‘Mantenham os protestos, a ajuda está a caminho’, diz Trump aos iranianos
O presidente americano, Donald Trump, incentivou nesta terça-feira (13) os manifestantes no Irã a manter o movimento e a derrubar as autoridades da República Islâmica, cuja repressão aos protestos já deixou 734 mortos, segundo uma ONG.
As autoridades iranianas insistem que estão retomando o controle após as sucessivas manifestações, que começaram há duas semanas.
Inicialmente, as marchas eram contra o custo de vida, mas se transformaram em um movimento contra o regime teocrático que governa o país desde a revolução de 1979 e que, desde 1989, é liderado pelo guia supremo Ali Khamenei.
No âmbito internacional, o tom endureceu. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou-se “horrorizado” com a repressão, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que sanções serão propostas “rapidamente” em resposta ao número “aterrorizante” de mortos.
Espanha, França, Reino Unido, Finlândia, Dinamarca e Alemanha convocaram diplomatas iranianos para expressar sua “condenação” à repressão aos protestos.
“Patriotas iranianos, MANTENHAM AS MANIFESTAÇÕES. TOMEM O CONTROLE DE SUAS INSTITUIÇÕES”, escreveu Donald Trump em sua plataforma Truth Social. “Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que CESSEM este massacre sem sentido de manifestantes. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO”, afirmou.
Por sua vez, a representação iraniana na ONU publicou no X que o “manual” de Washington “voltará a fracassar”.
“As fantasias e a política dos Estados Unidos para o Irã têm como base uma mudança de regime, com sanções, ameaças, distúrbios orquestrados e caos como modus operandi para fabricar um pretexto para uma intervenção militar”, acrescenta o texto.
Trump ameaçou em diversas ocasiões intervir militarmente e, agora, em uma tentativa de intensificar a pressão, anunciou que imporá “imediatamente” tarifas de 25% aos parceiros comerciais da República Islâmica.
Embora a conexão telefônica internacional tenha sido restabelecida nesta terça-feira, os iranianos seguem sem acesso à internet desde 8 de janeiro, o que organizações de direitos humanos denunciam como uma tentativa de ocultar a magnitude do derramamento de sangue.
Trump ameaçou agir “de maneira muito firme” se as autoridades iranianas começarem a executar os manifestantes, depois que o Ministério Público de Teerã afirmou que serão apresentadas acusações por crimes capitais de “moharebeh” (“guerra contra Deus”) contra alguns dos suspeitos detidos nos protestos.
– ‘Massacres em grande escala’ –
No passado, houve casos em que essas acusações levaram à pena de morte.
A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, informou nesta terça-feira que verificou 734 mortes, incluindo a de nove menores, mas alertou que o número real de mortos pode ultrapassar 6.000. A ONG também informou que mais de 10.000 pessoas foram detidas.
A Human Rights Watch (HRW) acrescentou que existem “relatos confiáveis de que as forças de segurança estão realizando massacres em grande escala”.
Vídeos publicados em redes sociais e geolocalizados pela AFP mostram corpos alinhados em uma mesquita, ao sul da capital.
“A violência aumenta, as detenções também. Os opressores disparam indiscriminadamente”, relatou em Istambul Kian Tahsildari, citando o testemunho de amigos em Mashhad, nordeste do Irã.
Segundo a mídia estatal, dezenas de membros das forças de segurança morreram nos protestos. Seus funerais se transformaram em grandes manifestações a favor do governo, que declarou três dias de luto oficial.
Na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse à Al Jazeera que o governo ordenou o bloqueio da internet depois de “se deparar com operações terroristas e perceber que as ordens vinham de fora do país”.
Em relação às ameaças de Trump, ele acrescentou: “Estamos preparados para qualquer eventualidade e esperamos que Washington escolha uma opção sensata.”
– Chamado dos Pahlavi –
Aos 86 anos, o aiatolá Khamenei tem enfrentado uma série de desafios, como a guerra de 12 dias com Israel em junho, desencadeada por um ataque maciço contra instalações militares e nucleares da República Islâmica.
Ainda assim, essas manifestações “representam o desafio mais grave à República Islâmica em anos, tanto por sua amplitude quanto por suas reivindicações políticas cada vez mais explícitas”, afirmou à AFP Nicole Grajewski, professora do Centro de Estudos Internacionais da Sciences Po, em Paris.
Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979 e figura opositora exilada nos Estados Unidos, instou as forças de segurança a “ficarem ao lado do povo”. Sua mãe, Farah Pahlavi, de 87 anos, também no exílio, instou as forças de segurança iranianas a “escutar os gritos de angústia e de raiva dos manifestantes” e a “juntar-se aos [seus] irmãos e irmãs antes que seja tarde demais”.
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