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Suíça é tradicional e moderna a olhos brasileiros

A colcha com mais de mil fuxicos junta as mulheres de Atitude e de Movimiento. swissinfo.ch

Há três anos que o sonho do grupo de mulheres Associação Movimento, de Belo Horizonte, Brasil, sonhava em conhecer a Suíça e isso se tornou realidade. Elas percorreram o país durante uma semana e regressaram ao Brasil com boas impressões.

A solidariedade tornou possível essa viagem. Membros do Grupo Atitude as hospedaram durante a estadia em
Berna e financiaram com a rifa de uma colcha de fusico 3 passeios.

Tudo começou em 2007, quando a brasileira Anna Paula Sardenberg esteve em Belo Horizonte, “onde minha alma ainda vive”, para visitar amigos. Ela foi acompanha por 12 amigas suíças com as quais visitou os projetos de Movimento.

As mulheres dessa associação quiseram retribuir a visita, porém não tinham recursos.

Posteriormente tiveram apoio do grupo Atitude, com o projeto Fuxico. “Em 2009 e 2010, sócias e amigas do grupo nos encontramos uma vez por mês para tecer uma colcha que rifamos para financiar uma pequena parte da viagem”, explica.

A ganadora da colcha, que tem mais de 2 mil peças de fuxico (artesanato de tecido), foi Christina Hausmann, uma das suíças que visitara o Brasil. A rifa foi dia 9 de setembro em Berna, em presença das mulheres de Belo Horizonte.

Uma delas, Beatriz de Assis Alves (51 anos), disse à swissinfo.ch que a viagem à Suíça lhe permitiu “conhecer outra cultura e adquirir experiências para melhorar a qualidade de vida, um dos objetivos do Movimento.”

Suíça respeita o patrimônio e as tradições

Essa terapeuta familiar ficou impressionada com a visita à fábrica de queijos Vacherin Mont-d’Or, que há mais de 100 anos produz de maneira artesanal no Vale de Joux, na região do Jura (oeste).

“Me surpreendeu a beleza do lugar, com muitas flores, o queijo muito gostoso e o trabalho familiar muito organizado. Uma pessoa nos mostrou a fabricação do queijo e os objetos utilizados há várias gerações.”

Beatriz salientou a transmissão do conhecimento e a experiência de pais e filhos. “Em Lucerna, onde chovia muito, me chamou a atenção a conservação do patrimônio: uma pote de madeiras antigas porém em bom estado, os muros da cidade velha e uma torre de pedras.”

Em Berna, capital suíça, descobriu “um mundo subterrâneo com restaurantes, cinemas e lojas. Transformaram os porões em ambientes agradáveis. No Brasil se dá pouca importância em registrar a memória do povo”, lamentou.


Mas a Suíça não é muito moderna

No bairro Elfenau, em Berna, as visitantes viram uma exposição de
Patchwork. “Era um trabalho sofisticado, muito bem feito. Voltaremos com a vontade de fazer trabalhos cada vez melhores, de qualidade. Isso é parte do crescimento pessoal”, opinou Beatriz.

Maria Isabel Alves da Silva (54 anos), ficou impressionada com a Suíça moderna. “O transporte é fantástico, pontual. Oxalá tivéssemos no Brasil essa organização, mas nossos governantes falam muito e fazem pouco.”

“A Suíça é bonita e limpa. Tem latas de lixo por toda parte e a arquitetura é uniforme. É um país com uma história interessante”, diz a professora primária aposentada que se hospedou em Berna em uma família suíço-brasileira.

“A mãe mora aquí há 16 anos, sente muita saudade do Brasil mas também gosta da Suíça, pois trabalhou e conquistou muitas coisas. Os filhos são muito suíços. Em geral, acho que os suíços são muito práticos para preparar a comida e verstir-se; tudo vai muito rápido, têm tudo planejado”, observou.

Maria Isabel foi embora com a impressão de que “os suíços são muito amáveis com os estrangeiros. Sem falar alemão, nos atenderam com seriedade; lamentei não saber a língua, não poder entendê-los sem u intérprete.”

