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Suíça deve criar alarme contra seqüestro infantil

Uma foto de Madeleine, a criança inglesa desaparecida, é exibida no telão durante Eurocopa em Portugal. Keystone Archive

O Conselho Nacional (Câmara dos Deputados na Suíça) votou a criação de um sistema de alarme para crianças desaparecidas, um modelo já existente em países como os Estados Unidos ou a Grécia.

Com o novo sistema, anúncios de desaparecimento podem ser publicados em todo o país até mesmo através de serviço de mensagens multimídia.

As duas moções que acabam de ser aprovadas (4 de outubro) no Parlamento helvético foram inspiradas no seqüestro e assassinato de Ylenia, uma menina suíça de cinco anos. O caso comoveu a Suíça no último verão.

O governo foi solicitado a criar, o mais rápido possível, um sistema de alarme através do serviço de mensagens multimídia para tornar público o caso de crianças desaparecidas. Posteriormente deve ser introduzido um alarme de seqüestro como o modelo aplicado nos Estados Unidos.

O sistema permitiria, através de um anuncio de procura emitido pela polícia, transmitir a mensagem através do serviço de mensagens multimídia (também conhecido pela sigla do inglês “MMS”) com uma foto da criança, suas características e também um número telefônico de contato.

“Como 90% dos habitantes da Suíça dispõem de telefones móveis, o sistema de alarme permitiria agir o mais rápido possível”, explica o relator da comissão parlamentar, a deputada Vreni Hubmann (Partido Social-Democrata). Ela e outros defensores do projeto argumentam que a tecnologia aumenta as chances de vida de uma criança raptada.

Planos futuros

A ação de busca ativada através de MMS poderia ser a primeira medida de um futuro e amplo sistema de alarme contra seqüestros. Seu objetivo é tornar o mais amplo possível o alcance de informações e notícias relativas ao crime, o que aumentaria a participação popular no trabalho realizado pela polícia.

Os meios utilizados podem ser expandidos para abranger todo o espectro de tecnologias da informação como Internet, cartazes eletrônicos nas estradas e rodovias, assim como anúncios acústicos nas estações de trem, fronteiras e aeroportos. O sistema poderá ser acionado pelas autoridades competentes de um cantão.

Outras decisões em novembro

Também para o governo federal, o sistema atual pode ser melhorado. Seus representantes ressaltam, porém, que seqüestro de crianças estão na alçada dos cantões.

A questão será debatida entre as autoridades cantonais e o ministro da Justiça, Christoph Blocher, de 15 a 16 de novembro no congresso anual de diretores de justiça e polícia dos cantões.

Trabalho conjunto com a União Européia

Na Europa não existirá inicialmente nenhum sistema de alarme funcionando em todo o território dos países-membros. Os ministros de Justiça da União Européia decidiram no último encontro em Lisboa, Portugal, que os países apenas irão conectar os sistemas já existentes. Além disso, eles planejaram para o futuro a criação de uma lista de todas as crianças desaparecidas na Europa e sua publicação na Internet.

Franco Frattini, o comissário de Justiça da UE, defendeu a criação de um sistema de alarme através de SMS (mensagens eletrônicas através de celulares) além-fronteiras ou com ajuda da mídia.

A ministra alemã da Justiça, Brigitte Zypries, considera problemática a proposta, argumentando que ela funcionaria como uma “inundação de imagens, caso os telespectadores passem a receber constantemente fotos de crianças desaparecidas em toda a Europa”.

Casos como o da menina britânica Madeleine, que desapareceu misteriosamente de um centro hoteleiro no sul de Portugal, continuam sendo raros.

swissinfo com agências

Em alguns países já existe um sistema de alarme para crianças desaparecidas. Os Estados Unidos criaram o seu em 1996, a França em 2006 e a Grécia no mesmo ano.

Graças ao sistema, casos de seqüestro podem são anunciados pela polícia em todo o país com rapidez não apenas através do próprio sistema de procura, mas também através da mídia, anúncios nas estações de trem e ônibus ou até mesmo grandes cartazes nas rodovias e cidades.

Um estudo realizado nos EUA em 1993 mostrou que as horas que decorrem após o seqüestro de uma criança são decisivas para a vida desta: de 621 seqüestros que terminaram com a morte, 44% das crianças foram assassinadas no espaço de uma hora após o seqüestro; 74% dos assassinatos ocorreram no espaço de três horas e 91% no espaço de 24 horas após o seqüestro.

O caso do seqüestro e assassinato de Ylenia, uma menina suíça de cinco anos, comoveu a Suíça no verão.

Ylenia foi vista pela última vez em 31. de julho de 2007 em uma piscina pública. No dia seguinte apenas uma bolsa contendo seus objetos pessoais foi encontrada numa floresta distante 30 quilômetros da piscina.

Na mesma floresta, passantes encontraram em 1 de agosto de 2007 o corpo de um homem. Motivo provável da morte: suicídio. No seu automóvel, os policiais encontraram pertences de Ylenia.

Semanas depois, o corpo da Ylenia foi encontrado na floresta por uma pessoa através da sua própria investigação.

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