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Genebra em luto pela morte do rei Fahd

O rei Fahd durante sua última viagem à Genebra em 2002. Keystone

Enquanto chefes de Estado de vários países se reúnem na Arábia Saudita para homenagear o falecido rei, Genebra lamenta a perda de um "grande amigo".

O presidente da Confederação Samuel Schmid vai a Ryad, onde representa oficialmente a Suíça no funeral do monarca, morto aos 84 anos de idade.

O rei saudita Fahd era proprietário de um verdadeiro palácio em Collonge-Bellerive, bairro nobre de Genebra, a cidade pela qual o monarca nutria um amor todo especial.

A última vez que ele esteve em Genebra foi em 2002. Essa foi a primeira e única vez que Fahd pernoitou na suntuosa “Villa de L’Aube”, um complexo residencial construído numa área de 17 mil metros quadrados.

Na época foram necessários seis aviões para transportar a comitiva real de 350 pessoas. Entre esposas, príncipes, parentes e funcionários, o grupo aproveitou a visita para esvaziar as prateleiras do comércio local. No total foram gastos 408 milhões de dólares, algo nunca visto até então.

– Ele era um grande amigo de Genebra. Na minha opinião, o que mais lhe agradava era o estilo de vida da cidade. O rei também foi um dos primeiros dirigentes árabes a vir para Genebra. Ele sempre trouxe grande quantidade de personalidades que se instalavam nos melhores hotéis ou compravam residência aqui – lembra-se Christian Rey, diretor da Secretaria de Turismo de Genebra.

Família perdulária

Segundo o presidente da Associação de Hotéis de Genebra, Eric Kuhne, os membros da família real saudita vieram diversas vezes à Genebra a partir dos anos oitenta.

No verão de 2002, eles ocuparam metade dos 410 quartos dos hotéis cinco estrelas da cidade, incluindo o Noga-Hilton de Eric Kuhne.

Sem se preocupar com os preços na hora de fazer compras, mas exigentes quanto à discrição, essa multidão chegou a ter o privilégio de visitar um shopping center local fora do seu horário de funcionamento. O ato de gentileza custou à direção do estabelecimento o pagamento de uma multa de 10 mil francos pela infração dos regulamentos laborais.

Golpe para o turismo

Hoje em dia, muitos genebrinos temem que o falecimento do rei Fahd, após a morte do xeque Zayed, dos Emirados Árabes Unidos em novembro do ano passado, signifique o fim da galinha dos ovos de ouro.

Eric Kuhne explica que a condição de Genebra como destino privilegiado já havia sido abalada pela introdução do visto obrigatório para cidadãos dos países do Golfo, um item previsto no acordo de Schengen com a União Européia. Outro revés é o renascimento de Beirute como concorrente forte no turismo de luxo.

– Registramos uma queda em 2004 e desde então esses turistas não retornaram. Lembro que essa clientela se destaca pela duração da sua estadia e seu poder de compra – explica Kuhne.

O hoteleiro indica ainda que a morte do rei saudita ocorreu poucos dias antes do início da Festa de Genebra, um dos eventos mais importantes da cidade e muito freqüentado no passado por visitantes dos países do Golfo. Na edição desse ano sua presença deve ser consideravelmente menor.

Atrair os visitantes

Christian Rey se considera otimista. Apesar de lamentar o falecimento do rei Fahd, ele está convencido que Genebra irá continuar a atrair os visitantes do Oriente Médio.

Em 2003, esse grupo correspondeu a 6% do total de pernoites (130 mil). O número representou uma queda de 7,5% em relação a 2002, um ano considerado excepcional graças à visita do rei.

– Nos últimos anos começamos a diversificar nossa clientela e não nos focalizamos mais apenas no turismo de alto nível. Agora recebemos visitantes mais jovens originários de países do Golfo que pernoitam em hotéis de três estrelas, algo que não acontecia antes – analisa o chefe do departamento de turismo da cidade.

– Tenho certeza que iremos manter o número de turistas. Genebra tem um relacionamento de longa data com essa região e esperamos que continuar assim.

Herança cultural

O rei Fahd também deixou uma outra herança para Genebra: uma fundação cultural islâmica e a mesquita, inaugurada em 1978.

Seu porta-voz, Hafid Ouardiri, declarou ao jornal Tribune de Genève que se o rei Faiçal da Arábia Saudita foi o iniciador desse projeto, seu sucessor, o irmão Fahd, investiu 15 milhões de francos na sua finalização.

– O dinheiro nos permitiu criar o centro e financiar até hoje as atividades – diz Ouardiri.

swissinfo, Adam Beaumont
traduzido por Alexander Thoele

– Fahd morreu na segunda-feira, aos 82 anos, após 23 no trono do país – o maior exportador de petróleo do mundo. Seu meio-irmão já comanda, de fato, o reino desde 1995, quando o rei sofreu um derrame. Abdulah deve manter o compromisso com a estabilidade no mercado do petróleo.

– O enterro ocorreu em Riad e segundo as tradições islâmicas. Numa cerimônia simples e austera, seu corpo foi envolvido apenas por uma mortalha e carregado sobre uma tábua por membros da família real.

– Seguiram para a Arábia Saudita pelo menos 36 chefes de Estado de todo o mundo, mas só os líderes muçulmanos tiveram acesso ao enterro.

– O rei Fahd possui um complexo de palácios nos arredores de Genebra. Ele visitou sua residência suíça pela última vez em 2002, quando veio ao país para ser operado de catarata.

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