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Jihadistas sunitas proclamam um califado no Iraque e na Síria

Imagem retirada de vídeo divulgado na internet em 14 de junho de 2014 mostra integrantes do EILL em estrada na província de Salaheddin. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. junho 2014 - 14:35
(AFP)

Os jihadistas sunitas que realizam uma ofensiva no Iraque proclamaram a criação de um califado nas zonas sob seu controle no Iraque e na Síria e convocaram todos os muçulmanos a jurar lealdade ao seu chefe, em uma espetacular demonstração de suas ambições.

Este acontecimento, que coloca em risco a continuidade das fronteiras atuais, pode provocar a ira da comunidade xiita majoritária no Iraque e no vizinho Irã, assim como reações alarmistas nos países ocidentais e nos países árabes, considerados moderados.

No Iraque, o anúncio ocorre num momento em que as forças iraquianas tentam retomar as regiões conquistadas pelo Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL) durante uma rápida ofensiva lançada no dia 9 de junho.

Este grupo, que agora se chama apenas "Estado Islâmico", advertiu que todos os muçulmanos do mundo tinham o dever de jurar lealdade ao seu chefe, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamado califa, segundo uma gravação de áudio divulgada na internet no domingo, primeiro dia do Ramadã.

As autoridades iraquianas e sírias ainda não reagiram ao anúncio da criação deste califado, que se estenderia da cidade de Aleppo (norte da Síria) até Dijallah (leste do Iraque).

"Do ponto de vista geográfico, o Estado Islâmico é perfeitamente operacional no Iraque e na Síria. Além disso, também se encontra, embora escondido, no sul da Turquia, e parece ter presença no Líbano e partidários na Jordânia, em Gaza, no Sinai, na Indonésia, na Arábia Saudita e em outros lugares", afirmou Charles Lister, pesquisador associado ao Brookings Doha.

"Pode se tratar do nascimento de uma nova era do jihadismo transnacional", disse Lister, ao ressaltar que a criação de um califado "representa uma ameaça importante para a Al-Qaeda e para seu papel na causa jihadista mundial".

Segundo o pesquisador, Baghdadi pode a partir de agora ordenar operações na Jordânia ou na Arábia Saudita, ao mesmo tempo em que pode aumentar a violência no Iraque, onde seu principal inimigo é o primeiro-ministro, o xiita Nuri al-Maliki, acusado de marginalizar a minoria sunita.

O califado, cujo chefe representa o sucessor do profeta Maomé como "emir dos fiéis" no mundo muçulmano, é um regime que desapareceu após o desmantelamento do Império Otomano.

O Estado Islâmico marcou o tom com o anúncio do califado. "Muçulmanos rejeitem a democracia, a laicidade, o nacionalismo e o resto do lixo do Ocidente. Voltem para sua religião", afirmou seu porta-voz, Abu Mohamad al-Adnani, em uma gravação.

O exército cerca Tikrit

Os combatentes do EIIL também lutam contra seus ex-aliados da rebelião síria e contra o regime deste país, onde criaram em Raqa (norte) uma capital muito organizada e também controlam grande parte da província de Deir Ezzor (leste), na fronteira com o Iraque, e algumas partes de Aleppo.

No Iraque, a ofensiva dos insurgentes sunitas, que deixou mais de mil mortos, segundo as Nações unidas, e milhares de deslocados, conta com o apoio dos ex-oficiais de Saddam Hussein, de grupos salafistas e de algumas tribos.

Os jihadistas controlam setores da província de Saladino (norte), assim como Mossul, segunda cidade do Iraque, grande parte da província de Nínive (norte), outros setores da província de Diyala (leste), Kirkuk (norte) e Al-Anbar (oeste).

Para ajudar o exército iraquiano em sua contraofensiva contra os insurgentes, a Rússia entregou cinco aviões de combate Sukhoi, enquanto os Estados Unidos enviaram drones e especialistas militares.

No âmbito desta contraofensiva, na qual milhares de soldados apoiados pela aviação participam, o exército cercava nesta segunda-feira a cidade de Tikrit (160 km ao norte de Bagdá), reduto do ditador Saddam Hussein, deposto em 2003 após uma invasão americana.

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