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Disputa entre Fifa e Uefa revela guerra pelo comando do futebol mundial

Homem careca cercado de outros
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, chega para a posse do presidente Abelardo de la Espriella em Cali, na Colômbia, nesta sexta-feira, 7 de agosto de 2026 AP Photo/Matias Delacroix

O último gol da Copa do Mundo de 2026 foi batido há semanas, mas uma disputa de poder nos bastidores ameaça abrir uma nova crise na Fifa. Esta e outras notícias na nossa revista de imprensa da semana.

O jogador Lionel Messi já está falando em aposentadoria e o treinador da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, já dá sinais de que seu ciclo à frente da Seleção Brasileira poderá terminar antes da Copa do Mundo de 2030. Mas na imprensa suíça especula-se bastante sobre a crise institucional entre a Federação Internacional de Futebol (FIFA) e diversas federações ao redor do mundo.

Sob pressão de dirigentes europeus e alvo de acusações sobre a condução de um projeto comercial da entidade, Gianni Infantino enfrenta uma ofensiva que vai muito além de questões de governança: expõe a velha batalha por dinheiro, influência e pelo controle dos rumos do futebol mundial. Leia o nosso resumo abaixo.

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Lobby da carne no acordo de livre comércio com a América do Sul

A jornalista Charlotte Jacquemart, do canal público suíço de rádio e televisão SRF, aborda o acordo de livre comércio entre os países da EFTA e do Mercosul, tema que será discutido hoje no Conselho dos Estados, o Senado Federal da Suíça. O texto ressalta a importância estratégica do comércio exterior para a economia suíça, altamente dependente das exportações e, portanto, de um acesso estável e competitivo a mercados internacionais.

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O que é preciso saber sobre o acordo UE-Mercosul

Este conteúdo foi publicado em O acordo entre a União Europeia e o Mercosul, concebido para facilitar o comércio entre os dois blocos, promete ser um tema polêmico na cúpula de chefes de Estado e de governo europeus que acontece nesta quinta-feira (18) em Bruxelas. 

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O principal impasse está no setor agrícola. Enquanto a Federação Suíça dos Agricultores, especialmente representantes ligados à produção de carne, rejeita o acordo, produtores de leite enxergam no Mercosul uma oportunidade importante para ampliar suas exportações. Com cerca de 270 milhões de consumidores potenciais, o bloco sul-americano poderia absorver parte do excedente da produção láctea suíça.

A Suíça já celebrou 35 acordos nos últimos anos. Entre eles, acordos com economias gigantes como a China e a Índia.

Em grande parte graças a esses acordos de livre comércio, a Suíça tem conseguido aumentar constantemente a exportação de bens e serviços desde o ano 2000. De 50% do produto interno bruto (PIB) para quase 80% atualmente.

Com consequências positivas para o mercado de trabalho: poder exportar para o mundo sem obstáculos administrativos, mas com segurança jurídica, garante empregos na Suíça. Recentemente, a Suíça negociou, assinou ou já aprovou acordos de livre comércio com o Chile, o Kosovo, a Tailândia, a Ucrânia, a Malásia, Cingapura, o Vietnã, o Reino Unido e os países do Mercosul.

Jacquemart também destaca a preocupação da indústria suíça com a perda de competitividade caso o acordo não avance. Representantes empresariais alertam que barreiras tarifárias podem reduzir exportações, investimentos e empregos, enquanto concorrentes europeus passam a contar com condições comerciais mais favoráveis. A discussão no Senado suíço deverá, assim, colocar frente a frente os interesses da agricultura e a necessidade de preservar a competitividade internacional da economia do país.

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Fonte: srf.ch, 13.08.2026Link externo (alemão)

Europeus ricos defendem seus privilégios

O artigo foi escrito por Philipp Gut, editor do semanário suíço Weltwoche, de orientação conservadora, e analisa a crescente disputa de poder em torno da FIFA e de seu presidente, Gianni Infantino. Segundo Gut, a crise deixou de ser apenas uma controvérsia administrativa e passou a representar um confronto aberto entre diferentes centros de poder do futebol mundial.

O estopim foi o projeto, posteriormente abandonado, de transferir parte das atividades comerciais da FIFA para uma subsidiária nos Estados Unidos, a Fifa Forward Enterprise, que poderia receber participação minoritária de investidores privados. A proposta provocou forte reação, sobretudo da UEFA, que passou a questionar a condução de Infantino e a levantar dúvidas sobre governança, transparência e os rumos econômicos da entidade.

Logotipo da FIFA
O logotipo da FIFA na entrada da sede da FIFA, fotografado na quinta-feira, 6 de agosto de 2026, em Zurique. Keystone / Andreas Becker

Gut, porém, interpreta essas críticas principalmente como expressão de uma disputa por poder e recursos. Em sua visão, grandes federações e clubes europeus procuram preservar privilégios históricos e sua predominância econômica, enquanto Infantino tenta ampliar a presença e os investimentos da FIFA em outras regiões do mundo, além de aumentar a participação de países de fora da Europa nas grandes competições.

O artigo também sustenta que vazamentos seletivos de informações internas teriam contribuído para intensificar a crise e enfraquecer Infantino. Gut sugere que setores próximos à UEFA podem estar articulando uma mudança na liderança da FIFA, embora avalie que o presidente ainda conte com apoio significativo entre muitas das federações nacionais que integram a entidade.

