The Swiss voice in the world since 1935
Notícias do Brasil, Portugal e África lusófona

O que diz a imprensa suíça?

Duas pessoas se beijando com as cores do arco-íris no fundo
Duas pessoas se beijando durante a Marcha do Orgulho Gay em Brasília, Brasil, em 09 de julho de 2023. Keystone

Nesta semana, de 28 de outubro a 3 de novembro, vasculhamos a imprensa suíça para dar uma visão geral das notícias mais importantes relacionadas ao Brasil, Portugal e África lusófona.

Genebra e Neuchâtel debatem sobre a baixa participação política dos migrantes espanhóis e portugueses

Um estudo investigou a baixa participação política das comunidades espanhola e portuguesa nos cantões suíços de Genebra e Neuchâtel e propôs ações para melhorar a situação nas eleições municipais de 2025. As taxas de votação destas comunidades são consideravelmente mais baixas do que as dos cidadãos suíços, com apenas 17% dos espanhóis e 13% dos portugueses exercendo seu direito de voto. O Conselheiro Estadual de Coesão Social, Thierry Apothéloz, expressou sua preocupação e o desejo de implementar mudanças para fortalecer a democracia, considerando esses dados alarmantes.

As comunidades ibéricas sentem-se desconectadas do sistema político suíço e relatam um fraco sentido de pertencimento, agravado por experiências de instabilidade de emprego e moradia, e por percepções de discriminação. Essa alienação é reforçada por um legado de ceticismo político de seus países de origem. Como resposta, o estudo sugere medidas como a formação de conselhos de moradores e a promoção de políticos imigrantes como embaixadores do sistema político. Alfonso Gomez, prefeito de Genebra, defende mais direitos de voto e elegibilidade para estrangeiros, alinhando-se com a iniciativa “Uma vida aqui, um voto aqui”, que será votada em 2024, refletindo esforços para integrar melhor essas comunidades na vida política local.

Fonte: Le Temps – 02.11.2023Link externo (em francês)

Criminalidade: governo brasileiro envia Exército para aeroportos e portos

Para intensificar a luta contra as milícias criminosas e o tráfico de drogas, o governo brasileiro decidiu enviar soldados a diversos aeroportos e portos nacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou essa medida através de um decreto assinado na última quarta-feira, estabelecendo uma operação integrada para erradicar o crime organizado, conforme declarou em uma declaração na plataforma X. O decreto estipula que as forças armadas darão suporte à polícia federal, focando especialmente nas áreas metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo, mobilizando um contingente total de 3.700 militares do exército, força aérea e marinha. Este movimento vem em resposta ao recente aumento de crimes violentos no país.

Lula, ao comentar sobre a situação, destacou a gravidade do cenário de violência que se intensifica a cada dia. Na última semana, a cidade do Rio de Janeiro foi palco de um ataque incendiário a 35 ônibus, em represália à morte de um membro influente da maior milícia local, pelas forças policiais. As milícias, compostas por policiais (tanto ativos quanto ex-membros), estão envolvidas em tráfico de drogas e esquemas de proteção ilícita. O homem falecido era sobrinho de Luis Antônio da Silva Braga, mais conhecido como Zinho, chefe da milícia em questão. As autoridades acreditam que os incêndios foram um ato de retaliação. O governador do estado afetado solicitou apoio federal para combater as milícias e o crime organizado, e a operação militar está prevista para durar até maio do ano seguinte, podendo ser prorrogada se necessário.

Fonte: Watson – 02.11.2023Link externo (em alemão)

Autoridades investigam morte do líder indígena Tymbektodem Arara no Brasil

A morte de Tymbektodem Arara, um líder indígena brasileiro, está sob investigação após ele ter exposto casos de desmatamento e invasão em terras indígenas durante um pronunciamento no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, conforme divulgado pela polícia na terça-feira. No dia 28 de setembro, Tymbektodem havia denunciado à ONU as violações sofridas pelo povo Arara, mencionando mais de 2.000 invasões nas terras protegidas de Cachoeira Seca, localizadas no norte do Pará. Durante a 54ª sessão do Conselho em Genebra, ele reivindicou respeito e proteção às vidas e ao território de seu povo.

