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Novo embaixador suíço prioriza parceria estratégica

Wilhem Meier durante entrevista à swissinfo, em Berna. swissinfo.ch

Em entrevista à swissinfo, o novo embaixador da Suíça no Brasil, Wilhelm Meier, afirma que sua principal missão é implementar o acordo de parceria estratégica, firmado em agosto passado entre Brasília e Berna.

Além disso, ele pretende apoiar empresas helvéticas que queiram investir em projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e dar uma atenção especial aos imigrantes suíços no Brasil.

Wilhelm Meier tem 30 anos de experíência na diplomacia suíça. Durante esse período, ele atuou em Berna, Bruxelas, Pequim e Moscou e foi embaixador em ex-repúblicas soviéticas e nos Bálcãs. Em Brasília, ele sucedeu a Rudolf Bärfuss, em 17 de outubro de 2008.

Meier já teve uma curta estadia no Brasil no final dos anos de 1970. Sua esposa, Gihane Meier, morou no Rio de Janeiro no início da mesma década. Em entrevista à swissinfo, o embaixador elogia a competência dos diplomatas brasileiros, que ele conheceu na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, entre eles, o atual ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

swissinfo: Qual é a imagem que o senhor tem do Brasil?

Wilhelm Meier: Eu nunca me permitiria descrever em poucas palavras a imagem e as expectativas que tenho em relação ao Brasil. É um país com inúmeras facetas; um país – ou seria melhor dizer um continente – que integra com facilidade um grande número de culturas e povos e lhes oferece uma pátria. O Brasil é um país que guarda muitos segredos. Alegro-me também pelo fato de, ao dar meus primeiros passos no Brasil, poder contar com amizades cultivadas há décadas com brasileiros. Também a colônia suíça será um grande apoio nesse sentido.

Qual é o interesse prioritário da Suíça no Brasil?

A Suíça e o Brasil têm relações amistosas há muitos anos. Precisa ser ampliada e aprofundada especialmente a cooperação nas áreas política, econômica, jurídica, ambiental, científica e tecnológica. Além disso, há de se fortalecer o diálogo sobre questões regionais e globais. Quero mencionar aqui a promoção da paz, a segurança internacional, o desarmamento, o direito humanitário internacional, os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável. Deve ser implementada uma parceria estratégica entre a Suíça e o Brasil. Para a realização desse objetivo, a ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, e seu colega de pasta brasileiro, Celso Amorim, assinaram em 14 de agosto de 2008 um “memorando de entendimento”.

Na área econômica, trata-se de facilitar o acesso de empresas suíças ao mercado brasileiro. Para as empresas suíças e brasileiras é urgente a conclusão do acordo para evitar a bitributação. A proteção mútua de investimentos também pode ser melhorada. O “acordo sobre fomento e proteção mútua dos investimentos” ainda não pôde entrar em vigor. Além disso, a conclusão de um acordo de livre comércio com a a Associação Européia de Livre Comércio (EFTA, na sigla em inglês)favoreceria tanto as empresas suíças quanto as brasileiras.

O que o senhor vai fazer para dar vida ao acordo de parceria estratégica Brasil-Suíça?

Dar vida a um acordo com metas tão ambiciosas representa um trabalho duro de equipe. Será necessário o empenho total das equipes dos dois países, para cumprir as metas definidas no memorando: por um lado, realmente fortalecer a cooperação entre a Suíça e o Brasil, e, por outro, coordenar as relações sobre uma base ampla e sistemática. Como mencionei, o memorando abrange muitas áreas. Tanto do lado suíço quanto do lado brasileiro, muitas instituições vão se ocupar futuramente da realização da parceria estratégica. Como representante da Suíça in loco, vou apoiar as instituições dos dois países para alcançar as ambiciosas metas.

No final de 1998, a Suíça propôs um estreitamento da cooperação com o Mercosul. Por que isso até hoje não deu resultados?

Desde a assinatura da declaração sobre cooperação entre a EFTA e o Mercosul, em meados de 2000, ocorreram vários encontros. O Brasil, um importante membro do Mercosul, parece primeiramente interessado na conclusão da Rodada de Doha. Os países da EFTA acompanham atentamente as negociações UE-Mercosul e, no momento oportuno, pretendem iniciar negociações sobre um acordo de livre comércio EFTA-Mercosul. Portanto, é preciso esperar a evolução da Rodada de Doha e das negociações UE-Mercosul.

