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Controvérsia sobre Davos está armada

Protesto anti-Davos em Zurique terminou em quebra-quebra e detenções Keystone

A repressão de protestos contra o encontro do Forum Econômico de Davos (WEF, na sigla inglesa) continua levantando poeira. Um ministro suíço e os organizadores da reunião annual aplaudiram. Jornais do domingo criticaram a atitude das autoridades, políticos cobram do governo, ONGs ameaçam não participar mais. No sábado, mil pessoas que não puderam chegar a Davos, desforraram em Zurique. O protesto degenerou...

O 31° encontro do WEF ficou marcado pelo forte esquema policial para evitar protesto na bucólica cidade alpina. Apenas umas 300 pessoas conseguiram manifestar em Davos, mas foram dissuadidas por jatos d’água de se aproximarem do Palácio dosCongressos, onde se realiza o encontro.

Praticamente isolando Davos do resto da Suíça, centenas de manifestantes foram contidas seja a dezenas de km (Landquart), seja na fronteira, como em Chiasso, fronteira com a Itália.

O protesto tinha sido proibido, autoridades federais listou 300 pessoas indesejadas no país, a polícia filtrou o que pôde nas fronteiras e nas múltiplas barragens na estrada que leva a Davos. Também expulsou pelo menos 100 pessoas.

Cerca de mil manifestantes desforraram, realizando em Zurique, na sexta-feira à noite, um protesto que degenerou, provocando 70 mil dólares de estragos. Cem manifestantes foram detidos.

Até o momento, o ministro da Economia, Pascal Couchepin, foi o único membro do governo a vir a público aplaudir a aplicação de medidas policiais severas em Davos. Os organizadores do WEF elogiaram a atitude das policiais que preservaram a paz no centro de reuniões.

O coro dos críticos das medidas repressivas tem aumentado. Os poucos jornais suíços publicados no domingo denunciaram o que consideram exageros. O “SonntagsBlick”, de Zurique, estima que a mobilização foi como num país ditatorial. O “Dimanche.ch”, de Genebra, ridicularizou os controles policiais no caminho de Davos e calcula em quase 7 milhões de dólares o preço a pagar pelo esquema policial durante 5 dias.

Políticos cobram do governo. Um deputado de esquerda (Joseph Zisyaadis) disse que “um estado de sitio como o que prevaleceu em Davos é inadmissível num país democrático”. Franco Cavalli, chefe da bancada socialista no Parlamento disse que haverá “conseqüências políticas”.

Em Davos, Public Eye – “olho público”, forum alternativo ao WEF – bem como ONGs que participam do encontro ameaçaram não voltar a Davos.

O sentimento reinante na Suíça é de que adversários da globalização ganharam uma batalha na guerra contra uma globalização econômica sem consideração pelas conseqüências sociais que tem provocado.

O “affair” criou um clima de mal-estar no país e deve provocar ainda muitos debates. E mais uma vez a imagem da Suíça parece arranhada.

Resta que os protestos anti-Davos roubaram o espetáculo, deixando em segundo plano os debates no Palácio de Congressos. No domingo, no encontro do Forum Econômico Mundial, estava previsto apresentação por países africanos (África do Sul, Argélia e Nigéria) de um plano Marshall para o continente. Na segunda-feira deve ser anunciado plano econômico para os Bálcãs. A falta de garantia para investimentos na Rússia preocupa participantes no Forum. O Oriente Médio pede solução urgente, inclusive no que diz respeito aos direitos da mulher…

O WEF pretende ser um local privilegiado sobre os efeitos da globalização. Mas no momento o diálogo entre os organizadores do encontro e personalidades que representam a sociedade civil ficou mais difícil.

Swissinfo com agências

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