Beatriz concorda come la: “os suíços se vestem de maneira prática e me pareceram muito simpáticos.” Em contrapartida, Magda Iannotta (54 anos) frisou ter tido pouco contato com suíços. “Dizem que são muito sérios e distantes, e nós muito alegres. Porém, isso é importante no intercâmbio.”

Magda disse que o mais lembrará da Suíça é “dos campos, das montanhas, os tons de verde, a água maravilhosa, o cuidado com a paisagem; e sua história, a seriedade, a pontualidade e o respeito aos pedestres.”

No Brasil, raramente cumprimos horários e compromisos, o que nos faz perder muito tempo. Com a disciplina suíça, nosso tempo se duplicaria. Porém no Brasil também tem coisas boas”, concluiu.


Trabalho voluntário dos dois lados do Atlântico

Andrea da Rocha (44 anos), no grupo Atitude há oito anos, sublinhou o trabalho voluntário das mulheres do Movimento. Ela também faz em Berna trabalhos não remunerados: produz e apresenta há 12 anos “Espaço Brasil”, uma programa mensal difundido pela Rádio Rabe.

Na InterRadional, uma redação intercultural da mesma emissora, reúne-se com seis pessoas de diferentes nacionalidades para discutir a política de migração. Além disso, é uma das coordenadoras para o Brasil da Anistia Internacional.

No Atitude faço voluntariado por paixão, diz Andrea. “Quero continuar a tarefa que há foi iniciada por um grupo de brasileiras em Berna. Eram mulheres que trabalharam no Brasil e tinham aceitado ficar em casa; queriam discutir a problemática do imigrante, saber como funciona a escola na Suíça ou onde reconhecer seus diplomas.”

“Queríamos projetar outra imagem”

Em sua opinião, “as fundadoras de Atitude conseguiram muito, principalmente respeito. Antes nos mostravam como um grupo que só fazia festas. Hoje temos outra imagem.”

Atitude tem 30 membros e atualmente faz menos atividade política e mais a difusão da língua e da cultura brasileira. “As mulheres têm filhos adultos, trabalham em período integral e não têm mais a preocupação de afirmar sua identidade.”

Um dos focos de ação desse grupo é Ponto de Encontro, um lugar para tomar café, informar-se e trocar ideias. Ali também está a única biblioteca em Berna com material em português.

Agora que Atitude reforçou seus vínculos com Movimento, o intercâmbio vai continuar. As mulheres do Movimento regressaram com a ideia de preparar-se para receber as “bernesas” em Belo Horizonte.

Foi formado em abril de 1995 em Berna com o objetivo de realizar trabalhos voluntários que contribuissem para a integração e a valorização da mulher brasileira na sociedade suíça. Um ano depois o grupo se oficializou como associação.

Em 2002 o Grupo Atitude foi o vencedor do “Prêmio Social da Cidade de Berna” atribuído para grupos ou pessoas que desempenharam papel significativo na sociedade através de trabalho voluntário.

Objetivos de Atitude:
– Estimular a participação da mulher brasileira dentro da sociedade suíça, visando a sua integração e igualdade de direitos.
– Estimular a autoconfiança e promover a conscientização do valor e do papel da mulher na sociedade, na política e no trabalho, auxiliando-a na defesa de seus interesses.
– Desenvolver formas de apoio solidário.
– Promover a cultura e costumes brasileiros e a mudança da visão estereotipada do migrante e principalmente da mulher brasileira.
– Promover o contato com outros grupos afins na Suíça e no exterior.

É uma associação de promoção humana para adultos e idosos.
Foi fundada Belo Horizonte em novembro de 1999
Movimento acredita na arte do encontro que pode nos fortalecer e apontar alternativas saudáveis no aprendizado diário para viver melhor.
Áreas de trabalho: terapia familiar, casal e individual; grupos terapêuticos, encontros de convivência, gerenciamento de saúde (Ortomolecular / Fitoterapia), Reiki, Reflexologia, oficinas de alfabetização para adultos, cursos e oficinas de trabalhos manuais. Bazar, oficinas de capacitação para convivência na diversidade e redução de preconceitos (NCBI).
Inicialmente queriam participar da viagem à Suíça 30 mulheres, mas só p seis mulheres e dois homens. O grupo viajou para Portugal, Alemanha, Áustria, Itália e Suíça

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