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Nesse contexto, a disputa interessa especialmente ao Brasil, por se tratar de uma das maiores potências do futebol e por sua federação nacional ter peso relevante no sistema político da FIFA. Em um embate que envolve a relação entre Europa e outras regiões do mundo, o posicionamento de federações influentes como a brasileira pode ter importância na formação de alianças, na sustentação ou oposição a Infantino e, em última instância, na definição do futuro equilíbrio de poder dentro do futebol mundial.

Fonte: weltwoche.ch, 13.08.2026Link externo (alemão)

Por que, apesar das riquezas naturais, Bolívia e Venezuela ainda têm tanta pobreza…e o Brasil, não?

O artigo foi escrito por Alexander Busch, correspondente que vive há muitos anos no Brasil, para o Neue Zürcher Zeitung (NZZ), considerado o jornal de maior prestígio da Suíça. Busch parte do contraste entre a enorme riqueza mineral e energética da América do Sul e os resultados econômicos muito diferentes obtidos pelos países da região. Venezuela e Bolívia aparecem como exemplos de fracasso: apesar das vastas reservas de petróleo, gás, lítio e outros minerais, permaneceram entre os países mais pobres do continente, situação que o autor atribui menos a uma suposta “maldição das matérias-primas” do que à baixa qualidade das instituições, à estatização excessiva, à corrupção e ao uso político das receitas dos recursos naturais.

Em contraposição, Busch destaca Chile, Brasil e Peru como exemplos de países que conseguiram aproveitar melhor suas riquezas. O Chile criou mecanismos para poupar parte das receitas extraordinárias do cobre; o Peru manteve um ambiente relativamente estável para investimentos em mineração; e o Brasil, apesar de crises políticas e do escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras, continuou desenvolvendo a exploração de petróleo em águas profundas e se consolidou como um grande produtor mundial. A conclusão central é que a existência de recursos naturais, por si só, não determina prosperidade ou pobreza: o fator decisivo é a capacidade das instituições de administrar essas riquezas de maneira produtiva e duradoura.

Lula com as mãos cobertas de petróleo
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, mostra as mãos cobertas de óleo durante sua visita a uma plataforma marítima da Petrobras para a coleta da primeira amostra de petróleo da camada pré-sal do campo de Tupi, na Baía de Santos, na costa do Rio de Janeiro, Brasil, na quinta-feira, 28 de outubro de 2010. AP/Felipe Dana

O tema tornou-se ainda mais relevante devido à crescente competição entre China, Estados Unidos e Europa pelas matérias-primas estratégicas da América Latina, região que possui parcelas expressivas das reservas e da produção mundial de cobre, lítio, petróleo, gás e outros minerais essenciais. Busch observa ainda uma mudança política favorável à maior participação do capital privado em diversos países sul-americanos, citando especialmente a Argentina de Javier Milei. Para o autor, a América Latina vive uma oportunidade excepcional de transformar sua abundância de energia e recursos minerais em desenvolvimento, mas seu sucesso continuará dependendo sobretudo da qualidade das instituições, da segurança para investimentos e da forma como os governos administrarem essa riqueza.

Fonte: nzz.ch, 13.08.2026Link externo (alemão)

O Brasil diante do El Niño: Quando o desmatamento transforma um país em uma armadilha climática

O artigo, publicado em diversos veículos da imprensa suíça, entre eles o jornal 24 Heures e o portal Watson, aborda um tema de relevância global: o avanço do desmatamento na Floresta Amazônica e no Cerrado e seus efeitos sobre a vulnerabilidade climática do Brasil. Segundo dados da rede MapBiomas, o país perdeu, em quatro décadas, uma área de vegetação nativa equivalente a duas vezes o território da França.

O estudo mostra que a substituição de florestas e outras formações naturais por pastagens e áreas agrícolas pode intensificar os efeitos de fenômenos como o El Niño. Na Amazônia desmatada, por exemplo, a redução das chuvas tende a ser mais acentuada do que nas áreas preservadas, enquanto no sul do país regiões agrícolas podem sofrer excesso de precipitações.

Moradores transportando água
Moradores transportando água potável de Humaita até a comunidade de Paraizinho, ao longo de um trecho seco do rio Madeira, afluente do rio Amazonas, em meio a uma seca, no estado do Amazonas, Brasil, em 8 de setembro de 2024. Copyright 2024 The Associated Press. All Rights Reserved

A explicação está ligada, entre outros fatores, à perda da capacidade da vegetação de regular temperatura e umidade. Na Amazônia, o desmatamento reduz a evapotranspiração, aquece o ambiente e diminui a umidade disponível para a formação de chuvas. O El Niño não é provocado por essas mudanças no uso do solo, mas pode amplificar seus impactos, tornando secas, incêndios e inundações mais severos.

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A preocupação também é econômica. Um El Niño particularmente forte pode afetar algumas das principais culturas agrícolas brasileiras, como soja, café e açúcar, além de aumentar riscos para populações e ecossistemas. Por isso, a preservação da Amazônia e do Cerrado aparece no artigo não apenas como uma questão ambiental brasileira, mas como parte de um problema climático com consequências internacionais.

Fonte: 24heures.chLink externo, watson.chLink externo, 12.08.2026 (francês)

>>Outros assuntos noticiados na Suíça:

Brasileiro cai no túnel dos jogadores ao comemorar um golLink externo (10/08)

Desmatamento na Amazônia atinge o menor nível em dez anos Link externo(09/08)

Juiz proíbe Bolsonaro de receber visitas dos filhos no Dia dos Pais Link externo(08/08)

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Publicaremos nossa próxima revista da imprensa suíça em 21 de agosto. Enquanto isso, tenha um bom fim de semana e boa leitura!

Até a próxima semana!

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