Raízes e coração suíços da Inter de Milão
A Inter de Milão está a um passo de uma conquista jamais conseguida por um clube italiano: já ganhou a Copa e o Campeonato italianos e pode ganhar hoje a Liga dos Campeões contra o Bayern de Munique, em Madri. (Atualização 22h49: a Inter ganhou)
Muitos torcedores suíços vão assistir ao jogo na capital espanhola, fiéis à história que liga a Inter à Suíça.
Neste sábado (22/5), no esplêndido cenário do estádio Santiago Bernabeu, em Madri, um dos templos do futebol mundial, a Inter tem a oportunidade de ganhar seu terceiro título do ano, depois da Copa da Itália e do Campeonato italiano.
Esse “tri” jamais foi conquistado por um clube italiano, mas estaria à altura do time de José Mourinho, que pode comandar pela última vez neste sábado a esquadra em azul e preto. O que pouca gente conhece, no entanto, é a origem suíça da Inter de Milão.
Já se passaram 102 anos do dia memorável em que um grupo de jogadores e intelectuais fundou o FC Internazionale. Entre eles estavam alguns suíços, como Ugo Riettman di Carpino, que jogou na Inter na primeira temporada, em 1908/1909, e o pintor Giorgio Muggiani, nascido na Itália, mas suíço originário de St.Gallen, de onde trouxe a paixão do futebol para Milão.
DNA helvético
“Eles se reuniram em Milão perto do restaurante do relógio. Era a noite de 9 de março de 1908 e eram mais de 40 pessoas. Hoje somos milhões. O sonho era dar a todos, italianos e estrangeiros, a possibilidade de jogar futebol sob as cores preto e azul, representando o céu e a noite”, recordava-se Gianfelice Fachinetti, filho de um mito da Inter, Giacinto, em San Siro, diante de 80 mil torcedores, por ocasião da festa do centenário, dois anos atrás.
Outro suíço era Hernst Marktl, primeiro capitão da Inter, em um time que tinha sete suíços entre os 11 titulares e que na temporada 1909/19010 ganhou o primeiro título do campeonato italiano.
A Inter tem, portanto, um pouco de suíço em seu DNA. Ao longo da história, 20 jogadores suíços vestiram a camisa azul e preta.
Um exemplo é o atacante Roger Vonlanthen, de Genebra, que jogou na Inter de 1955 a 1957 e depois foi técnico da seleção suíça de 1977 a 1979. O último suíço a jogar na Inter foi Ciriaco Sforza, capitão da seleção suíça de 1977 a 1979. Sforza, que hoje é técnico do Grasshopper de Zurique, jogou na Inter em 1996/1997, onde o meio-campo disputou 26 partidas.
Torcida suíça
O legado da Suíça à Inter é testemunhado ainda hoje pela paixão de milhares de torcedores suíços que não hesitam em viajar para ver a Inter em San Siro ou em outro lugar. Muitos deles estarão neste sábado nas tribunas do Santiago Bernabeu para acompanhar a final, exatamente 38 anos depois da última disputada contra o Ajax.
Vinte clubes de torcedores da Suíça estão registrados no Centro de Coordenação do Inter Clube, com um total de 2.200 sócios. O maior deles é de Lugano, sul da Suíça, com 490 membros. Este é um clube histórico, intitulado Sandro Mazzola, fundado em 1960.
Um dos dias mais difíceis para eles deve ter sido 27 de setembro de 1995, quando a Inter foi eliminada no primeiro turno da Copa Uefa pelo Lugano, onde jogava o brasileiro Mauro Galvão. Depois de um empate de 1 a 1 no estádio Cornaredo, em Lugano, o time de Galvão venceu a Inter em San Siro, no jogo de volta, com um gol do chileno Carrasco, aos 40 minutos do segundo tempo. Para completar a tristeza dos torcedores suíços italianos da Inter, o comentarista daquele jogo na televisão RAI era Sandro Mazzola.
Títulos prestigiosos
A história da Inter é prestigiosa até chegar aos títulos atuais. Vigésimo sexto clube italiano a ser fundado, terceiro clube italiano em títulos e vigésimo em número de vitórias, a Inter é o único clube italiano a participar de todos os campeonatos da série A sem nunca ter caído para a série B.
Foi 18 vezes campeã da Itália, ganhou duas Copas dos Campões, duas Copas Intercontinentais, três Copas da Uefa, seis Copas da Itália e quatro Supercopas italianas.
Um dos clubes mais prestigiados internacionalmente, segundo o relatório 2010 publicado pela Deloitte, a Inter, praticamente empatada com o Milan, é o nono clube de futebol mais rico da Europa, com faturamento de 196,5 milhões de euros.
Neste sábado está em jogo o troféu mais importante da Europa. Saberemos então se, depois do 18° campeonato e da 5ª Copa da Itália, este ano (façanha só realizada pela Juventus nos anos de 1930 pelo Torino depois da Segunda Guerra Mundial), a Inter entrará para o olimpo da Europa.
Michele Novaga, Milano, swissinfo.ch
(Adaptação: Claudinê Gonçalves)
A Inter de Milão conquistou a Liga dos Campeões com uma vitória de 2 a 0 sobre o Bayern de Munique, com gols do argentino Diego Milito.
A Inter foi 18 vezes campeã da Itália, 13 vezes vice-campeã e ficou 16 vezes em terceiro lugar no campeonato italiano. Nas 96 temporadas disputadas até agora ficou 47 vezes entre os três primeiros.
Desde que foram instituídas as duas divisões do campeonato italiano, em 1929, a Inter é o único clube que sempre disputou a série A, com 78 participações.
A Inter divide com a Juventus e o Torino o maior número de títulos consecutivos do campeonato italiano.
Na temporada 1929-1930, a Inter foi o primeiro clube a vencer o campeonato da Série A.
A Inter foi o único clube italiano a vencer o campeonato italiano, a Copa dos Campeões e a Copa Intercontinental no mesmo ano, em 1965.
Na temporada 1988-1989, a Inter teve o mais alto percentual de pontos da Séria A (58 de um total de 68), recorde que ainda não foi batido.
A Inter é o clube que disputou o maior número de finais da Supercopa Italiana consecutivamente: 6
A Inter foi o primeiro clube italiano a ganhar a Copa Intercontinental, em 1964, e que tem o maior número de participações na Copa da Uefa: 29
Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.