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Caso Paula: reações na Suíça

Ampla cobertura do caso PVO na mídia helvética. swissinfo.ch

Depois que peritos revelaram que PVO não estava grávida e que pode ter feito os cortes em si mesma, imprensa helvética coloca a advogada brasileira no banco dos réus e critica comportamento da mídia brasileira.

Especialistas falam de “impostura”. Partido da direita nacionalista exige consequências caso seja provado falso testemunho, o que poderia custar o visto de permanência de Paula na Suíça.

Em alemão “Schadenfreude” é um termo que dificilmente se traduz diretamente para o português. Ele significa satisfação pelo sofrimento alheio. Ao ler as manchetes dos principais títulos da imprensa helvética no sábado essa é a primeira sensação. Elas refletem o que pessoas ouvidas nas ruas pela swissinfo também exprimem: indignação e surpresa pela forma como o caso de PVO foi tratado no Brasil.

“Crise internacional devido às mentiras de P”, titula o “Blick”. Sem esperar o relatório final da polícia de Zurique, o jornal populista, que tem uma das maiores tiragens do país, ressalta que a gravidez, o ataque e até o aborto não passaram de “fantasia” da brasileira. “Porém os brasileiros continuam enfurecidos”, indignam-se os autores da matéria.

Eles chegam até a citar um psiquiatra forense para interpretar a possíveis ações da brasileira. “Que uma jovem mulher se autoflagele é mais comum do que imaginamos. Essas pessoas só podem sentir-se causando dor a si mesmas”, avalia Josef Sachs em entrevista ao jornal.

Ele ainda vê problemas no relato feito por ela em que conta ter sido atacada por skinheads. “Isso se vê bastante em pessoas que sofrem de problemas psicológicos.” E ainda encontra motivos. “Essas deformações do caráter surgem bastante através de eventos traumáticos vividos na infância.”

Direita pede expulsão da Suíça

O “Tagesanzeiger”, jornal influente da Suíça alemã, leciona que o caso de P. pode ser visto como uma lição sobre a manipulação da mídia e que mostraria o grande interesse da sociedade em pessoas que sofrem de “borderline”, ou seja, um transtorno de personalidade. “O caso da brasileira mostra não apenas o desnível entre poder e impotência de uma cobertura midiática extensa, mas também que estamos tratando de um corpo feminino e, além de tudo, em gravidez e que teria sido abusado”, analisa o redator. Ele ainda prediz conseqüências graves para PO: “a mesma indignação popular pelo suposto ato de violência irá se voltar contra ela mesma”.

Como primeira reação, a União Democrática do Centro (UDC ou SVP, na sigla em alemão), partido da direita nacionalista da qual as iniciais estavam entalhadas no corpo da brasileira, já está exigindo conseqüências para P. e outras pessoas próximas, caso seja provado que ela deu falso testemunho. O partido ainda exige que ela mesma arque com as despesas das investigações e que as autoridades de imigrações retirem o seu visto de residência no país. “Os danos causados à Suíça pelas acusações infundadas justificam essas ações”, escreve o diretório estadual do partido de Zurique.

Para o “NZZ.ch” também as críticas feitas às autoridades e aos partidos suíços de serem xenófobas podem também levar os próprios suíços a se interessarem pelo grau de preconceito contra estrangeiros, neonazismo e anti-semitismo no Brasil. “Segundo estudos comparativos internacionais, o país tropical é considerado um dos Estados mais xenófobos do mundo – 72% dos seus habitantes são contra a afluência de estrangeiros”.

swissinfo, Alexander Thoele

O Transtorno de Personalidade Limítrofe (TPL), também conhecido como Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é definido como um transtorno de personalidade grave caracterizado por desregulação emocional, raciocínio “8 ou 80” (“branco e preto”, totalmente bom e totalmente mau) extremo ou cisão, e relações caóticas. (Wikipédia em português)

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