmo através da Internet, onde o militar teria colocado suas fotos e telefone em anúncios pornográficos, provocado uma avalanche de telefonemas com mensagens indecorosas.

Críticas ao ministro da Defesa

Os advogados do militar também ressaltaram que Nef não esperava que o processo de divórcio com a ex-mulher terminasse em um caso de justiça. No momento da sua nomeação, ele não vislumbrava a possibilidade da sua vida privada ser vasculhada pela imprensa. Nef lamenta as acusações públicas feitas contra o ministro da Defesa, Samuel Schmid, de ter falhado ao checar os nomes indicados para chefiar as Forças Armadas da Suíça.

Verdades e mentiras

O comunicado também destaca que “problemas pessoas, já superados, entre duas pessoas, não devem envolver o empregador e, sobretudo, a opinião pública”. O comandante Nef lamenta que as “verdades e mentiras” publicadas pela imprensa tenham impossibilitado o militar de exercer suas funções. Por essa razão ele entregou seu pedido de demissão ao ministro Schmid.

Pressão sobre ministro

O anúncio do pedido de demissão do chefe das Forças Armadas diminui a pressão feita sobre o ministro Samuel Schmid, do qual alguns partidos pedem a demissão por erros cometidos na escolha de Nef.

A União Democrática do Centro (UDC, direita nacionalista) anunciou que irá pedir a abertura de um inquérito para avaliar a situação no Ministério da Defesa, Proteção Civil e dos Esportes.

Samuel Schmid prometeu reavaliar os sistemas de controle para os altos postos no governo. Porém ressaltou que ainda se necessita determinar se a falha ocorrida foi por motivos humanos ou problemas do regulamento. Pelo instante, o vice-chefe das Forças Armadas, o comandante André Blattmann, assume interinamente a liderança.

swissinfo com agências

As Forças Armadas da Suíça são compostas pelo Exército e a Aeronáutica. Como o país não dispõe de litoral, não existe a Marinha. Uma especificidade helvética é o sistema de milícia, onde grande parte dos oficiais e soldados das Forças Armadas exerce suas funções paralelamente à sua vida profissional.

O chefe das Forças Armadas era, desde 1° de janeiro de 2008, o comandante Roland Nef.

Com as últimas reformas (Armee XXI, na sigla em alemão), as Forças Armadas da Suíça tiveram uma redução de efetivos de 400 mil para 200 mil membros. Destes, 120 mil estão nas tropas ativas e 80 mil nas de reserva.

Os 120 mil soldados prestam anualmente três e (soldados) e quatro semanas (oficiais) de cursos de repetição. As tropas de reserva não precisam participar dos cursos.

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