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SpaceX deixa sua marca na Lua, a odisseia de Trump e o ceticismo em relação ao presidente do Fed

Um avião passando à frente da Lua no dia 31 de julho.
Um avião passando à frente da Lua no dia 31 de julho. Keystone/Swissinfo

Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, analisamos como a imprensa suíça tem noticiado e reagido a três notícias importantes nos EUA.

Se de fato houvesse alienígenas na Lua, eles teriam levado um susto na semana passada: foi quando parte de um foguete da SpaceX colidiu com ela a cerca de 8.700 km/h. Descubra por que os cientistas estão empolgados com a cratera resultante.

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Donald Trump fala com os jornalistas após chegar a bordo do Air Force One, em Maryland, na terça-feira.
Donald Trump fala com os jornalistas após chegar no Air Force One, em Maryland, na terça-feira. Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved.

Se de fato houver extraterrestres na Lua, eles teriam levado um susto na semana passada, quando parte de um foguete da SpaceX colidiu com ela a cerca de 8.700 km/h. Descubra por que os cientistas estão empolgados com a cratera resultante.

“Trump está em meio às ruínas de suas políticas”, declarou o jornal Tages-Anzeiger na terça-feira, avaliando que o presidente dos EUA foi vítima de sua própria arrogância…com implicações geoestratégicas.

“Assim como Odisseu está atualmente voltando às telonas, a arrogância também é uma sereia”, escreveu o jornal. “Ditadores são particularmente propensos a cair nessa armadilha, já que não há salvaguardas democráticas. O que nos leva a Donald Trump, um aspirante a autocrata que também deseja se livrar das restrições democráticas e é suscetível ao canto das sereias da arrogância.”

O problema, segundo o jornal, é que Trump acredita que não há limites para o poder dos Estados Unidos “e, acima de tudo, para o seu próprio. Isso ficou evidente em seu discurso no dia do ataque ao Irã, quando anunciou o fim do programa nuclear dos mulás e a derrubada do regime. Bons cinco meses depois, o choque com a realidade é preocupante: ambos os objetivos de guerra não foram alcançados. Além disso, Trump prejudicou de forma permanente a credibilidade geopolítica da superpotência americana”.

O poder militar costuma ser mais eficaz quando ameaçado de forma credível do que quando efetivamente empregado, escreveu o Tages-Anzeiger. “Trump não conseguiu compreender isso, como demonstram suas conclusões após o golpe na Venezuela. Ele presumiu que poderia provocar uma mudança de regime no Irã lançando bombas a uma altitude de dez quilômetros e realizando ataques de decapitação. No entanto, o regime islâmico em Teerã sobreviveu e, da forma como as coisas estão, parece ter se fortalecido”.

O presidente dos EUA não tem nada além de opções ruins, concluiu o jornal, com três delas se destacando. “Primeiro, ele poderia intensificar a guerra mais uma vez, mas as munições essenciais parecem estar em falta agora. Segundo, ele poderia impor novas sanções e, por sua vez, bloquear o Estreito de Ormuz mais uma vez. A economia global, incluindo a americana, pagaria o preço. As tropas americanas também teriam que permanecer na região por um longo tempo, o que também seria oneroso. Isso deixa o terceiro cenário: declarar vitória e voltar para casa. No entanto, os problemas de Trump permaneceriam: o urânio enriquecido, embora enterrado sob os escombros, e o Estreito de Ormuz estão atualmente sob controle iraniano, e ambos são armas extremamente eficazes”, escreveu o jornal.

“O retorno de Odisseu para casa após a vitória na Guerra de Tróia transformou-se em uma odisseia. Donald Trump enfrenta um destino semelhante.”

Kevin Warsh, presidente do Conselho da Reserva Federal.
Kevin Warsh, presidente do Conselho da Reserva Federal. Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved.

