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(30 jun) Soldados israelenses bloqueiam uma das entradas do vilarejo de Halhul, Cisjordânia

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Israel enterrou nesta terça-feira seus três estudantes sequestrados na Cisjordânia, "os filhos de todo um povo", planejando represálias contra o Hamas palestino, acusado pelas mortes.

"Seus assassinos pisotearam o mandamento moral que diz que não devemos tocar a uma criança", declarou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante o funeral das vítimas em Modiin, entre Jerusalém e Tel Aviv.

Dezenas de milhares de anônimos israelenses - religiosos, leigos, famílias e soldados - se reuniram no pequeno cemitério de Modiin, entoando canções pungentes de lamentação na chegada do cortejo fúnebre.

As três ambulâncias carregando os corpos atravessaram com dificuldade a longa fila que serpenteava por vários metros ao longo das trilhas da floresta de Modiin, de acordo com imagens exibidas pela televisão.

Os três jovens estudantes de escolas religiosas de assentamentos judaicos, Eyal Yifrach, de 19 anos, Naftali Frankel e Gilad Shaer, ambos com 16 anos, foram encontrados mortos na segunda-feira nos arredores da cidade de Halul, perto da estrada onde foram vistos pela última vez no sul da Cisjordânia ocupada.

Imensa comoção

Mas, apesar de as mortes terem causado uma imensa comoção em Israel, os líderes internacionais e os principais analistas israelenses pediram serenidade ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que acusou o movimento radical Hamas pelos assassinatos, e o aconselharam a optar por operações seletivas e limitadas.

O gabinete de segurança israelense, presidido por Netanyahu e formado pelos principais ministros, deve retomar as discussões nesta terça-feira à noite, após uma longa reunião que terminou sem o anúncio de uma decisão.

O primeiro-ministro prometeu "fazer o Hamas pagar", considerando que os sequestradores agiram, se não sob a ordem, conforme a linha de ação da direção do movimento islâmico.

O Hamas, que negou envolvimento no sequestro, mas elogiou a ação, prometeu a Israel que, "se o país iniciar uma guerra ou uma escalada, abrirá as portas do inferno".

"Nós consideramos o Hamas (sigla em árabe para Movimento de Resistência Islâmica) responsável pelo sequestro e assassinato dos jovens e sabemos como fazer para que prestem contas", declarou o ministro israelense da Defesa, Moshe Yaalon.

Na segunda-feira à noite, Israel executou 30 ataques aéreos contra locais de treinamento de grupos armados na Faixa de Gaza. Não foram registradas vítimas.

Na manhã desta terça-feira, o Exército israelense matou um jovem palestino em uma operação no campo de refugiados de Jenin (norte da Cisjordânia).

Para o jornal Yediot Aharonot, os ministros israelenses envolvidos nas discussões devem "primeiro pensar no inimigo externo e só depois nas pressões internas".

"Israel deve continuar atacando o Hamas, mas com inteligência e de modo cirúrgico, sem punir população nem a Autoridade Palestina".

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, convocou uma reunião. O acordo de reconciliação com o Hamas, que resultou na formação de um governo de personalidades independentes em 2 de junho, parece cada vez mais ameaçado.

Um analista militar do jornal Haaretz destacou que "o objetivo declarado do governo é a dissuasão dos palestinos, mas o objetivo prático é tranquilizar os israelenses", ao destacar o perigo de uma onda de agressões individuais contra a minoria árabe ou os palestinos.

A polícia israelense está em alerta pelo temor de atentados ou represálias.

O Haaretz alerta que "existe uma grande tentação política para adotar medidas fortes contra o Hamas em Gaza", mas isso pode provocar ataques com foguetes contra a região de Tel Aviv.

Se isso acontecer, considera o jornal Maariv, "o Hamas vai recuperar um pouco de simpatia internacional porque seria atacado pelo grande e poderoso Israel. Depois de três dias ninguém lembraria dos três jovens assassinados e todo o mundo falaria da população palestina sob a bota do ocupante".

Estados Unidos e União Europeia condenaram energicamente o assassinato dos israelenses.

Desde o sequestro, o Exército israelense matou cinco palestinos na Cisjordânia, prendeu 420 palestinos - 305 deles integrantes do Hamas - e revistou mais de 2.200 casas.

Um grupo desconhecido, os Partidários do Estado Islâmico", que jurou lealdade ao "Estado Islâmico", ativo na Síria e no Iraque, reivindicou os assassinatos.

Os três jovens - Eyal Yifrach, de 19 anos, Naftali Frankel e Gilad Shaer, ambos de 16 -, eram estudantes de escolas religiosas. Foram encontrados mortos perto da localidade de Halhoul, muito perto do local onde foram vistos pela última vez.

AFP