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Executivos de bancos suíços são presos no Brasil

Executivos de bancos suíços estariam envolvidos em evasão fiscal. Keystone

A polícia brasileira prendeu temporariamente 20 pessoas, dentre elas executivos dos bancos suíços UBS e Clariden Leu. Elas são acusadas de intermediar a remessa de recursos ilegais para a Suíça. A operação envolveu 280 policiais.

Porta-vozes dos bancos na Suíça confirmam a detenção dos funcionários, mas se abstém de dar informações. Segundo a polícia brasileira, 1 bilhão de reais teria sido depositado em contas numeradas.

Um inquérito aberto pela polícia brasileira para investigar a remessa ilegal de dinheiro do Brasil ao exterior terminou, na tarde da segunda-feira (6 de novembro), com uma grande operação policial. Contando com a participação de 280 agentes, ela executou, de uma só vez, 44 ordens de busca e apreensão e a detenção de vinte pessoas para cumprimento de mandado de prisão temporária.

A Polícia Federal suspeita que os detidos, 11 empresários, seis doleiros e três funcionários de instituições financeiras da Suíça e Estados Unidos, chegaram a sonegar 1 bilhão de reais (US$ 573,5 milhões) do Brasil. Em várias residências e escritórios, as autoridades apreenderam 6 milhões de reais e 700 mil dólares em espécie.

1 bilhão

Segundo o site veja.com, os funcionários detidos seriam Luc Marc de Pensas, do banco suíço UBS; Magda Maria Malvão Portugal, do americano AIG, e Reto Buzzi, do Clariden Leu, instituição ligada ao Credit Suisse. No Brasil, a polícia revelou que dois suspeitos ainda estariam foragidos, dentre eles o suíço Marc Henry Dizerens, também do UBS.

Para chegar à soma de um bilhão de reais, a Polícia Federal somou os números obtidos na operação executada no início da semana, batizada de Kaspar II, com os de investigações anteriores, a Operação Suíça e Kaspar I. Todas elas investigaram o envio ilegal de dinheiro ao exterior através da prática do chamado “dólar-cabo”. Enquanto que nas operações passadas as autoridades tinham como alvo principal os escritórios de representação no Brasil das instituições financeiras estrangeiras, agora as atividades suspeitas ocorriam no contato direto entre os funcionários estrangeiros e os clientes no Brasil.

“Dólar-cabo”

O “dólar-cabo” é um sistema de compensação entre dois países. Nele, o doleiro deposita somas em dólares em uma conta numerada de bancos suíços. O dinheiro é mantido nos bancos ou pode retornar ao Brasil através de mercadorias subfaturadas, como explicou a Polícia Federal à imprensa. É uma forma de evitar a transferência física de dinheiro entre os dois países.

Os policiais acreditam que os bancos UBS, Clariden e AIG teriam passado a enviar executivos ao Brasil com o objetivo de contatar pessoalmente os clientes. Estes seriam orientados a procurar doleiros que, por sua vez, enviavam fortunas dos empresários brasileiros para contas numeradas na Suíça.

“Os bancos sabem que a remessa de divisas sem o conhecimento do Banco Central é proibida no Brasil, e acredito que estimularam esse tipo de operação”, disse o delegado Ricardo Saadi, responsável pela operação Kaspar II. Segundo ele, representantes dos bancos vinham ao país a cada três meses para visitar clientes. O esquema movimentava 7 milhões de dólares por mês.

Posição dos bancos

Na Suíça e nos Estados Unidos, as instituições financeiras envolvidas no inquérito da Polícia Federal reconheceram a detenção dos seus funcionários, mas se abstiveram de dar mais detalhes.

“Estamos avaliando as informações, mas desconhecemos qualquer atividade ilegal de algum funcionário da AIG”, declarou Chris Winans, porta-voz do banco em Nova Iorque à agência Associated Press.

Já o UBS confirmou apenas que o funcionário detido trabalha realmente na área de administração de fortunas. “Estamos investigando para saber por que ele foi detido durante sua viagem de negócios. No momento, não podemos dar outras informações”, afirmou Rebeca Garcia, assessora de imprensa do UBS em Zurique.

Prisão temporária

As pessoas detidas podem ser acusadas no Brasil de prática de crimes contra a ordem econômica, formação de quadrilha ou bando e crimes contra ordem tributária. A prisão temporária telas foi decretada pelo juiz federal Fausto Martin de Sanctis, da Sexta Vara Criminal Federal de São Paulo, que justificou a medida pelos fortes indícios de crime e para evitar a destruição das provas.

A prisão temporária tem validade de cinco dias e pode ser prorrogada por mais cinco, caso seja solicitada à Justiça. Ela também pode ser convertida em prisão preventiva durante o curso da ação penal. Como informou a Polícia Federal, seus agentes começam agora a analisar os documentos apreendidos.

swissinfo com agências

Operação Kaspar II – 280 agentes para executar 44 ordens de busca e apreensão e a detenção de vinte pessoas para cumprimento de mandado de prisão temporária.

Vinte detidos: 11 empresários, seis doleiros e três funcionários de instituições financeiras da Suíça e Estados Unidos. Instituições envolvidas: UBS, Clariden Leu (Suíça) e AIG (Estados Unidos).

A polícia brasileira acredita que o esquema de remessa ilegal de dinheiro do Brasil chegou a movimentar um bilhão de reais (US$ 573,5 milhões).

A operação Kaspar II da Polícia Federal no Brasil segue a Kaspar I e Operação Suíça.

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