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Ex-policial da ditadura chega extraditado à Argentina

(Arquivo) Beatriz Cantarini, mãe de Hernán Abriata, desaparecido em 1976, em manifestação em 2014 diante da embaixada francesa em Buenos Aires, aguardando uma decisão judicial sobre o ex-policial da ditadura, Mario Sandoval afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. dezembro 2019 - 14:18
(AFP)

O ex-policial argentino Mario Sandoval chegou nesta segunda-feira a Buenos Aires em um voo comercial extraditado da França para ser julgado pelo desaparecimento de um jovem em 1976 durante a ditadura.

Sandoval, 66 anos, residia na França desde 1985 e era requisitado pela justiça argentina desde 2012 apenas pelo desaparecimento de um estudante, mas sob suspeita de participação em centenas de outros casos de tortura e morte durante a ditadura (1976-1985).

"Tudo correu como planejado", disse a advogada argentina Sophie Thonon-Wesfreid, após a partida de Sandoval para Buenos Aires na noite de domingo, na capital francesa.

O juiz federal argentino Sergio Torres solicitou sua extradição no âmbito do caso ESMA, que investiga cerca de 800 casos de desaparecimentos na antiga Escola de Mecânica da Marinha, o maior centro de detenção clandestino durante a ditadura e por onde teria passado cerca de 5.000 foram prisioneiros.

Na Argentina, ele será julgado pelo desaparecimento do estudante de arquitetura Hernán Abriata, que foi preso em uma operação liderada por Sandoval em sua casa em Buenos Aires, em outubro de 1976.

De acordo com a esposa e os pais de Abriata, o jovem foi preso sob pretexto de um "procedimento de rotina".

Testemunhos de sobreviventes indicaram à justiça que Abriata estava em cativeiro na ESMA.

Sandoval esgotou na França recursos em todas as instâncias para impedir sua extradição, incluindo uma apresentação no Tribunal Europeu de Direitos Humanos (CEDH), que foi rejeitado na sexta-feira.

Sandoval exilou-se na França após a queda da Junta em 1983 e obteve nacionalidade francesa em 1997. Isso não impediu sua extradição, já que não era francês à época dos fatos.

Na Argentina, onde a ditadura deixou 30.000 desaparecidos, mais de 3.000 pessoas são acusadas em processos por crimes contra a Humanidade desde a anulação de leis de anistia em 2003.

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