A Suíça cobra a ratificação pelo Congresso Nacional brasileiro do acordo de promoção e proteção aos investimentos, assinado em 1994? O senhor fará pressão em Brasília nesse sentido?

O acordo de proteção aos investimentos com a Suíça é um dos muitos acordos do gênero que ainda não foram ratificados pelo Brasil. Quem deve e pode exercer pressão são especialmente os empresários brasileiros, que cada vez mais investem no exterior e estão interessados nesse tipo de acordo. A diplomacia, por sua vez, deve apostar na força de persuasão.

O senhor tem uma longa experiência de negociações na OMC. Como o senhor avalia o papel do Brasil nessa organização?

O Brasil desempenha um papel importante na OMC, e negociadores extremamente competentes representam os interesses brasileiros em Genebra. Também o Brasil ficou muito decepcionado com o fato de a Rodada de Doha ainda não ter sido concluída. Por causa da liberalização da agricultura, o Brasil tem interesse no sucesso da rodada de negociações. O Brasil tomou a iniciativa de criar o G20, uma coalizão de importantes países em desenvolvimento, que desempenha uma função determinante nas negociações. Diante dessa liderança do Brasil na OMC, é evidente que vou acompanhar atentamente a posição brasileira.

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e os preparativos para a Copa 2014 oferecem chances para investidores estrangeiros na área de infra-estrutura. Em que áreas os empresários suíços poderiam ou deveriam investir no Brasil?

O PAC agora entra na fase operacional. O programa já foi apresentado em várias cidades européias. Para empresas suíças, o PAC certamente é interessante. Primeiro, porém, elas precisam estudar o programa. As câmaras de comércio Suíça-Brasil e latino-americanas, em cooperação com a OSEC (Central Suíça de Fomento ao Comércio) e o Business Hub vão acompanhar o assunto. Até onde se pode avaliar no momento, há chances de mercado nas áreas de energia, transporte ferroviário e serviços financeiros. Quanto à Copa 2014, as experiências feitas por empresas suíças na Eurocopa 2008 com certeza são interessantes para o Brasil. Principalmente a área de segurança me parece promissora.

Qual é o papel que os imigrantes suíços no Brasil terão no seu trabalho de embaixador?

A colônia suíça no Brasil, com mais de 14 mil cidadãos, é importante para a Suíça. Com certeza, vou me ocupar da participação dessa colônia na vida política da Suíça. Os cidadãos suíços no Brasil estão integrados da melhor maneira possível e formam uma rede importante de representação dos interesses suíços. Alegro-se em poder encontrar a colônia suíça e será muito útil poder aproveitar as experiências que os suíços me puderem transmitir sobre o Brasil.

swissinfo, Geraldo Hoffmann

Wilhelm Meier nasceu em 1948, em Jona, no estado de St-Gallen (nordeste da Suíça).

É formado em Física pela Escola Politécnica Federal de Zurique.

Ingressou nos quadros do Ministério das Relações Exteriores em 1978, inicialmente como estagiário em Berna e Bruxelas (missão da Suíça na Comunidade Européia).

Em 1980, retornou à Berna para trabalhar na Secretaria Federal de Comércio Exterior (a atual Secretaria Federal de Economia, Seco).

A partir de 1984, foi secretário da embaixada suíça em Pequim, onde foi responsável pela área econômica.

Em 1988, foi transferido para Moscou, onde foi nomeado conselheiro da embaixada.

De 1990 a 1998, atuou na missão permanente da Suíça na OMC e EFTA, em Genebra.

A partir de 1998, foi ministro funcionário mais próximo do chefe da missão suíça em Moscou.

Em 2001, o Conselho Federal (Executivo suíço) o nomeou para o cargo de embaixador no Uzbequistão, Quirguistão e Tadjiquistão.

Desde 2004, foi embaixador suíço nas repúblicas da Sérvia e Montenegro, que, de 2003 a 2006, formavam um Estado federal.

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