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Migrantes hondurenhos retomam na Guatemala jornada rumo aos EUA

Um migrante hondureño, Juan Hernández, e seu filho, Marcos, viajam pela Guatemala em uma caravana que se dirige a Estados Unidos, na região de Chiqimula, 16 de janeiro de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. janeiro 2019 - 23:32
(AFP)

Debaixo de uma persistente chuva, centenas de migrantes hondurenhos, entre eles muitas crianças, retomaram nesta quarta-feira (16) sua marcha em caravana rumo à capital da Guatemala, uma etapa de sua viagem aos Estados Unidos, aonde vão em busca de uma vida melhor.

Dezenas de pessoas dispersas em grupos caminham às margens de uma rodovia, enquanto outras, com mais sorte, são transportadas por samaritanos na parte de trás de caminhonetes para percorrer os 225 km de distância entre a fronteira com Honduras e a Cidade da Guatemala.

Carregando crianças pequenas em braços ou em carroças, os hondurenhos entraram na noite de terça-feira em solo guatemalteco, após romper o cerco policial em seu país, e continuam a travessia rumo à fronteira com o México para se aproximar da meta final: os Estados Unidos.

Trezentos migrantes permanecem, no entanto, em território hondurenho porque as autoridades migratórias deste país não estenderam passes para entrar na Guatemala a muitos menores, provocando revolta.

"Fora JOH", gritavam migrantes incomodados, em alusão às iniciais do presidente hondurenho, Juan Orlando Hernández, diante de uma barreira de policiais guatemaltecos, que impediam cruzar a fronteira.

Em mensagem divulgada pelas redes sociais, anônimos convocaram a "Caravana migrante 15 de janeiro", partindo de San Pedro Sula, a segunda cidade de Honduras, 180 km ao norte da capital, Tegucigalpa. "Buscamos refúgio. Em Honduras nos matam", acrescenta a convocação.

Apesar das advertências do presidente americano, Donald Trump, de não permitir a migração irregular, esta é a terceira caravana de hondurenhos que empreende esta longa viagem a pé. A primeira saiu em 13 de outubro.

O presidente republicano aproveitou a saída destas centenas de hondurenhos para voltar a defender a construção de um muro entre os Estados Unidos e o México, uma obra cujo financiamento é rejeitado pelos democratas, que têm maioria na Câmara de Representantes. A disputa política mantém paralisado o governo federal americano há meses.

- Sem futuro -

"O fiz pela família, mas me dói deixar minha tenha, minha esposa e meus quatro filhos", diz, resignado, Angel Mejía, de 36 anos, enquanto faz uma longa fila para passar pela migração hondurenha.

Mejía deixou os filhos com idades entre 3 e 12 anos em Tegucigalpa, com a esperança de chegar ao território americano e melhorar suas condições de vida.

"O que era vida em Honduras, não é mais vida", disse Franklin Aguilera, enquanto descansa sentado na calçada de um posto de gasolina, ao lado da esposa, Jennifer, e de seu filho de dois anos e seis meses.

Embora reconheça que a viagem é perigosa e pesada, Aguilera afirma que deixou seu país por causa do desemprego e da violência.

Este homem de 25 anos lamenta que em Honduras as oportunidades de emprego sejam poucas e mal remuneradas, como na indústria têxtil, onde dão trabalho por períodos de três meses.

"Lamento deixar meu país, vou buscar trabalho e fazer algo para voltar porque Honduras é belo, mas não tem futuro", comenta Aguilera, soldador e eletricista de San Pedro Sula.

- Sem opções -

"Não podemos viver onde estamos, em Honduras não há trabalho e por isso, decidimos arriscar a vida", diz, com lágrimas nos olhos, Juan Hernández, de 52 anos, acompanhado do filho Marlon, de 10 anos.

Ele assegura que, por necessidade se viu obrigado a deixar o país porque "não aguentava tanta pressão, não há nada, não podemos [pagar] a cesta básica porque está muito cara e os salários, muito baixos", lamenta.

Confiando em que a Virgem de Guadalupe o guiará para chegar aos Estados Unidos ou ao México para trabalhar, Hernández conta que deixou esposa e outros dois filhos, um menino de quatro anos e uma menina de 18 meses, no povoado de La Ceiba.

"Vou com fé de que a Virgem vai nos ajudar", diz, após mostrar uma tatuagem com imagem da virgem morena em seu braço direito.

Delegados de El Salvador, Guatemala, Honduras e México se reuniram na terça-feira, em San Salvador, com técnicos da Comissão Económica para a América Latina (Cepal) para discutir um plano de atenção para os migrantes.

O governo mexicano prepara um abrigo no estado de Chiapas (sul), fronteiriço com a Guatemala, mas advertiu que não permitirá que os migrantes entrem à força no país como ocorreu com outras caravanas em 2018. O governo de Andrés Manuel López Obrador anunciou que investirá recursos para maior segurança na fronteira.

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