Futebol tenta renascer das cinzas em Genebra
Um dos mais antigos e prestigiosos clubes do futebol suíço – o Servette FC – tem estado mais na agenda judiciária do que esportiva.
Um ex-presidente foi condenado à prisão e o novo estádio está virtualmente falido.
Um empresário iraniano assumiu o clube com a promessa de levá-lo novamente à primeira divisão do futebol suíço, a Super Liga. Por enquanto, o Servette está na lanterna da Segundona, a Challenge Liga.
Mas a rica cidade de Genebra parece ter dado as costas para o futebol, como na história do gato escaldado. Também pudera, faz tempo que as más notícias se sucedem.
Um dos últimos presidentes do Servette Futebol Clube, o francês Marc Roger, foi recentemente condenado a dois anos de prisão pela falência do clube. Foi libertado porque já havia cumprido 22 meses de preventiva.
Entre os queixosos estavam credores e ex-jogadores do time, como o francês Christian Karembeu. Alguns deles inclusive tiveram de encerrar a carreira e até passaram por dificuldades financeiras.
Presidentes
O clube já estava mal das pernas antes de o presidente francês assumir, mas, em um ano de gestão, entre fevereiro de 2004 e fevereiro de 2005, Marc Roger levou o Servette à falência com um rombo de 16 milhões de francos suíços. Resultado: da primeira divisão profissional, o clube foi rebaixado para a primeira amadora. Atualmente está na segunda liga profissional (Challenge League), mas com risco de cair novamente para a divisão amadora.
Desde setembro, o clube é presidido pelo empresário iraniano Majid Pishyar, que dirige uma holding baseada em Dubai, com atividades em múltiplos setores. Um de seus escritórios está em Genebra e ele teria laços afetivos com a cidade, segundo a imprensa local. Por enquanto, sua presidência ainda não deu resultados ao clube.
Os problemas do estádio
A rica cidade de Calvino queria um estádio moderno e um clube com ambições européias. Seis anos depois da inauguração do Estádio de Genebra, ela não tem uma coisa nem outra.
Juntamente com os problemas do Servette FC, o estádio que só ficou lotado nos três jogos que acolheu durante a Eurocopa (entre eles dois de Portugal) e está virtualmente falido.
Quando ainda estava na prancheta dos arquitetos, o estádio custaria 68 milhões de francos e seria financiado exclusivamente pelo setor privado, interessado no centro comercial e no hotel que o recinto realmente abriga. Acabou custando 148 milhões, dos quais 43 milhões de verbas públicas, principalmente do estado e da prefeitura de Genebra.
O centro comercial é rentável, mas a fundação que administra o estádio de 30 mil lugares é insolvente porque os custos de administração e manutenção são superiores às receitas. O déficit de 2008 é estimado em 2 milhões de francos suíços. Para os dirigentes da Fundação Estádio de Genebra, a solução para a rentabilidade é ter o Servette na primeira divisão, alguns jogos internacionais e alguns eventos culturais.
Entre as dificuldades estão os erros de concepção no projeto do Estádio de Genebra, comparado às construções igualmente modernas: viver exclusivamente do futebol, pois não foi feito para receber grandes eventos não esportivos.
Clube tem história
E, no entanto, o Servette FC tem história e tradição. Fundado em 20 de maio de 1890, seu nome é o de um bairro popular da cidade, onde ficava o Estádio de Charmilles, em que jogou durante um século, de 1902 a 2002, quando mudou para o novo Estádio de Genebra.
O clube disputou durante 115 anos a primeira divisão do futebol suíço e é o segundo em número de títulos, atrás do Grasshopper de Zurique.
Ainda nos anos 1980 e 1990 teve jogadores de renome, como o alemão Karl-Heinz Rummenigge e o brasileiro Sony Anderson, entre muitos outros. Mais recentemente, os zagueiros Philippe Senderos (Milan) e Johan Djourou (Arsenal) foram formados no clube genebrino.
Resta saber se o novo presidente iraniano do Servette terá mais sucesso do que em sua primeira incursão pelo futebol, no clube austríaco Admira Wacker, que faliu e foi rebaixado. Em todo caso, com um passado tão glorioso, o clube de Genebra merece uma melhor posição do que a lanterna da Segundona.
swissinfo, Claudinê Gonçalves
O Servette FC:
118 anos de história
17 títulos de campeão suíço
7 vezes vencedor da Copa da Suíça
27 participações em Copas da Europa
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