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Bolsonaro, TikTok, tragédia na Suíça e cartéis: o que a imprensa suíça disse sobre o Brasil e o mundo lusófono 

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Investigadores examinam a carroceria carbonizada do ônibus. Keystone/Swissinfo

Da decisão da Justiça brasileira que barrou a visita de um assessor de Donald Trump a Jair Bolsonaro às críticas do governo brasileiro ao TikTok por vídeos misóginos, passando pela morte de um motorista português no incêndio de um ônibus na Suíça e pela ofensiva de Trump contra cartéis na América Latina — veja os temas ligados ao Brasil, Portugal e ao mundo lusófono que ganharam destaque na imprensa suíça nesta semana.

Nesta semana, reuni algumas reportagens publicadas na imprensa suíça que mencionam o Brasil, Portugal e o mundo lusófono. Há temas políticos, como a situação de Jair Bolsonaro e a pressão do governo brasileiro sobre o TikTok, além de questões internacionais e até uma tragédia ocorrida na Suíça que também repercutiu em Portugal. É um pequeno recorte de como esses países aparecem no noticiário suíço. 

Tragédia de ônibus em Chiètres choca a Suíça e mobiliza Portugal

A imprensa suíça deu amplo destaque ao incêndio de um ônibus postal em Chiètres, no cantão de Friburgo, que deixou seis mortos e cinco feridos. Entre as vítimas está o motorista do veículo, um cidadão português de 63 anos. O caso também repercutiu em Portugal e continua sendo investigado pelas autoridades suíças.

Segundo o jornal Le Matin, a polícia cantonal de Friburgo confirmou que o motorista do ônibus morreu no incêndio criminoso ocorrido no início da noite de terça-feira. Em comunicado, La Poste Suisse prestou homenagem ao funcionário.

“La Poste está profundamente abalada pela perda de um colega muito estimado”, afirmou a empresa, acrescentando que mantém contato com a família da vítima e que expressa suas condolências. O diretor da empresa de ônibus postais, Stefan Regli, declarou que toda a direção e os funcionários da empresa estão “profundamente comovidos com a perda de nosso querido colega”.

A tragédia também teve forte repercussão em Portugal. O presidente português, António José Seguro, manifestou solidariedade à família da vítima e enviou condolências ao presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, além de desejar pronta recuperação aos feridos.

O tabloide Blick destacou declarações do procurador-geral do cantão de Friburgo, Raphaël Bourquin, segundo o qual o incêndio foi provavelmente um ato premeditado. Ainda assim, ele afirmou que é impossível evitar completamente esse tipo de tragédia. “Há muitas medidas de prevenção em vigor, mas infelizmente não podemos controlar tudo”, disse.

De acordo com o procurador, o suspeito entrou no ônibus com um líquido inflamável e um isqueiro, o que indica que havia planejado o ataque com antecedência.

Já o jornal 24 Heures revelou novos detalhes sobre o autor do incêndio, identificado como um suíço de 65 anos que vivia sozinho em um trailer havia vários anos. Segundo o jornal, o homem levava uma vida cada vez mais isolada e enfrentava problemas financeiros e de saúde.

Na noite do ataque, ele teria ateado fogo ao próprio corpo dentro do ônibus postal da linha 122, perto da estação de Chiètres. As chamas se espalharam rapidamente pelo veículo. Seis pessoas morreram, incluindo o motorista e o próprio autor do incêndio, e cinco ficaram feridas, três delas hospitalizadas.

O drama provocou grande comoção na Suíça. Autoridades e moradores prestaram homenagens às vítimas com cerimônias, flores e minutos de silêncio, enquanto as autoridades continuam investigando os motivos que levaram ao ataque.

Fonte: Le MatinLink externoBlickLink externo24 HeuresLink externo, 13.03.2026 (em francês) 

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Vista do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Keystone

Justiça brasileira barra visita de assessor de Trump a Jair Bolsonaro na prisão

A imprensa suíça repercutiu nesta semana a decisão da Justiça brasileira de impedir que um assessor do presidente americano Donald Trump visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. Os jornais destacam o temor das autoridades brasileiras de uma possível interferência estrangeira na política do país em pleno ano eleitoral.

Segundo o jornal Le Matin, a Justiça brasileira voltou atrás na autorização concedida a Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos para assuntos ligados ao Brasil, que pretendia visitar Bolsonaro no dia 18 de março.

A decisão foi tomada pelo juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que havia concedido a permissão dois dias antes, mas decidiu revogá-la após um alerta do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

O Itamaraty afirmou que o visto concedido a Beattie tinha como objetivo apenas permitir sua participação em um fórum sobre minerais críticos e em reuniões oficiais com autoridades brasileiras. Segundo documento citado pelo tribunal, a visita de “um agente público estrangeiro a um ex-presidente da República durante um ano eleitoral poderia constituir uma interferência indevida nos assuntos internos do Estado brasileiro”.

