Negociação de Chipre fracassa
Representantes das populações gregas e turcas não conseguiram entrar em acordo. População dos dois lados decide através de plebiscito em 24 de abril se apóia reunificação.
Parte grega não aceita o plano da ONU. Reunião no complexo hoteleiro de Bürgenstock na Suíça durou nove dias.
Kofi Annan, secretário-geral da Organização das Nações Unidas descreve sua proposta de reunificação da Ilha que está separada desde 1974 como a última chance: – “O plano não atende completamente as duas partes, porém existe apenas a escolha entre um acordo ou não”. Também o emissário especial da ONU para o Chipre, Álvaro de Soto, afirma que a organização internacional não tem um plano “B” em caso de recusa.
Populações vão decidir
Caso a população aprove a reunificação através do plebiscito, que se realiza em 24 de abril, a ilha poderá entrar inteiramente na União Européia a partir de 1o de maio. Se houver uma negativa, somente a parte grega de Chipre será aceita na UE.
De Soto afirma que a reunificação possibilitará os cipriotas turcos a saírem finalmente do seu isolamento. “Cerca de 100 mil cipriotas gregos poderão retornar a parte norte da ilha”, ressalta o emissário da ONU. Ao todo, um terço da população da ilha receberá de volta as suas antigas propriedades. Para o restante foram negociadas indenizações.
De Soto irá apresentar o plano na sexta-feira ao Conselho de Segurança da ONU, que poderá decidir o envio de uma missão de paz ao Chipre antes de 24 de abril. Elas irão acompanhar a retirada das tropas militares que se encontram atualmente na ilha (900 soldados gregos e 650 turcos).
Na quarta-feira (31.03) a cerimônia de encerramento foi adiada várias vezes. Antes Kofi Annan havia se encontrado com o primeiro-ministro grego Costas Karamanlis e o chefe de governo turco Recep Tayyip Erdogan, para impedir o fracasso do acordo. Erdogan declarou que apóia o plano. Karamanlis, por outro lado, disse que não foi possível entrar em acordo, já que as concessões feitas aos gregos não são suficientes.
Contribuição suíça
A contribuição suíça não se resumiu apenas na cessão do complexo hoteleiro de Bürgenstock, próximo ao lago dos Quatro Cantões.
Desde 2000 o diplomata suíço Didier Pfirter trabalha como conselheiro jurídico do emissário especial Álvaro Soto. Ele propôs uma constituição federal para Chipre no modelo helvético, um documento que inspirou fortemente o plano de Kofi Annan.
Em fevereiro, Pfirter esteve mais uma vez na ilha, acompanhado por dois especialistas do serviço suíço de promoção da paz. O objetivo do grupo era auxiliar juristas turcos e gregos em relação à harmonização das suas respectivas leis.
swissinfo com agências
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