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Os inconvenientes do retorno à pátria

Trabalhar na limpeza de aviões pode ser uma alternativa para suíços-argentinos, que não encontraram nada melhor na Suíça. Keystone Archive

A vontade de vir morar na Suíça é grande para dezenas de suíços-argentinos. Eles continuam a chegar na terra dos seus antepassados.

Aprender o idioma, encontrar uma casa para morar, emprego e, sobretudo conseguir sentir-se “em casa” são alguns dos desafios a vencer.

Como qualquer outro suíço vindo do exterior, imigrantes suíços da Argentina têm direito a apoio e aconselhamento pelos serviços sociais estaduais e municipais. Muitos deles enfrentam a incompreensão das autoridades, sobretudo devido à barreira do idioma.

A estes problemas somam-se todos os “pormenores” de uma troca transatlântica de domicílio como a inscrição no registro populacional, a necessidade de atender os requisitos básicos para obter o visto de residência e a procura de um emprego estável.

Mil receberam algum tipo de ajuda social

“As cidades de Zurique e Genebra são a destinação preferida de grande parte dos suíços-argentinos”, comenta Rolf Lüthi, chefe do serviço de ajuda social para os suíços no exterior.

Não se sabe quantos desses “migrantes” retornaram da Argentina para a Suíça, pois não existe um registro nacional desses casos. Calcula-se que mil argentinos-suíços já receberam algum tipo de ajuda social desde o seu retorno à Suíça”, explica Rudolf Wyder, diretor da Organização de Suíços no Exterior.

Caso concreto em Genebra

Os suíços chegados da Argentina, que pediram e obteram ajuda financeira de Genebra, aumentaram nos últimos três anos, afirma Philipp Schroft, responsável pelos suíços de retorno no serviço social da cidade.

Em 2001, 6,7% dos 135 pedidos de ajuda eram de suíços-argentinos. Em 2002, esse número aumentou para 34,4% do total. Desde o início de, já foram feitos 48 pedidos de ajuda social ao governo de Genebra, sendo que metade deles é de suíços provenientes da Argentina.

Apesar dos números serem relativos apenas à cidade de Genebra, eles mostram um pouco da situação atual dos suíços-argentinos que retornam a terra dos seus antepassados.

Crise no mercado imobiliário

Philopp Schroft explica que a maior dificuldade para ajudar os argentinos é a procura de moradias no cantão de Genebra. A cidade passa atualmente uma grande crise no mercado imobiliário.

Em Zurique, outra destino preferencial dos suíços-argentinos, as dificuldades não são menores. A capital do cantão tem os aluguéis mais altos da Europa, logo depois de Londres.

Recomendações importantes antes de vir à Suíça

Brigitte Laplace, assistente social do governo de Genebra, e Philipp Schroft recomendam aos suíços do estrangeiro, que queiram retornar ao país, de especificar seu estado civil nas embaixadas suíças do país de origem antes de fazer a viagem.

Essa providência pode evitar complicações para os serviços sociais das comunidades que acolhem os suíços do exterior.

Se um casal suíço-argentino não registrou o casamento num consulado suíço, “será extremamente complicado fazer reconhecer posteriormente o matrimônio na Suíça. Nessa situação o cônjuge sem o passaporte suíço não obterá um visto de residência”, explica Schroft. Nessa situação, o casal terá de solicitar os comprovantes do casamento na Argentina, ação que pode “demorar meses ou anos e atrasa o processo de integração”.

Um casal que vive uma união não oficializada e queira vir para Suíça também pode ter muitas dificuldades para que o cônjuge sem passaporte suíço receber um visto de residência”, conta Laplace.

“Para evitar essa situação é aconselhável para o casal contraia o matrimônio antes da vinda e contate logo depois as autoridades consulares da Suíça na Argentina”.

O risco de perder a nacionalidade

Outro problema que pode ser vivido por descendentes de suíços é a questão da nacionalidade. Alguns pais esquecem de inscrever seus filhos como suíços nos consulados e embaixadas da Suíça. Isso significa que a condição do recém-chegado na Suíça será de estrangeiro. “Um cidadão suíço deve anunciar o nascimento de um filho, para que ele receba também a nacionalidade Suíça. Isso deve ocorrer antes que o jovem complete os 22 anos de idade, pois senão a nacionalidade estará perdida”, explica Brigitte Laplace.

Formação

Anne Sophie Jarnenond, assistente social no governo de Genebra, adverte também a importância do suíço-argentino “trazer consigo todos os diplomas de estudo, certificados de trabalho e documentos relativos à formação profissional”.

Apesar desses documentos facilitarem o acesso ao mercado de trabalho, “um diploma universitário, que não tenha nada a ver com as competências da pessoa, é raramente reconhecido na Suíça”, lamenta Jarnenond.

Dificuldades na adaptação foram vividas por Francisco Javier Méier, suíço-argentino retornado a Zurique. “Somos um caso muito especial: somos suíços, porém não falamos nenhum idioma do país; somos suíços, porém não temos estudos daqui; somos suíços, porém não temos família aqui; esses três fatores são fundamentais para que uma pessoa possa adaptar-se ao país”.

Swissinfo, Patrícia Islas Züttel
tradução Alexander Thoele

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