Disputa entre Fifa e Uefa revela guerra pelo comando do futebol mundial
O último gol da Copa do Mundo de 2026 foi batido há semanas, mas uma disputa de poder nos bastidores ameaça abrir uma nova crise na Fifa. Esta e outras notícias na nossa revista de imprensa da semana.
O jogador Lionel Messi já está falando em aposentadoria e o treinador da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, já dá sinais de que seu ciclo à frente da Seleção Brasileira poderá terminar antes da Copa do Mundo de 2030. Mas na imprensa suíça especula-se bastante sobre a crise institucional entre a Federação Internacional de Futebol (FIFA) e diversas federações ao redor do mundo.
Sob pressão de dirigentes europeus e alvo de acusações sobre a condução de um projeto comercial da entidade, Gianni Infantino enfrenta uma ofensiva que vai muito além de questões de governança: expõe a velha batalha por dinheiro, influência e pelo controle dos rumos do futebol mundial. Leia o nosso resumo abaixo.
Ajude-nos a melhorar a nossa revista de imprensa
Como leitor(a) da nossa revista de imprensa semanal, sua opinião é muito importante. Reserve dois minutos para responder a uma breve pesquisa e nos ajudar a aprimorar o nosso jornalismo. A pesquisa é anônima e todos os dados são confidenciais.
Lobby da carne no acordo de livre comércio com a América do Sul
A jornalista Charlotte Jacquemart, do canal público suíço de rádio e televisão SRF, aborda o acordo de livre comércio entre os países da EFTA e do Mercosul, tema que será discutido hoje no Conselho dos Estados, o Senado Federal da Suíça. O texto ressalta a importância estratégica do comércio exterior para a economia suíça, altamente dependente das exportações e, portanto, de um acesso estável e competitivo a mercados internacionais.
Mostrar mais
O que é preciso saber sobre o acordo UE-Mercosul
O principal impasse está no setor agrícola. Enquanto a Federação Suíça dos Agricultores, especialmente representantes ligados à produção de carne, rejeita o acordo, produtores de leite enxergam no Mercosul uma oportunidade importante para ampliar suas exportações. Com cerca de 270 milhões de consumidores potenciais, o bloco sul-americano poderia absorver parte do excedente da produção láctea suíça.
A Suíça já celebrou 35 acordos nos últimos anos. Entre eles, acordos com economias gigantes como a China e a Índia.
Em grande parte graças a esses acordos de livre comércio, a Suíça tem conseguido aumentar constantemente a exportação de bens e serviços desde o ano 2000. De 50% do produto interno bruto (PIB) para quase 80% atualmente.
Com consequências positivas para o mercado de trabalho: poder exportar para o mundo sem obstáculos administrativos, mas com segurança jurídica, garante empregos na Suíça. Recentemente, a Suíça negociou, assinou ou já aprovou acordos de livre comércio com o Chile, o Kosovo, a Tailândia, a Ucrânia, a Malásia, Cingapura, o Vietnã, o Reino Unido e os países do Mercosul.
Jacquemart também destaca a preocupação da indústria suíça com a perda de competitividade caso o acordo não avance. Representantes empresariais alertam que barreiras tarifárias podem reduzir exportações, investimentos e empregos, enquanto concorrentes europeus passam a contar com condições comerciais mais favoráveis. A discussão no Senado suíço deverá, assim, colocar frente a frente os interesses da agricultura e a necessidade de preservar a competitividade internacional da economia do país.
Mostrar mais
Mercosul provoca racha entre empresários e agricultores suíços
Fonte: srf.ch, 13.08.2026Link externo (alemão)
Europeus ricos defendem seus privilégios
O artigo foi escrito por Philipp Gut, editor do semanário suíço Weltwoche, de orientação conservadora, e analisa a crescente disputa de poder em torno da FIFA e de seu presidente, Gianni Infantino. Segundo Gut, a crise deixou de ser apenas uma controvérsia administrativa e passou a representar um confronto aberto entre diferentes centros de poder do futebol mundial.
O estopim foi o projeto, posteriormente abandonado, de transferir parte das atividades comerciais da FIFA para uma subsidiária nos Estados Unidos, a Fifa Forward Enterprise, que poderia receber participação minoritária de investidores privados. A proposta provocou forte reação, sobretudo da UEFA, que passou a questionar a condução de Infantino e a levantar dúvidas sobre governança, transparência e os rumos econômicos da entidade.
Gut, porém, interpreta essas críticas principalmente como expressão de uma disputa por poder e recursos. Em sua visão, grandes federações e clubes europeus procuram preservar privilégios históricos e sua predominância econômica, enquanto Infantino tenta ampliar a presença e os investimentos da FIFA em outras regiões do mundo, além de aumentar a participação de países de fora da Europa nas grandes competições.
O artigo também sustenta que vazamentos seletivos de informações internas teriam contribuído para intensificar a crise e enfraquecer Infantino. Gut sugere que setores próximos à UEFA podem estar articulando uma mudança na liderança da FIFA, embora avalie que o presidente ainda conte com apoio significativo entre muitas das federações nacionais que integram a entidade.