SRF, o canal público de rádio e TV, precisou falar sobre Kevin na segunda-feira. Os investidores, segundo a emissora, estavam céticos quanto à trajetória das taxas de juros adotada por Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve.

“Os investidores temem que, como chefe do Fed, Warsh não leve tão a sério o combate à inflação quanto afirma”, disse a SRF, observando que os títulos públicos de longo prazo haviam subido para seu nível mais alto desde 2007.

“No que diz respeito à tendência da inflação e das taxas de juros, o mercado atualmente tem um problema com Kevin Warsh. Warsh se recusa a dizer qual rumo de política monetária pretende seguir no futuro.” Segundo a SRF, os críticos suspeitam que Warsh, que ocupa o cargo desde maio, esteja fazendo isso para agradar ao presidente dos EUA, Donald Trump, já que Trump fica satisfeito quando o Fed continua a injetar generosamente dinheiro barato na economia, em vez de combater a inflação.

O problema, aponta a SRF, é que não dá para ter as duas coisas ao mesmo tempo. “Ou o Fed estimula a economia com taxas de juros baixas, ou desacelera a economia com aumentos nas taxas de juros. O fato é que o Fed não alterou as taxas de juros básicas desde o início do ano.”

Enquanto isso, a inflação subiu de 2,4% para 3,5%, em parte como resultado da guerra de Trump contra o Irã e do consequente aumento nos preços da energia. “Visto sob essa ótica, o compromisso de Warsh com a estabilidade de preços e suas ações à frente do Fed têm sido, até agora, apenas parcialmente consistentes entre si”, afirmou a SRF.

Lua
Esta combinação de imagens fornecidas pela NASA e pelo Instituto Coreano de Investigação Aeroespacial mostra uma área da superfície da Lua a 1 de outubro de 2015 (à esquerda) e a 5 de agosto de 2026 (à direita), após a colisão de um segmento de um foguetão da SpaceX com a Lua. NASA, Korea Aerospace Research Institute via AP

Um foguete da SpaceX colidiu com a Lua na semana passada, criando uma nova cratera. Esse impacto acidental já está fascinando os cientistas, afirma o canal RTS, pois tem implicações não apenas para a exploração espacial, mas também para nossa compreensão das origens da Lua.

A nova cratera – com cinco metros de profundidade e 27 metros de diâmetro – foi criada na quarta-feira por um foguete da SpaceX lançado em janeiro de 2025 para colocar duas sondas lunares em órbita, “que então se lançou em direção à Lua a 8.700 km/h antes de explodir, liberando o equivalente a 15 mil cartuchos de dinamite”, explicou a RTS.

A RTS observou que a quantidade de detritos espaciais está aumentando constantemente, enquanto a percepção da Lua como um “corpo celeste inerte” começa a mudar.

“Recentemente, essa visão foi revista porque existem áreas de interesse, particularmente aquelas que contêm gelo”, disse Christophe Bonnal, especialista em detritos espaciais, à RTS. “Existem tubos de lava que poderiam servir como futuros habitats” para possíveis bases lunares. A proteção da Lua foi, portanto, reforçada, e agora é proibido realizar pousos forçados em determinadas áreas.

Esse tipo de impacto também traz outro benefício científico, segundo a RTS, especialmente na análise do regolito – o pó fino cuja composição detalhada e estratigrafia ainda intrigam os pesquisadores.

“Isso nos ajudará a compreender as crateras naturais encontradas na superfície da Lua”, afirma Paolo Sossi, professor da Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH). “O impacto da SpaceX nos permitiria calibrar a massa, o ângulo e a velocidade do impactador e, assim, nos daria informações sobre a história dos asteróides que atingiram a Lua há muito tempo. E, portanto, entender exatamente como a Lua evoluiu geologicamente.”

A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada em 20 de agosto de 2026. Até lá!

Comentário ou críticas? Envie sua mensagem ao seguinte endereço: english@swissinfo.ch

Adaptação: Alexander Thoele

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