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Menos corrupção na Suíça

A Suíça recebeu a melhor nota, porém não está livre da corrupção. RDB

Empresas suíças são que menos no mundo recorrem à corrupção generalizada, segundo um estudo realizado pela Transparência Internacional.

A seção suíça dessa organização não governamental dedicada a luta contra à corrupção fala de um bom resultado para o país, porém lembra que o problema também existe no país dos Alpes.

Numa lista de 30 nações divulgada ontem pela organização não-governamental Transparência Internacional, a Suíça ficou em primeiro lugar. Ela foi seguida pela Suécia (segundo) e Austrália (terceiro) na classificação feita através de um questionário enviado a dirigentes de mais de 11 mil empresas espalhadas no mundo.

Se as economias mais ricas ocupam os dez primeiros lugares da classificação, potências como o Japão (11º lugar), França (15º) ou Itália (20º) ocupam posições menos favoráveis.

A Suíça foi a campeã com o escore de 7,81 (10 indica a ausência completa de corrupção), apesar de ter um peso de apenas 1,2% nas exportações mundiais. A Alemanha, seu principal parceiro econômico, ficou em sétimo lugar (escorre de 7,34 e 9,5% do comércio mundial).

Poderia ser melhor

Anne Schwöbel, responsável pela seção suíça da ONG, está feliz com o resultado, mas se mostra pragmática. “Transparência Internacional nos colocou na primeira posição, mas estamos longe de ser perfeitos”.

“O escore de 7,81 não significa que estamos livres da corrupção, mas sim que podemos fazer melhor”, declara à swissinfo. Ela destaca o fato da Suíça ter ratificado a Convenção contra corrupção da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD) e também adotado sobre própria legislação sobre o tema.

Porém a nova lei não está sendo aplicada suficientemente. “Desde 2000, tivemos apenas um só caso de condenação de uma pessoa acusada de corrupção de um funcionário estrangeiro”, lamenta a ativista.

Ao mesmo tempo, ela lembra que a Procuradoria Geral da República abriu 22 inquéritos ligados ao escândalo do programa “Petróleo contra alimentos” da ONU, que permitia o Iraque de vender petróleo para comprar gêneros de primeira necessidade durante o embargo antes da guerra.

Na Suíça o caso implica várias empresas baseadas na Suíça, que teriam subornado com grandes quantidades de dinheiro funcionários do governo iraquiano entre 1999 e 2003.

Países em desenvolvimento expostos

De forma geral, Transparência Internacional conclui que “os níveis de corrupção variam de um país ao outro, mas ninguém é campeão em inocência”. Ela lembra que a prática de suborno por empresas exportadores é comum no exterior, sobretudo as dos países desenvolvidos. Apesar da existência de instrumentos internacionais de controle a luta contra a corrupção, que prevêem também penalizações, a luta contra a corrupção nunca foi tão complexa.

Transparência Internacional relata que muitos países ricos continuam a subornar seus parceiros, e mais particularmente os das economias em desenvolvimento. Esse é o caso de empresas francesas e italianas na África, como demonstra o estudo que estabeleceu o Índice de Países Corruptores (BPI, na sigla original).

Para a ONG, essas empresas comprometem os esforços reais feitos pelos governos de muitos países subdesenvolvidos para combater a corrupção. Além disso, a prática estaria “perpetuando” o círculo vicioso da pobreza.

Hipocrisia generalizada

David Nussbaum, diretor geral da Transparência Internacional, denuncia a hipocrisia generalizada que caracteriza o meio de negócios. “De um lado os governos dos países ligados à OECD afirmam querer aplicar leis mais severas contra a corrupção, mas por outro eles continuam tolerando que suas empresas subornem em todo o planeta para obter seus contratos”.

O Índice de Países Corruptores (BPI, na sigla original) foi publicado pela primeira vez em 1999, depois em 2002.

A organização não-governamental Transparency International divulgou seu Índice de Países Corruptores, englobando os 30 maiores países exportadores, entre eles o Brasil.

O índice foi preparado no âmbito do Executive Opinion Survey do Fórum Econômico Mundial. Consultaram-se 11.232 pessoas com experiência em negócios internacionais, oriundas de 125 países. Responderam ao questionário 8034 delas.

Fizeram-se duas perguntas:

1. Da seguinte lista de países, selecione os países de origem das empresas estrangeiras que mais comerciam com o seu país.
2 . Na sua experiência, até que ponto empresas oriundas dos países que você assinalou pagam propinas ou realizam pagamentos não-documentados? (escala de 1 a 7).

swissinfo com agências

Classificação BPI 2006
1. Suíça: 7,81 (sobre o máximo de 10)
2. Suécia: 7,62
3. Austrália: 7,59
4. Áustria: 7,5
5. Canadá: 7,46
Outros resultados:
7. Alemanha: 7,34
9. EUA: 7,22
15. França: 6,50
16. Portugal: 6,47
20. Itália: 5,94
23. Brasil: 5,65
27. Turquia: 5,23
28. Rússia: 5,16
29. China: 4,94
30. Índia: 4,62

– Transparência Internacional (Transparency International) é uma organização não governamental dedicada à luta contra a corrupção. Seu secretariado está localizado em Berlim, Alemanha.

– O principal objetivo da ONG não é denunciar casos particulares, mas se concentrar nas reformas a serem efetuadas nas burocracias oficiais para impedir a corrupção.

– Ela dispõe de filiais em mais de 90 países e atua desde 1995 na Suíça.

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