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Milhares protestam no Afeganistão contra fraude na eleição presidencial

Milhares de manifestantes seguiram nesta sexta-feira para o palácio presidencial do Afeganistão, motivados por alegações do candidato Abdullah sobre a ocorrência de fraudes durante a eleição por parte de organizadores e autoridades públicas. 27/06/2014 REUTERS/Omar Sobhani reuters_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. junho 2014 - 15:14

Por Mirwais Harooni e Praveen Menon

CABUL (Reuters) - Milhares de furiosos manifestantes seguiram nesta sexta-feira para o palácio presidencial do Afeganistão, motivados por alegações do candidato Abdullah Abdullah sobre a ocorrência de grandes fraudes durante a eleição presidencial por parte de organizadores e autoridades públicas.

A disputa nas urnas, que colocou o ex-líder da Aliança do Norte contra o ex-ministro das Finanças Ashraf Ghani em 14 de junho, caiu em descrédito após a decisão de Abdullah de desistir da corrida.

O impasse reavivou as duradouras tensões étnicas no Afeganistão, porque a base de Abdullah é concentrada na população tajique, o segundo maior grupo étnico, ao passo que Ghani é pashtun, o maior grupo.

O embate também acontece em uma época perigosa, com a insurgência do Taliban ainda presente e a maioria das forças lideradas pela Otan se preparando para deixar o país no fim do ano.

Um membro da equipe de Ghani, o ex-candidato Daud Sultanzoy, disse nesta sexta-feira que, baseado em informação de observadores eleitorais, havia uma previsão de ele vencer com 1,2 milhão a 1,3 milhão de votos a mais do que Abdullah.

“Não estamos reivindicando nada, pois respeitamos a comissão eleitoral e esperaremos o anúncio oficial do vencedor”, disse ele. “No entanto, sabemos estar confortavelmente à frente”.

Os apoiadores de Abdullah marcharam pela capital Cabul e se reuniram em frente ao palácio presidencial. Abdullah acompanhou a bordo de uma caminhonete, agitando uma bandeira.

“Nosso adorado presidente é Abdullah Abdullah”, gritaram os apoiadores, com gritos adicionais culpando o atual presidente, Hamid Karzai, pelo impasse político. Karzai está constitucionalmente proibido de concorrer pela terceira vez.

Abdullah acusou Karzai, governadores de províncias e a polícia de cumplicidade em esforços para manipular a eleição.

Cerca de 15 mil pessoas participaram do protesto, de acordo com a polícia e testemunhas da Reuters. Algumas demonstraram indignação ao destruírem cartazes de Karzai e gritarem palavras de ordem contra o presidente e a comissão eleitoral independente.

“Queremos os mujahideen (guerreiros islâmicos) de volta. Não queremos tecnocratas e escravos de judeus e cristãos”, disse Badam Gul, um ex-combatente.

“Queremos justiça a qualquer custo. Houve fraude e isso é inaceitável para nós. Lutaremos por nosso direito até a última gota de sangue em nosso corpo.”

A marcha foi amplamente pacífica e bem coordenada pelos organizadores. A maior parte dos manifestantes se dispersou no final do dia.

Um alto representante da Organização das Nações Unidas no Afeganistão alertou para o risco de “prolongado confronto, com perigo de violência” em um relatório ao Conselho de Segurança na quarta-feira, e pediu que Abdullah retornasse ao processo eleitoral.

Abdullah apelou para que a ONU interviesse para salvar a eleição, solução também apoiada por Karzai.

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