The Swiss voice in the world since 1935
Principais artigos
Democracia suíça
Newsletter
Principais artigos
Debate
Newsletter

Suíços são campeões mundiais em colecionar figurinhas

Flo e Sabrina compram as primeiras figurinhas da Copa 2010 na estação ferroviária de Zurique. Keystone

Começou na madrugada desta sexta-feira (16/4) na Suíça a Copa 2010 para os colecionadores de figurinhas, "esporte" em que os suíços são campeões mundiais, com a compra de oito pacotes por habitante.

Sessenta milhões de pacotes foram vendidos no país alpino em 2006, quando a Alemanha, sede do mundial, ficou em primeiro lugar em números absolutos, com 170 milhões de pacotes vendidos – dois per capita.

“Contamos com um ano muito bom. Os suíços são um povo de colecionadores”, diz Heinz Füglister, gerente da Egli AG, que distribui na Suíça os álbuns e pacotes de figurinhas dos jogadores da Copa do Mundo na África do Sul, impressos pela empresa italiana Panini.

Pelo fato de a Suíça ser campeã mundial invicta nas vendas per capita de figurinhas, a Panini “honrou” o país com uma edição especial para a Copa 2010, como já fez na Eurocopa 2008, disputada na Suíça e na Áustria.

O álbum especial é decorado com a cruz-símbolo da Suíça, tem um design helvético e contém 20 figurinhas “suplementares” de jogadores suíços – a acréscimo em relação à edição internacional.

A previsão é que este ano sejam vendidos 800 mil álbuns e 250 milhões de figurinhas na Suíça. Considerando a população de 7,7 milhões de habitantes, isso é bem mais que em qualquer outro dos mais de 100 países do mundo onde as figurinhas são vendidas.

Abusando de um hobby suíço

A Fundação Suíça de Defesa do Consumir acusa a Panini de explorar a paixão dos suíços por colecionar. “Pelo fato de se colecionar muito na Suíça, cobra-se aqui um pouco mais pelas figurinhas que já são caras. Isso é injusto e merece cartão vermelho”, escreve a diretora da fundação, Sara Stalder, em seu blog.

A versão internacional não está à venda nas bancas suíças, embora as figurinhas sejam idênticas às da edição suíça. “Com isso, a Panini impede que se compre na Suíça as figurinhas internacionais um pouco mais baratas”, diz Stalder. Um pacote de figurinhas custa 1 franco na Suíça e 60 centavos no exterior.

“Isso não é uma grande diferença”, disse Ezio Bassi, responsável da Panini pelo mercado suíço, ao jornal Baselonline.ch. “A edição especial é um presente para nossos melhores colecionadores. Se fosse por dinheiro, também havia uma edição especial para a Alemanha, que, em números absolutos, compra quatro veze mais figurinhas do que a Suíça. Mas para os alemães não fizemos exceção.”

Ele explicou que, quem não quiser adquirir pacotes adicionais por causa das 20 figurinhas especiais, pode comprar 50 figurinhas diretamente da Panini, por 30 centavos cada.

Blatter também colecionava

O primeiro álbum com a seleção suíça foi publicado na Copa de 1994 nos EUA. Desde então, colecionar figurinhas tornou-se um culto no país. Até o presidente da Fifa, o suíço Josef Blatter, confessou ao jornal Blick.ch que era um colecionador apaixonado, mas largou o hobby por falta de tempo. “É fantástico que eu hoje possa lidar com essas estrelas.”

Sara Stalder observa que o negócio da Panini, que paga licença à Fifa, é estressante para as crianças e os jovens e castiga o bolso dos pais. “Comprar, colar, comparar, procurar figurinhas que faltam na internet ou bolsas de troca – para os pais, é uma brincadeira cara. Na melhor das hipóteses, um álbum completo (com 658 figurinhas) custa 135 francos. A probabilidade de que custe o dobro é grande, a não ser que se tenha um gênio de organização e troca em casa.”

Luta contra o mercado paralelo

A Panini tem outras preocupações. Sua fábrica em Módena parece “uma prisão de segurança máxima vigiada com câmeras de vídeo”, descreve o jornal Aargauer Zeitung. É que a empresa luta contra o comércio paralelo de figurinhas: “traficantes” as compram em países de preço baixo e as vendem em países de preço alto.

Para Estados com alto potencial de mercado paralelo, a Panini criou diferentes figurinhas da Copa 2010, especialmente para os países latino-americanos, os Bálcãs e a própria Itália. “Com isso, o negócio dos comerciantes ilegais não é mais tão interessante, porque eles só podem vender as figurinhas em seu país”, explicou uma funcionária da firma ao Aargauer Zeitung.

Para o período de março a maio, durante a produção para o Mundial na África do Sul, a Panini, que tem 460 funcionários em Módena e mais de mil no mundo, criou 100 empregos temporários. Com isso, são empacotados 48 milhões de figurinhas por dia em três turnos.

Geraldo Hoffmann, swissinfo.ch (com agências)

Fundada em 1961 em Módena, pelos irmãos Panini, com o lançamento da primeira coleção do Campeonato Italiano de Futebol, a empresa italiana não tem filial na Suíça, seu maior cliente, mas no Chile e no Brasil.

Em 1970, surgiu o primeiro álbum da Copa do Mundo; em 1980, o primeiro da Eurocopa.

Funcionários: 460 em Módena, mais de mil mundialmente.

Venda: em mais de 160 países.

Produção de figurinhas: 5 bilhões.

Faturamento: 765 milhões de francos em 2006.

Faturamento esperado em 2010: 1,06 bilhão de francos.

Mais lidos

Os mais discutidos

Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR