Como eleger um Papa
A eleição do novo Papa segue procedimentos seculares e bem detalhados. As regras foram revistas pelo Papa João Paulo II em 1996.
A eleição será realizada em duas ou três semanas. Dentre os cardeais com direito a voto, um deles é suíço: Henri Schwery.
A eleição ocorre durante uma assembléia de cardeais. Ela é denominada conclave, lembrança da época onde os cardeais permaneciam num recinto fechado até o momento em que o nome do sucessor pudesse ser comunicado (do latim “cum clave”, que significa com chave).
A participação no conclave é limitada a 120 cardinais, que não podem ter mais do que 80 anos de idade. Apenas o novo Papa pode ultrapassar a idade limite.
A Suíça dispõe de três cardeais: Henri Schwery, Gilberto Agustoni e Georges Cottier. Os dois últimos não poderão escolher o sucessor do Papa João Paulo II, pois têm mais de oitenta anos.
Maioria de dois terços
Os cardeais com direito a voto dispõem normalmente de nove dias para chegar a Roma.
Esses noves dias de reza (as novenas) serviam inicialmente para dar o tempo necessário à viagem dos cardeais, já que os meios de locomoção na época não eram tão desenvolvidos, assim como as estradas.
Durante o período de eleição, os cardeais se reúnem no Domus Sanctae Marthae (casa da Santa Marta), um prédio recentemente construído no interior do Vaticano. O local é mais confortável do que o Palácio Apostólico, onde ocorriam as eleições papais no passado.
Para ser eleito Papa, um cardeal deve receber pelo menos dois terços dos votos no enclave. A eleição é secreta e pode ocorrer até em trinta turnos.
Se nenhum candidato obtém a maioria necessária, o conclave faz uma pausa de vários dias. Depois a eleição é mais uma vez organizada, mas permitindo a escolha a partir da maioria absoluta.
Excomunhão em caso de uso de celular
No passado a maioria absoluta era permitida a partir do 13o turno da eleição no conclave. Porém o Papa João Paulo II modificou as regras em 1996 na nova constituição apostólica (Universi Dominici Gregis).
Outra mudança foi a abolição da possibilidade de eleger o novo Papa através de um pequeno conselho de cardeais, no caso em que dois candidatos tivessem o mesmo número de votos. Também a clausura dos participantes da eleição durante todo o tempo do conclave foi retirada das regras. A nova constituição preserva, porém, o segredo absoluto.
A utilização de telefones portáteis e outros meios de comunicação modernos pelos participantes do enclave é estritamente proibida sob pena de excomunhão. Técnicos da casa devem ao mesmo tempo impedir a presença de câmaras ou gravadores escondidos no recinto
O novo Papa
Logo que um candidato obtém a maioria necessária, os votantes lhe perguntam se aceita ou não a eleição. A partir do momento em que o “sim” é pronunciado, um novo Papa é nomeado oficialmente. A cerimônia de entronização ocorre alguns dias depois na basílica de São Pedro.
Tradicionalmente os fiéis são informados do resultado da eleição através de uma chaminé. A fumaça preta significa que os cardeais ainda não chegaram a um denominador comum. No caso da fumaça branca, eles sabem que um novo Papa acaba de ser escolhido.
A fumaça é obtida através da queima das cédulas eleitorais em cada turno. Ela se torna preta sempre quando as cédulas são misturadas com palha molhada.
Um Papa italiano?
Observadores experientes anunciam duas grandes tendências no Vaticano: o retorno de um Papa italiano ou a eleição de um latino-americano. Este iria representar o continente onde atualmente vive a maioria dos católicos no mundo.
Dois campos estão opostos – conservadores liberais – em temas polêmicos como o celibato de padres, gestão colegial da Igreja, diaconato de mulheres e a contracepção.
“A sucessão do Papa João Paulo II pode ficar com a Itália, caso os vinte cardeais desse país se decidirem por uma candidato”, asseguram algumas fontes no vaticano. Três nomes estão atualmente contados: os italianos Dionigi Tettamanzi e Angelo Scola, além do alemão Joseph Ratzinger.
O cardeal arcebispo de Milão, Tettamanzi, 70 anos de idade, é um dos grandes favoritos. “Sendo não apenas um pastor da Igreja, intelectual e político, ele era muito próximo do último Papa, o que lhe faz representar continuidade”, afirma a fonte.
Outro forte candidato é o cardeal de Veneza, Scola, 63 anos, considerado também “moderado”. Segundo os especialistas, sua candidatura estaria sendo apoiada pela Opus Dei, um poderoso grupo conservador nascido na Espanha.
O possível candidato Joseph Ratzinger, 77 anos, também um dos braços-direitos de João Paulo II, parece ter poucas chances. Ele é visto, dentro e fora da Igreja, como extremamente conservador.
Não existe direito adquirido
Fora da Europa, os cardeais favoritos para o trono do Santo Pontífice são o colombiano Castrillon Hoyos, 75 anos, chefe da Congregação do Clero, e os arcebispos de Tegucigalpa (Honduras) Oscar Andres Rodriguez Maradiaga, 62 anos, de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, 67 anos, e de São Paulo, Claudio Hummes, 70 anos.
A África também tem um candidato: o nigeriano Francis Arinze, 72 anos, chefe da Congregação para o Culto Divino. Dentre os pouco cotados, estariam o cardeal arcebispo de Viena Christoph Schönborn, 60 anos, e o cardeal indiano Telesphore Placidus Toppo, arcebispo de Anchi, 65 anos.
No Vaticano não existe direito adquirido. Os especialistas lembram que no momento da eleição de João Paulo II, o arcebispo de Cracóvia Karol Wojtyla era considerado fora do páreo. Ele foi eleito no terceiro turno em 16 de outubro de 1978, se tornando o primeiro papa não italiano dos últimos 495 anos.
swissinfo, Felix Münger
O conclave é constituído por, no máximo, 120 cardinais.
Os cardinais com mais de 80 anos não têm direito a voto.
A Suíça dispõe de um eleitor, o cardinal Henri Schwery.
A eleição é de trinta turnos.
O eleito deve obter uma maioria de dois terços.
Se em trinta turnos não são suficientes para eleger o Papa, o processo de maioria absoluta é utilizado.
– O conclave irá eleger o 266o Papa da história da Igreja.
– O mandato mais longo foi o de São Pedro, que dirigiu a Igreja de 30 a 64 ou 67 D.C. Porém a história não atesta esses dados.
– Historicamente o mandato mais longo foi o do Papa Pio IX: 11.559 dias, de 1846 a 1878.
– Com aproximadamente 27 anos de mandato, João Paulo II fica em terceiro lugar.
– O mandato mais curto foi o de Leão XI: 26 dias em 1605.
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