Presidência da FIFA se decide quarta
As vésperas do disputado cargo, um retrato dos dois candidatos, o suíço Sepp Blatter e o camaronês Issa Hayatou. Semelhanças e diferenças.
As origens do suíço e do camaronês são muito distintas. Joseph (Sepp) Blatter veio ao mundo e cresceu num vale alpino, do estado do Valais – sudoeste suíço. Seu pai tinha como ofício consertar bicicletas.
Issa Hayatou é de família nobre africana, originário de Garoua, norte dos Camarões, nas proximidades do Saara. Seu pai tinha influência na região e um irmão mais velho de Issa – Sadou -, foi primeiro-ministro do País, no início da década de 90.
Talento esportivo
Como jovem tanto Blatter quanto Hayatou mostraram habilidades esportivas. E mais tarde ambos fazem carreiras administrativas na mesma área
Como jogador Blatter não passou de amador, mas podia ter sido profissional se seu pai não tivesse insistido para que ele realizasse estudos superiores. Foi o que fez, tirando um diploma em economia na universidade de Lausanne.
Hayatou projetou-se no basquetebol e em atletismo. Nesta última modalidade chegou a conquistar títulos em 400 e 800 metros. Ele também realizou estudos universitários, antes de tirar um diploma em educação física.
E depois de atuar como treinador justamente na área de atletismo, começou a desempenhar papel no setor administrativo, mais ou menos no mesmo período em que Blatter punha em prática seus conhecimentos na direção do clube de futebol do Neuchâtel Xamax, oeste.
Ascensão na FIFA
Antes de chegar a secretário geral e à presidência da FIFA, Sepp Blatter foi relações públicas no setor do turismo de seu cantão (estado), o Valais, e secretário geral da Associação Suíça de Hóquei sobre Gelo. Sua primeira experiência internacional aconteceu nos jogos olímpicos de 1972 e 1976, como diretor de Sports Timing da empresa relojoeira Longines (encarregada da cronometragem).
Sua carreira na FIFA iniciou-se em 1976, como diretor dos “programas de desenvolvimento”. Em seis anos subiu ao cargo de secretário geral de João Havelange.
Nesse meio tempo, Issa Hayatou exercia função semelhante na Federação Camaronesa de Futebol. E depois de atuar como diretor esportivo de 1983 a 1987, foi eleito presidente da Confederação Africana de Futebol em 1988, função que ocupa até hoje.
Graças ao cargo, Hayatou passou a dispor de um escritório na sede da FIFA em Zurique, treze anos depois que Blatter se mudara para a cidade. E em 1990, foi escolhido como membro do Comitê Executivo.
Briga pela presidência
As relações entre Blatter e Hayatou tornaram-se conflituosas nos últimos meses em função da disputa da presidência da FIFA.
Blatter quer mais um mandato de 4 anos e Hayatou acha que chegou a sua vez estimando necessário uma limpeza na entidade depois de uma série de escândalos em que o suíço está envolvido: falência do grupo de marketing da FIFA, ISL/ISMM, e do grupo alemão Kirch, detentor dos direitos da Copa do Mundo de 2002 e 2006.
O candidato africano procura beneficiar-se também de graves acusações do secretário geral, Michel Zen Ruffinen, contra o “sistema Blatter”, relacionadas em particular com “várias irregularidades financeiras” nos 4 anos de mandato.
Trégua
Para botar lenha na fogueira Hayatou conta com sólido apoio do presidente da UEFA, sueco Lennart Johansson, que se estima lesado na última eleição para o cargo de patrão da FIFA, 4 anos atrás, com a suposta compra de votos em benefício de Sepp Blatter (Johansson foi derrotado).
Aparentemente porém Blatter parece em condição de levar a melhor e continuar à frente da maior multinacional do mundo. Resposta na quarta-feira, em Seúl, onde se realiza a eleição entre os dois candidatos. Mas as dissensões internas na FIFA devem reaparecer logo termine a Copa do Mundo de Futebol.
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