The Swiss voice in the world since 1935
Principais artigos
Democracia suíça
Newsletter

Futebol tenta renascer das cinzas em Genebra

Jovem torcedor ainda não perdeu as esperanças no Servette Keystone

Um dos mais antigos e prestigiosos clubes do futebol suíço – o Servette FC – tem estado mais na agenda judiciária do que esportiva.

Um ex-presidente foi condenado à prisão e o novo estádio está virtualmente falido.

Um empresário iraniano assumiu o clube com a promessa de levá-lo novamente à primeira divisão do futebol suíço, a Super Liga. Por enquanto, o Servette está na lanterna da Segundona, a Challenge Liga.

Mas a rica cidade de Genebra parece ter dado as costas para o futebol, como na história do gato escaldado. Também pudera, faz tempo que as más notícias se sucedem.

Um dos últimos presidentes do Servette Futebol Clube, o francês Marc Roger, foi recentemente condenado a dois anos de prisão pela falência do clube. Foi libertado porque já havia cumprido 22 meses de preventiva.

Entre os queixosos estavam credores e ex-jogadores do time, como o francês Christian Karembeu. Alguns deles inclusive tiveram de encerrar a carreira e até passaram por dificuldades financeiras.

Presidentes

O clube já estava mal das pernas antes de o presidente francês assumir, mas, em um ano de gestão, entre fevereiro de 2004 e fevereiro de 2005, Marc Roger levou o Servette à falência com um rombo de 16 milhões de francos suíços. Resultado: da primeira divisão profissional, o clube foi rebaixado para a primeira amadora. Atualmente está na segunda liga profissional (Challenge League), mas com risco de cair novamente para a divisão amadora.

Desde setembro, o clube é presidido pelo empresário iraniano Majid Pishyar, que dirige uma holding baseada em Dubai, com atividades em múltiplos setores. Um de seus escritórios está em Genebra e ele teria laços afetivos com a cidade, segundo a imprensa local. Por enquanto, sua presidência ainda não deu resultados ao clube.

Os problemas do estádio

A rica cidade de Calvino queria um estádio moderno e um clube com ambições européias. Seis anos depois da inauguração do Estádio de Genebra, ela não tem uma coisa nem outra.

Juntamente com os problemas do Servette FC, o estádio que só ficou lotado nos três jogos que acolheu durante a Eurocopa (entre eles dois de Portugal) e está virtualmente falido.

Quando ainda estava na prancheta dos arquitetos, o estádio custaria 68 milhões de francos e seria financiado exclusivamente pelo setor privado, interessado no centro comercial e no hotel que o recinto realmente abriga. Acabou custando 148 milhões, dos quais 43 milhões de verbas públicas, principalmente do estado e da prefeitura de Genebra.

O centro comercial é rentável, mas a fundação que administra o estádio de 30 mil lugares é insolvente porque os custos de administração e manutenção são superiores às receitas. O déficit de 2008 é estimado em 2 milhões de francos suíços. Para os dirigentes da Fundação Estádio de Genebra, a solução para a rentabilidade é ter o Servette na primeira divisão, alguns jogos internacionais e alguns eventos culturais.

Entre as dificuldades estão os erros de concepção no projeto do Estádio de Genebra, comparado às construções igualmente modernas: viver exclusivamente do futebol, pois não foi feito para receber grandes eventos não esportivos.

Clube tem história

E, no entanto, o Servette FC tem história e tradição. Fundado em 20 de maio de 1890, seu nome é o de um bairro popular da cidade, onde ficava o Estádio de Charmilles, em que jogou durante um século, de 1902 a 2002, quando mudou para o novo Estádio de Genebra.

O clube disputou durante 115 anos a primeira divisão do futebol suíço e é o segundo em número de títulos, atrás do Grasshopper de Zurique.

Ainda nos anos 1980 e 1990 teve jogadores de renome, como o alemão Karl-Heinz Rummenigge e o brasileiro Sony Anderson, entre muitos outros. Mais recentemente, os zagueiros Philippe Senderos (Milan) e Johan Djourou (Arsenal) foram formados no clube genebrino.

Resta saber se o novo presidente iraniano do Servette terá mais sucesso do que em sua primeira incursão pelo futebol, no clube austríaco Admira Wacker, que faliu e foi rebaixado. Em todo caso, com um passado tão glorioso, o clube de Genebra merece uma melhor posição do que a lanterna da Segundona.

swissinfo, Claudinê Gonçalves

O Servette FC:
118 anos de história

17 títulos de campeão suíço

7 vezes vencedor da Copa da Suíça

27 participações em Copas da Europa

Mais lidos

Os mais discutidos

Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR