Davos continua na berlinda
Depois de protesto fracassado em Davos e manifestações violentas em Zurique, a bucólica cidade alpina está novamente calma. Mas, face às exigências de uma globalização que beneficie a todos, o Forum Econômico de Davos -WEF - se questionaria sobre o futuro.
Abortou em Davos o grande protesto programado para o fim de semana por oponentes à “globalização desumana”. O forte esquema de segurança montado pelas autoridades esfriou os ânimos da maioria dos participantes. De cinco mil esperados, eles não passaram de 300 e foram mantidos à distância do Palácio de Congressos onde se realizam os debates do WEF.
Como não deu certo em Davos, cerca de mil manifestantes desforraram em Zurique, onde o protesto degenerou. Várias pessoas saíram feridas, uma centena foi detida, e um quebra-quebra resultou em ataques a vitrinas e carros incendiados…
Os acontecimentos em Zurique serviram de argumento às autoridades policiais e ao governo suíços para justificarem o vigoroso aparato policial montado em Davos.
Se a imprensa internacional focalizou principalmente o que acontece no Palácio de Congressos do “resort” alpino, a imprensa suíça, muito dividida, dedicou mais atenção às manifestações ocorridas no fim de semana.
O jornal La Liberté escreve que “as forças de manutenção da ordem ultrapassaram os limites do tolerável”, transformando Davos em fortaleza protegida”. O Le Temps, de Genebra, estima que “a proibição de toda manifestação era justa e inevitável”.
Outro exemplo: o jornal popular Blick, descreve o protesto em Zurique de “estúpida vontade de destruição”. Mas acha que “o espírito de Davos” não pode sobreviver se a elite não se abrir ao mundo exterior.
Por seu lado, o presidente da Suíça denunciou a “focalização da mídia sobre as medidas de segurança” em detrimento do que acontece no Forum. Para ele, depois do ocorrido em Zurique, as fortes medidas de segurança se justificaram plenamente.
Resta que os manifestantes ganharam uma batalha, atraindo atenção para suas reivindicações e deixando em segundo plano os debates em Davos.
No fim de semana, com a presença de Yásser Arafat, presidente da Autoridade Palestina, Shimon Perez, ex-primeiro-ministro israelense, e Kofi Anan, secretário geral da ONU, além de vários líderes da ex-Iugoslávia debateu-se a questão da paz no Oriente Médio e da consolidação democrática nos Bálcãs.
Quanto ao Oriente Médio, Arafat afirmou que Israel faz “uma guerra bárbara” e pratica uma “uma agressão militar fascista”. E Kofi Anan pôs panos quentes, lembrando que a paz se faz entre inimigos e não entre amigos.
A situação econômica na África e a questão dos investimentos na Rússia foram também assuntos abordados em Davos.
Com o surgimento do Fórum Social de Porto Alegre e maior ênfase nas denúncias dos desequilíbrios, o grande público parece interessar-se mais pelas conseqüências sociais da globalização econômica que o Forum de Davos já não pode ignorar.
swissinfo com agências
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