Evento alternativo vira atração paralela da semana da Art Basel
Criado em 2022 por artistas e curadores de Basileia, o "Clube Social da Basileia" se consolidou como a principal alternativa à exclusividade da Art Basel. Com entrada gratuita, ocupações de espaços inusitados e uma combinação de exposições, performances e festas, o evento atrai um público cada vez maior.
Em 2022, a Art Basel realizava sua primeira edição sem restrições após a pandemia e as pessoas ainda demonstravam cautela nas interações sociais. Beijos de saudação ainda eram evitados, o álcool em gel estava por toda parte, mas um sentimento de liberdade recuperada pairava no ar.
Enquanto as personalidades mais influentes do mundo da arte desembarcavam nessa cidade às margens do rio Reno, circulou o boato sobre uma festa aberta em um bairro nobre na periferia. Na entrada, os convidados hesitavam. Ninguém sabia ao certo quem eram os anfitriões ou o que era aquela mansão de portas abertas. Todos os cômodos haviam sido transformados em espaços de exposição, em bar ou em uma sala de estar, às vezes tudo ao mesmo tempo.
A pista de dança estava montada à beira da piscina, no jardim, mas como se trata de uma área residencial onde o barulho é tabu, os frequentadores receberam fones de ouvido. Uma festa animada aconteceu em quase completo silêncio, com o som restrito aos sentidos de cada participante.
“Foi tudo muito improvisado”, afirmou Julia Cellarius, uma das organizadoras do “Clube Social da Basileia”, falando durante uma visita ao local ainda vazio da edição de 2026, um prédio de escritórios de vários andares que no passado abrigou instalações de treinamento do banco UBS e da multinacional farmacêutica Roche.
Cellarius explica que esse grupo de jovens artistas locais, profissionais da arte e curadores queria criar um espaço próprio, misturando a arte emergente com um espírito hedonista, que remete aos meados dos anos 1990, quando outro grupo jovem de galeristas e curadores lançou a feira de arte “Liste” como um contraponto renovador à Art Basel.
Naquela época, a Art Basel demorou um pouco para reconhecer a feira como um complemento valioso. O Clube Social da Basileia, por outro lado, foi integrado ao seu ecossistema quase imediatamente.
Os organizadores do clube recorreram à sua rede de contatos locais para organizar as coisas, ligando para amigos, parentes, colegas e conhecidos. O evento decolou de imediato, tornando-se rapidamente o lugar ideal para se frequentar nos dias de calor no verão.
Sempre um universo diferente
Nos anos seguintes, os espaços não convencionais tornaram-se a marca registrada do Clube. Em 2023, o evento ocupou uma fábrica abandonada. Em 2024, espalhou-se pelo parque Predigerhof, nos arredores da cidade, sob o título “Farm” (Fazenda). Em sua terceira edição, o evento começou a atrair artistas e galerias renomados, que disponibilizaram algumas de suas obras para serem exibidas ao lado de artistas iniciantes.
No ano passado, o clube ocupou a antiga sede de um banco privado no centro histórico de Basileia. A elegância e a beleza do edifício eram notáveis, mas era possível notar que a magia estava saindo do controle. Longas filas se formaram do lado fora e a superlotação tornou-se inevitável.
Ainda assim, o hedonismo e a visão irônica sobre o sofisticado mundo da arte continuavam bastante vivos. Um bom exemplo foi a “Liquidação Especial Jeff Koons”, na qual três operários, vestidos com roupas que remetiam a uma fábrica asiática, passavam o dia produzindo cachorros de balão no estilo do artista americano. Em 2013, uma de suas esculturas de cachorro foi vendida por 52 milhões de dólares.
Para a edição atual, os organizadores solucionaram o problema da superlotação conseguindo um espaço novo e gigantesco: um complexo onde se pode caminhar por horas, explorando todos seus espaços.
O Clube agora abriga uma feira independente de livros de arte, além de vernissages, performances, jantares de gala e premiações artísticas. Apesar disso, alguns participantes reclamaram que o evento ficou grande demais e que a interação com estranhos já não tem a mesma espontaneidade das primeiras edições. Outros, de forma mais crítica, apontam para uma abordagem amadora na seleção das obras de arte, argumentando que elas servem de mero pano de fundo para as festas.
Mesmo assim, no universo da Art Basel, definido por conceitos como “exclusividade”, “prestígio” e “apenas para convidados”, o Clube Social da Basileia permanece como um espaço bastante democrático. A entrada é gratuita, há comida e bebida em abundância, e as festas e danças avançam pela noite adentro, por vezes até as três da manhã. Os organizadores reconhecem abertamente que a arte e a diversão são a razão de ser do clube. E por que não seriam?
Edição: Reto Gysi von Wartburg/sb
Adaptação: Alexander Thoele
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