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Suíça serve de base para grupos rebeldes

Militantes dos Tigres tâmils manifestando em Genebra en abril do ano passado Keystone

Grupos rebeldes estrangeiros utilizam a Suíça como uma espécie de plataforma para suas atividades. O País é pouco afetado pelo terrorismo.

Ao publicar dia 10/7 relatório sobre segurança interna, válido para 2001, a Divisão Federal de Polícia (DFP) destaca que militantes de grupos políticos em luta nos Bálcãs e Sri Lanka foram muito ativos na Suíça no ano passado.

Movimentos étnicos albaneses e os Triges de Libertação do Eelam Tâmil utilizaram, de fato, o território suíço como um oásis de tranqüilidade e um centro logístico para dirigir suas ações de guerrilha, assinala a DFP.

O documento realça também que “coletas de fundos são organizadas na Suíça para apoiar atividades violentas de grupos e organizações extremistas em outros países, principalmente nos Bálcãs, no Curdistão e em Sri Lanka”.

Fora da esfera política, a DFP menciona igualmente que criminosos de colarinho branco e organizações mafiosas – cujas atividades ignoram fronteiras – se serviram do País como local de residência ou como base logística.

Lavagem de dinheiro é discreta

“A Suíça é um país calmo e estável e ao mesmo tempo uma forte praça financeira. Atrai todo tipo de gente e de grupos, inclusive extremistas”, comenta Jürg Bühler, do departamento de análise e prevenção da DFP.

Segundo Bühler, os extremistas tentam utilizar a praça financeira suíça e seus serviços de qualidade para lavar dinheiro. O fenômeno não é exclusivo à Suíça. Outros países europeus, em particular a Grã-Bretanha, enfrentam problemas semelhantes.

O especialista assinala, porém, que essas atividades criminosas têm pouco impacto sobre a própria Suíça. O País serve raramente de palco para atos violentos, como assassinato ou ataque a bancos.

Justiça

Segundo Jürg Bühler, a Suíça dispõe do arsenal legislativo necessário para combater o crime organizado. “Nossos serviços de segurança interna observam a situação e coletam constantemente dados sobre os grupos suspeitos”, explica o funcionário.

Ele cita, por exemplo, que em dezembro, por ocasião do “Heroes Day” (dia do herói) se proibiu aos Tigres tâmils de coletar fundos e fazer propaganda.

Bühler admite, no entanto, ser difícil a cooperação internacional no tocante à ajuda judiciária. Isso se explica por divergências de opinião com a União Européia sobre criminalidade “transfronteiriça”. E igualmente devido a certas incompatibilidades entre a legislação suíça e a de países menos desenvolvidos.

O funcionário da DFP observa também que os procedimentos suíços – freqüentemente longos e complicados – às vezes dificultam a ajuda judiciária.

Mas nesse domínio, novos poderes conferidos no início do ano às autoridades federais em matéria de crime organizado, criminalidade econômica, reciclagem de dinheiro e corrupção, devem contribuir para simplificar as medidas necessárias.

Não é base nem alvo para os terroristas

Segundo o relatório, não existe prova de que os autores dos atentados de 11 de setembro tenham utilizado a Suíça como base logística ou como local de treinamento.

Até agora, nenhuma estrutura terrorista aparentada à rede Al-Quaida foi identificada na Suíça. Ficou, no entanto, estabelecido que pelo menos um dos terroristas presumíveis – Mohamed Atta – transitou por Zurique dia 8 de setembro de 2001.

Jürg Bühler não acha que a Suíça possa se tornar alvo diretos de ataques por grupos islâmicos. Mas com provável aumento de atos terroristas no mundo, há o risco de ataques contra interesses estrangeiros na Suíça.

O mercado rendoso da droga

O mesmo Relatório sobre Segurança Interna consagra tradicionalmente um capítulo ao tráfico e consumo de drogas.

O resultado é que o comércio das drogas duras é geralmente controlado por grupos organizados, originários de Kosovo, Albânia, Macedônia ou África Ocidental. A maioria dos traficantes reside ilegalmente ou está registrada como requerentes de asilo.

No período (2001) o faturamento do trágico de drogas proibidas na Suíça é avaliado em 3 bilhões de francos, cerca de € 2 bi. O documento aponta ainda aumento de incidentes violentos, relacionados com o tráfico de drogas.

Apesar dos pesares, a DFP constata que a Suíça continua a ser um dos países mais seguros da Europa, embora o número de delitos tenha aumentado ligeiramente no ano passado.

swissinfo/Urs Geiser

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