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Alinghi quer próxima Copa América no Golfo Pérsico

Al Hamra Village, em Ras al-Khaimah, sede da próxima Copa América AC Management

A 33ª Copa América entre as equipes suíça Alinghi e a norte-americana Oracle deverá ser disputada a partir de 8 de fevereiro de 2010 nos Emirados Árabes Unidos.

É a primeira vez que a maior competição de vela do mundo, criada em 1851, está prevista para o Oriente Médio, conforme decisão anunciada pela defensora do título, nesta quarta-feira em Genebra.

“Temos o prazer de anunciar que Ras al- Khaimah, nos Emiratos Árabes Unidos, será o país-sede da 33ª America’s Cup”, declarou Fred Meyer, vice-comodoro da Sociedade Náutica de Genebra (SNG), que representa a Alinghi.

Segundo ele, trata-se de um lugar que oferece condições meteorológicas e de navegação perfeitas para um duelo em fevereiro. “As autoridades do país mostraram um tremendo interesse e apoio em acolher a America’s Cup e o país tem experiência em organizar eventos esportivos de primeiro nível, como competições de tênis, golfe e Fórmula 1”, acrescentou em nota publicada no site da Alinghi.

Após vencer a 32ª Copa América em 2007, em Valência, com sua equipe Alinghi, a SNG tinha o direito e, devido a uma decisão judicial, a obrigação de escolher até o próximo sábado a sede da próxima competição. Uma reedição em Valência havia sido descartada.

“Nossa prioridade absoluta na hora de tomar esta decisão foram as condições meteorológicas e a conseqüente segurança para ambas as equipes”, explicou Brad Butterworth, skipper da Alinghi.

Segundo ele, Ras al- Khaimah oferece uma excelente infraestrutura e condiciones meteorológicas parecidas às do Mediterrâneo, “o que é bom para este tipo de barcos (multicasco) e seguro para todos”.

O comunicado da Alinghi cita também uma declaração do xeque Saud Bin Saqr Al Qasimi, príncipe de Ras al- Khaimah, segundo o qual acolher a Copa América significa um “grande momento porque mostra como os Emirados se tornaram um centro de eventos internacionais. É um reflexo do que temos conseguido: transformar-nos em destino para turistas, comércio e indústria e reflete nossa integração no mundo.”

Ilha artificial

Ras al- Khaimah é um dos sete membros dos Emirados Árabes Unidos, no extremo norte dos EAU, com área de (1.700 km2) e população de aproximadamente 300 mil habitantes. A sede da Copa América ficará numa ilha artificial de 22 hectáreas, construída especialmente no lago de Al Hamra Village – um complexo de luxo com mais de 3.500 residências na costa de Ras al- Khaimah.

As edições anteriores da Copa América – mais antiga e mais famosa competição náutica – foram disputadas em Nova York, Newport/Rhode Island, Fremantle (Austrália), San Diego (EUA), Auckland (Nova Zelândia) e Valência (Espanha).

Numa briga judicial entre a Alinghi e a Oracle, um juiz de Nova York afirmou que a 33ª Copa América poderia ser disputada a partir de 8 de fevereiro em Valência “ou em qualquer outro lugar”. O dono da Alinghi, Ernesto Bertarelli, está convencido de que isso lhe deu liberdade de escolha.

No entanto, o Golden Gate Yacht Club (GGYC), ao qual pertence a equipe BMW Oracle Racing, anunciou em 28 de junho passado, em carta à SNG, que poderia contestar a escolha de Ras al- Khaimah.

É que a Alinghi ignorou um documento de 1887 referente às regras da Copa América (Deed of Gift), segundo o qual, durante os meses de inverno europeu, não podem ser disputadas regatas no hemisfério norte. “A Alinghi faz um jogo perigoso”, adverte o jornal suíço NZZ.

Alinghi 5 “vôa” para Gênova

O catamarã gigante Alinghi 5, construído para a disputa da 33ª Copa América, deixará Le Bouveret e o Lago de Genebra, na sexta-feira (7/8), rumo a Gênova e o Mar Mediterrâneo. Para o transporte aéreo será novamente usado um helicóptero russo Mi-26, o maior do mundo.

Após sua “aterrissagem” espetacular no Lago de Genebra, em 9 de julho passado, o Alinghi 5 voltou a ser uma atração no último sábado (1°/8). No feriado nacional suíço, cerca de 10 mil pessoas compareceram à apresentação do catamarã em Lausanne, onde recebeu a bandeira e o número de matrícula.

A ministra suíça das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, disse que o catamarã de alta tecnologia mostra ao mundo o que realmente representa a marca “Swiss made” e é um bom exemplo da cooperação entre esporte, economia e pesquisa de base. A chave do sucesso, no entanto, é a equipe multicultural, disse, segundo a agência de notícias esportivas SI.

Geraldo Hoffmann, swissinfo.ch (com agências)

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