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A presidente Dilma Rousseff recebe Vladimir Putin no palácio do Planalto, em Brasília, 14 de julho de 2014

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O Brasil busca investimentos da Rússia em energia e infraestrutura para duplicar o intercâmbio comercial entre os dois países, além de negociar a compra de unidades do sistema russo de defesa antiaérea.

Dias antes da cúpula do BRICS, a presidente Dilma Rousseff recebeu nesta segunda-feira em Brasília seu homólogo Vladimir Putin. Na ocasião foram assinados vários acordos, entre eles um plano de ação de cooperação econômica e comercial, com o objetivo de elevar as trocas entre os dois países para os 10 bilhões de dólares, quase o dobro dos 5,6 bilhões alcançados em 2013.

"Servirá para desenvolver iniciativas que possibilitem o aumento recíproco de investimentos diretos. Apresentei ao presidente Putin as múltiplas oportunidades abertas nos setores de energia e infraestrutura, em que as empresas russas podem aumentar sua presença no Brasil, especialmente na área de petróleo e em portos e ferrovias", disse Dilma em uma declaração no fim do encontro.

Putin destacou, por outro lado, a assinatura de um "grande pacote de parcerias entre instituições e acordos comerciais que estimulam a cooperação nas mais diversas áreas. Nossa atenção se concentrou nos vínculos econômicos. O Brasil é o maior parceiro da Rússia na América Latina. Nosso intercâmbio comercial dobrou nos últimos anos".

"No ano passado o intercâmbio comercial diminuiu um pouco, por isso era tão importante nos reunirmos para discutir como superar os problemas atuais", explicou Putin.

"Várias companhias russas estão entrando no mercado brasileiro, em particular no setor de geração de energia", acrescentou o presidente russo. Também é planejada a construção conjunta de centrais elétricas e ferrovias, além de iniciativas nos setores de aviação, foguetes e indústria digital.

- Defesa antiaérea -

O Brasil também vê com bons olhos uma parceria com a Rússia no setor de defesa. Dilma disse que reiterou a Putin seu interesse na aquisição de material antiaéreo russo e na cooperação em projetos de energia nuclear para fins pacíficos.

Um convênio de cooperação técnico-militar foi assinado entre os dois países.

"Ressaltamos a importância da cooperação em defesa e no uso pacífico de energia nuclear. Por essa razão, instruímos nossos representantes a agilizar as negociações para a aquisição, por parte do Brasil, de unidades do sistema russo de defesa antiaérea", disse a presidente.

De acordo com o convênio, as forças armadas dos dois países participarão, em agosto deste ano, de um exercício conjunto de uso do sistema Pantsir-S1, com o objetivo de exibi-lo tendo em vista uma possível aquisição desse tipo de armamento por parte do Brasil.

"Buscamos uma relação de longo prazo e de ganhos mútuos (...) Nossos países estão entre os maiores do mundo, e não podem ficar tranquilos, em pleno século XXI, com dependências de qualquer tipo. Acontecimentos recentes demonstram que é essencial que busquemos, nós mesmos, autonomia científica e tecnológica", afirmou Dilma.

- Perspectivas do BRICS -

Brasil e Rússia reforçaram a necessidade de uma atuação coordenada dos países na agenda do G-20 e em todas as instituições internacionais, "em especial, as econômicas, única maneira de fazer com que o Fundo Monetário Internacional (FMI) seja um mecanismo realmente multilateral e democrático", disse Dilma.

Putin garantiu que Brasil e Rússia estão unidos na abordagem de "temas internacionais importantes, reconhecendo a tarefa que as duas partes devem desempenhar na ONU nesses processos".

No encontro, também foram discutidas as perspectivas da sexta cúpula do grupo BRICS, no que diz respeito à criação de um banco de desenvolvimento do bloco, assim como de um fundo monetário.

A VI cúpula do BRICS abre uma brecha no isolamento da Rússia por parte dos países ocidentais, em um novo sinal da diplomacia multipolar defendida pelos países emergentes.

Em um momento de forte tensão entre o governo de Moscou e a Ucrânia, e de confrontos armados entre as autoridades ucranianas e separatistas pró-russos do leste, a cúpula do BRICS pode mencionar o tema em sua declaração final.

Na reunião bilateral, o Brasil elogiou o diálogo da Rússia com a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), que promoverá a cooperação com esta parte do continente, tema também mencionado por Putin.

A ideia é que a Celac possa estreitar os laços com a União Econômica Euro-Asiática (acordo aduaneiro entre Rússia, Belarus e Cazaquistão), que deve entrar em vigor em 2015.

AFP