Pista de tráfico de drogas se confirma
A hipótese de envolvimento do embaixador suíço em Luxemburgo em lavagem de dinheiro do tráfico de drogas é confirmada pela Corte de acusação do Supremo Tribunal. Ele está em prisão preventiva há três semanas, em Berna.
Quando da prisão do embaixador, em 11 de julho, a agência de notícias francesa France Presse, havia anunciado que ela fazia parte de uma ampla investigação sobre lavagem de dinheiro da droga.
750 mil dólares
Em Berna, o Ministério Público não havia confirmado nem desmentido a notícia, mas a prisão preventiva do embaixador, já afastado temporariamente do cargo, foi prorrogada.
A confirmação veio quarta-feira (31/7) através da Corte de acusação do Supremo Tribunal suíço. A mais alta instância de justiça comunicou que os principais beneficiários das contas alimentadas por Friederich eram conhecidas de tribunais penais, sobretudo no setor de do tráfico de entorpecentes.
Segundo a Corte de acusação, Peter Friederich, 60 anos, entre agosto e dezembro de 2001, depositou em sua conta num banco de Luxemburgo, várias centenas de milhares de dólares, em diferentes divisas. Por enquanto, sabe-se que a soma estimada é de 750 mil dólares.
Lavagem e falsificação
No entanto, o caso é bastante complicado e ainda faltam informações. O Ministério Público mantém o segredo da instrução nega o acesso ao dossier completo ao advogado do embaixador.
Como todo cidadão, Friederich deveria ter sido apresentado diante de um juiz de instrução. Até agora isso não ocorreu o que pode levar a Suíça a ser repreendida pela Corte européia de direitos humanos.
Por enquanto, o embaixador é inculpado de lavagem de dinheiro e falsificação de documentos, embora a conta em questão estivesse em seu nome particular e não da embaixada.
A hipótese dos serviços secretos
Geralmente, nesses casos, a polícia procura primeiro prender traficanrtes antes dos recicladores de dinheiro. Com Friederich está ocorrendo o contrário. Até agora, só foi interrogada uma pessoa que supostamente teria entregue dinheiro ao embaixador.
Outra pista foi divulgada através do site “intelligence on line”, editado em Paris e especializado em serviços de informação. Na última edição, o site afirma que o embaixador suíço em Luxemburgo estava em contato com a CIA.
O site dá a entender que os serviços americanos de inteligência às vezes usam dinheiro ilegal para financiar certas operações secretas e poderiam ter solicitado Friederich, conhecido por sua habilidade em matéria de finanças.
O diplomata suíço trabalhou anteriormente no Vietnã e em Cuba, dois países onde existem interesses econômicos e políticos americanos. Nesses dois países, os Estados Unidos não têm embaixada e seus interesses são representados pela Suíça.
Se essa hipótese for a verdadeira, resta saber se as “operações especiais” de Peter Friederich eram feitas às escondidas ou com autorização do Ministério das Relações Exteriores.
swissinfo/Ian Hamel
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