Mostrar mais
Por que a Suíça se juntou à FIFA, aliada de Trump, para financiar campos de futebol na Palestina
Nesse contexto, a disputa interessa especialmente ao Brasil, por se tratar de uma das maiores potências do futebol e por sua federação nacional ter peso relevante no sistema político da FIFA. Em um embate que envolve a relação entre Europa e outras regiões do mundo, o posicionamento de federações influentes como a brasileira pode ter importância na formação de alianças, na sustentação ou oposição a Infantino e, em última instância, na definição do futuro equilíbrio de poder dentro do futebol mundial.
Fonte: weltwoche.ch, 13.08.2026Link externo (alemão)
Por que, apesar das riquezas naturais, Bolívia e Venezuela ainda têm tanta pobreza…e o Brasil, não?
O artigo foi escrito por Alexander Busch, correspondente que vive há muitos anos no Brasil, para o Neue Zürcher Zeitung (NZZ), considerado o jornal de maior prestígio da Suíça. Busch parte do contraste entre a enorme riqueza mineral e energética da América do Sul e os resultados econômicos muito diferentes obtidos pelos países da região. Venezuela e Bolívia aparecem como exemplos de fracasso: apesar das vastas reservas de petróleo, gás, lítio e outros minerais, permaneceram entre os países mais pobres do continente, situação que o autor atribui menos a uma suposta “maldição das matérias-primas” do que à baixa qualidade das instituições, à estatização excessiva, à corrupção e ao uso político das receitas dos recursos naturais.
Em contraposição, Busch destaca Chile, Brasil e Peru como exemplos de países que conseguiram aproveitar melhor suas riquezas. O Chile criou mecanismos para poupar parte das receitas extraordinárias do cobre; o Peru manteve um ambiente relativamente estável para investimentos em mineração; e o Brasil, apesar de crises políticas e do escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras, continuou desenvolvendo a exploração de petróleo em águas profundas e se consolidou como um grande produtor mundial. A conclusão central é que a existência de recursos naturais, por si só, não determina prosperidade ou pobreza: o fator decisivo é a capacidade das instituições de administrar essas riquezas de maneira produtiva e duradoura.
O tema tornou-se ainda mais relevante devido à crescente competição entre China, Estados Unidos e Europa pelas matérias-primas estratégicas da América Latina, região que possui parcelas expressivas das reservas e da produção mundial de cobre, lítio, petróleo, gás e outros minerais essenciais. Busch observa ainda uma mudança política favorável à maior participação do capital privado em diversos países sul-americanos, citando especialmente a Argentina de Javier Milei. Para o autor, a América Latina vive uma oportunidade excepcional de transformar sua abundância de energia e recursos minerais em desenvolvimento, mas seu sucesso continuará dependendo sobretudo da qualidade das instituições, da segurança para investimentos e da forma como os governos administrarem essa riqueza.
Fonte: nzz.ch, 13.08.2026Link externo (alemão)
O Brasil diante do El Niño: Quando o desmatamento transforma um país em uma armadilha climática
O artigo, publicado em diversos veículos da imprensa suíça, entre eles o jornal 24 Heures e o portal Watson, aborda um tema de relevância global: o avanço do desmatamento na Floresta Amazônica e no Cerrado e seus efeitos sobre a vulnerabilidade climática do Brasil. Segundo dados da rede MapBiomas, o país perdeu, em quatro décadas, uma área de vegetação nativa equivalente a duas vezes o território da França.
O estudo mostra que a substituição de florestas e outras formações naturais por pastagens e áreas agrícolas pode intensificar os efeitos de fenômenos como o El Niño. Na Amazônia desmatada, por exemplo, a redução das chuvas tende a ser mais acentuada do que nas áreas preservadas, enquanto no sul do país regiões agrícolas podem sofrer excesso de precipitações.
A explicação está ligada, entre outros fatores, à perda da capacidade da vegetação de regular temperatura e umidade. Na Amazônia, o desmatamento reduz a evapotranspiração, aquece o ambiente e diminui a umidade disponível para a formação de chuvas. O El Niño não é provocado por essas mudanças no uso do solo, mas pode amplificar seus impactos, tornando secas, incêndios e inundações mais severos.
Mostrar mais
O que as temperaturas da primavera suíça revelam sobre o clima
A preocupação também é econômica. Um El Niño particularmente forte pode afetar algumas das principais culturas agrícolas brasileiras, como soja, café e açúcar, além de aumentar riscos para populações e ecossistemas. Por isso, a preservação da Amazônia e do Cerrado aparece no artigo não apenas como uma questão ambiental brasileira, mas como parte de um problema climático com consequências internacionais.
Fonte: 24heures.chLink externo, watson.chLink externo, 12.08.2026 (francês)
>>Outros assuntos noticiados na Suíça:
Brasileiro cai no túnel dos jogadores ao comemorar um golLink externo (10/08)
Desmatamento na Amazônia atinge o menor nível em dez anos Link externo(09/08)
Juiz proíbe Bolsonaro de receber visitas dos filhos no Dia dos Pais Link externo(08/08)
Se você tem uma opinião, crítica ou gostaria de propor algum tema, nos escreva. Clique AQUI para enviar um e-mail.
Publicaremos nossa próxima revista da imprensa suíça em 21 de agosto. Enquanto isso, tenha um bom fim de semana e boa leitura!
Até a próxima semana!
Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.