O jornal La Liberté também destacou o episódio, lembrando que Darren Beattie, integrante do governo Trump, já expressou simpatia por Jair Bolsonaro, condenado em setembro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Com eleições presidenciais previstas para outubro, a imprensa suíça observa que Bolsonaro continua sendo uma figura central da política brasileira, mesmo após a condenação. O ex-presidente indicou seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, como candidato da direita para enfrentar o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fonte: Le MatinLink externoLa LibertéLink externo, 13.03.2026 (em francês) 

Governo brasileiro cobra explicações do TikTok sobre vídeos misógino

A imprensa suíça também destacou a pressão do governo brasileiro sobre o TikTok após a circulação de vídeos misóginos que simulavam agressões contra mulheres. As autoridades exigiram explicações da plataforma sobre seus mecanismos de moderação e recomendação de conteúdo.

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Segundo o jornal La Liberté, o Ministério da Justiça do Brasil enviou uma carta ao TikTok exigindo esclarecimentos sobre os processos usados para detectar e remover conteúdos misóginos. A medida foi tomada após vídeos que simulavam agressões contra mulheres se tornarem virais nas redes sociais.

Os vídeos circularam amplamente nas proximidades do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Nas imagens, homens aparecem chutando, socando e até esfaqueando manequins que representam mulheres. As legendas que acompanham as publicações reforçavam a violência, com frases como “treinar caso ela diga não”.

O governo brasileiro pediu ainda que a plataforma explique como funciona seu algoritmo de recomendação e informe se os perfis que divulgaram esses vídeos receberam algum tipo de remuneração. O TikTok tem cinco dias para responder às autoridades.

A emissora RTN destacou que, segundo o Ministério da Justiça, as obrigações da plataforma vão além de simplesmente retirar conteúdos denunciados pelas autoridades. O governo lembrou que uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal ampliou a responsabilidade civil das redes sociais, exigindo que elas atuem de forma proativa diante de conteúdos que representem crimes contra as mulheres.

A polícia brasileira abriu uma investigação e identificou ao menos quatro perfis que publicaram esse tipo de conteúdo, que se tornou tendência sob a hashtag “caso ela diga não”. A Ordem dos Advogados do Brasil alertou que os vídeos podem configurar incitação ao feminicídio, à violência física e à violência psicológica.

Em resposta à agência AFP, o TikTok informou que as publicações já foram retiradas da plataforma e que suas equipes continuam trabalhando para identificar eventuais conteúdos ilegais relacionados ao tema.

Segundo dados citados pela imprensa suíça, o Brasil registrou 1.518 mulheres assassinadas em 2025 — o maior número desde que o crime de feminicídio foi reconhecido na legislação brasileira, há cerca de dez anos.

Fonte: La LibertéLink externoRTNLink externo, 11.03.2026 (em francês) 

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Trump anunciou a criação da coalizão durante o encontro chamado “Escudo das Américas”, realizado em seu clube de golfe em Miami e que reuniu 12 líderes latino-americanos. Copyright 2016 The Associated Press. All Rights Reserved. This Material May Not Be Published, Broadcast, Rewritten Or Redistribu

Imprensa suíça destaca coalizão militar lançada por Trump contra cartéis na América Latina

A imprensa suíça repercutiu o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar uma coalizão militar com países da América Latina para combater cartéis do narcotráfico. A iniciativa, apresentada em um encontro realizado em Miami, prevê até mesmo o uso de armamento pesado contra organizações criminosas.

Segundo a emissora pública RTS, Trump anunciou a criação de “uma nova coalizão para erradicar os cartéis criminosos que infestam nossa região”. O anúncio foi feito durante o encontro chamado “Escudo das Américas”, realizado em seu clube de golfe em Miami e que reuniu 12 líderes latino-americanos.

Entre os participantes estavam o presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele. O presidente americano chegou a sugerir o uso de mísseis contra os cartéis, descrevendo o narcotráfico como um “câncer” que precisa ser eliminado.

O jornal Tribune de Genève destacou que três países importantes da região não participaram do encontro: México, Brasil e Colômbia. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente colombiano, Gustavo Petro, todos de orientação política progressista, ficaram fora da iniciativa.

Especialistas citados pela imprensa alertam que a ausência de países-chave pode limitar a eficácia da coalizão. Irene Mia, analista do International Institute for Strategic Studies, afirmou que será difícil enfrentar o crime organizado sem a participação de México e Brasil.

Durante o encontro, Trump também voltou a fazer declarações duras contra Cuba, afirmando que o regime da ilha “vive suas últimas horas”. O presidente cubano, Miguel Díaz‑Canel, reagiu classificando a reunião realizada na Flórida como um encontro “neocolonial”.

Segundo a imprensa suíça, o encontro também reflete a tentativa dos Estados Unidos de reafirmar sua influência na América Latina diante do avanço da China na região. A iniciativa foi apresentada como parte da chamada “doutrina Donroe”, uma referência à histórica Doutrina Monroe, que no século 19 definia o continente americano como área de influência dos Estados Unidos.

Fonte: RTSLink externo, 08.03.2026 & Tribune de GenèveLink externo, 07.03.2026 (em francês) 

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