Após 16 dias de seu pronunciamento na ONU, o corpo de Tymbektodem foi encontrado no rio Iriri, no Pará, apresentando sinais de afogamento, de acordo com relatos da mídia local. A ONG Conectas Direitos Humanos destacou que o líder indígena tinha aproximadamente 40 anos. Tymbektodem havia alertado que as invasões em seu território eram uma consequência direta da instalação da hidrelétrica de Belo Monte, inaugurada em 2016. O território indígena de Cachoeira Seca, margeado pelo rio Iriri e ocupado por 88 membros do povo Arara, estende-se por uma área de 7.340 km², segundo dados do Instituto Socioambiental.

Fonte: Le Temps – 01.11.2023Link externo (em francês)

Brasileiros LGBT são mais bem recebidos na Igreja do que na sociedade

A comunidade LGBT católica no Brasil tem experimentado uma integração crescente com a Igreja, recebendo mais apoio desta do que da sociedade em geral. A Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT, que atualmente possui 23 grupos em 10 estados e dois grupos online, tem trabalhado para fortalecer sua presença e participação na vida eclesial. Apesar de não fazerem parte dos conselhos leigos diocesanos locais, conseguiram se tornar membros do Conselho Nacional do Laicato em agosto de 2022, um passo significativo para a inclusão.

A relação entre a Rede LGBT e a Igreja tem se fortalecido, evidenciada por uma reunião histórica com líderes da Conferência Episcopal em agosto de 2023. Durante o encontro, discutiram-se possíveis avanços, incluindo a criação de uma comissão episcopal para acompanhar a Rede, e a possibilidade de os grupos locais se juntarem aos conselhos diocesanos. Esse progresso tem sido impulsionado pelo chamado do Papa Francisco por uma “Igreja aberta”, o que gerou um clima de aceitação e tolerância, permitindo que a Rede participasse de eventos significativos da Igreja.

No entanto, a situação é diferente na sociedade e na política brasileira, onde a Rede LGBT tem enfrentado resistência significativa, especialmente de grupos fundamentalistas cristãos no Congresso, conhecidos como “bloco cristão”. Esses grupos têm atuado ativamente para restringir os direitos LGBT, inclusive tentando passar uma lei para proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A ascensão do conservadorismo no Brasil, particularmente durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, contribuiu para um ambiente de intolerância, afetando tanto a sociedade quanto, em certo grau, a própria Igreja Católica.

Fonte: cath.ch – 30.10.2023Link externo (em francês)


>> últimas notícias:

Governo suíço propõe ajuda de CHF 90 milhões para a região do Oriente Médio

O Exército suíço deve manter sua força militar atual, diz o governo

Remessas ilegais de medicamentos interceptadas na Suíça

O transporte ferroviário de cargas enfrenta grandes desafios na Suíça

Maioria desaprova a inteligência artificial na produção de notícias


Participe do debate da semana:

Mostrar mais

Debate
Moderador: May Elmahdi Lichtsteiner

Como obter informações confiáveis sobre a guerra entre Israel e Palestina?

Como você se informa sobre os conflitos mundiais e garante a confiabilidade das informações recebidas?

10 Curtidas
139 Comentários
Visualizar a discussão

Se você tem uma opinião, crítica ou gostaria de propor algum tema, nos escreva. Clique AQUI para enviar um e-mail.

Publicaremos nossa próxima revista da imprensa suíça em 10 de novembro. Enquanto isso, tenha um bom fim de semana e boa leitura!

Até a próxima semana!

Mostrar mais
Conteúdo externo
Não foi possível salvar sua assinatura. Por favor, tente novamente.
Quase terminado… Nós precisamos confirmar o seu endereço e-mail. Para finalizar o processo de inscrição, clique por favor no link do e-mail enviado por nós há pouco
Nossa newsletter sobre o que a imprensa suíça escreve sobre o Brasil, Portugal e a África lusófona.

Um resumo das notícias e opiniões mais recentes publicadas em jornais, revistas e portais da Suíça.

Toda semana

A política de privacidade da SRG SSR oferece informações adicionais sobre o processamento de dados. 

Mais lidos

Os mais discutidos

Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR