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Brasil supera 90.000 mortes por COVID-19

Bombeiros de Minas Gerais com equipamento de proteção empurram maca de isolamento para transportar pacientes infectados com o novo coronavírus, em 22 de julho de 2020, no aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 29. julho 2020 - 21:46
(AFP)

O novo coronavírus já provocou a morte de mais de 90.000 pessoas no Brasil, onde a pandemia não dá trégua, com uma média móvel de mais de mil falecimentos diários desde o início de julho, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério da Saúde.

Nas últimas 24 horas, foram registradas 1.595 mortes, elevando o total no país a 90.134. Trata-se de um recorde diário desde o primeiro falecimento em território brasileiro, em 16 de março. O cálculo inclui o balanço de terça-feira do estado de São Paulo, que tinha sido atrasado.

Houve também um recorde de contaminações (69.074 nas últimas 24 horas), que agora totalizam 2.552.265. Os especialistas, porém, alertam para a possibilidade do número de contaminações estar fortemente subestimado devido à falta de testes de detecção no país.

A COVID-19 chegou ao Brasil em fevereiro, após ser detectada pela primeira vez na China em dezembro de 2019 e provocar a morte de milhares de pessoas na Europa. Desde então, o Brasil se tornou o segundo país mais atingido do mundo em números absolutos pela doença, atrás apenas dos Estados Unidos (mais de 4,3 milhões de casos e de 150.000 mortes).

A escalada do número de óbitos mantém uma constância assustadora, com um aumento de 10.000 a cada 10 dias aproximadamente: a barreira dos 60.000 falecimentos foi superada em 1º de julho, a dos 70.000 em 10 de julho e a dos 80.000 no dia 20. Mantendo o ritmo, especialistas estimam que a marca de 100.000 mortes deverá ser alcançada na semana que vem. Até o fim do ano, a expectativa é de possíveis 200.000 mortes.

As tentativas de controle da pandemia têm sido comprometidas em grande medida pela falta de coordenação entre o governo federal, estados e municípios, em um contexto de extrema polarização.

Em nome da sobrevivência da economia, o presidente Jair Bolsonaro tem se mostrado um fervoroso opositor das medidas de confinamento impostas por governadores e prefeitos.

Já a maioria dos estados coloca atualmente em prática um processo de suspensão do confinamento julgado prematuro por especialistas.

- "Platô" em dúvida -

A Organização Mundial da Saúde (OMS) assegurou em 17 de julho que a pandemia havia alcançado um "platô" no Brasil, mas este parece interminável e em alguns momentos com tendência ascendente.

Desde 3 de julho, a média diária de mortes avaliadas nos últimos sete dias se mantém sistematicamente acima de 1.000. E a média de novos casos passa dos 30.000 por dia desde 19 de junho, e dos 40.000 desde 24 de julho.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, afirmou nesta quarta-feira, durante coletiva de imprensa, que o aumento do número de casos se deve a que agora se está "fazendo [um] diagnóstico mais precoce dessa doença".

Ao ser perguntado se ainda se podia dizer que o Brasil está em um "platô", Medeiros respondeu: "Precisamos avaliar novamente a cada semana (...). [Mas] Nós ainda estamos dentro do nível de mais ou menos 5% a cada semana" nos balanços.

- Diferenças regionais -

São Paulo, o estado mais populoso do país, também é o mais afetado em números absolutos, com mais de 514.000 casos e 22.839 óbitos (um quarto do total). Mas proporcionalmente (488 mortes por milhão de habitantes) se situa um pouco acima da média nacional (429 mortes/milhão h).

O Rio de Janeiro é o segundo estado com mais óbitos (13.198) e também um dos mais afetados, com 764 mortes/milhão h.

Na média de mortes em sete dias, observa-se nas últimas semanas um aumento dos casos nos estados do sul e do centro-oeste, que a princípio tinham sido preservados pela COVID-19.

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